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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Negras ou (e) brancas?

Billie ou Anita?

Presumo que a maioria, perguntada sobre cantoras de jazz, vai se lembrar de Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan. Alguém, pouco melhor informado, provavelmente, citará Carmen McRae. Dificilmente se lembrará de alguma cantora branca. Parece que, para ser boa, tem que ser negra. Sem dúvida, suas vozes tendem a ser mais marcantes, isso não acontece apenas no jazz. É universal.

Num, digamos, segundo time, alguns vão lembrar de citar Abbey Lincoln, Nancy Wilson, Shirley Horn, Dakota Stanton, Dee Dee Bridgewater, Etta Jones, Betty Carter, Nina Simone, Dianne Reeves, Dinah Washington e Lena Horn, Helen Humes, Lorez Alexandria, Bessie Smith, Mildred Bailey, Jeanne Lee e Ernestine Anderson, para completar mais de um time de futebol. A tradição da força da voz negra continua com Cassandra Wilson, Lizz Wright, René Marie e, mais recentemente, Jazzmeia Horn e Cécile McLorin Salvant, esta última, fenomenal, mesmo tendo voz pequena.

Será, entretanto, que nenhuma cantora branca se destaca no panteão das melhores de todos os tempos? Sim. De cara, duas: Anita O’Day e Doris Day. Mesmo da geração que surgiu contemporaneamente ou depois das três divas canoras (isso mesmo), impossível não citar Peggy Lee, Helen Merrill, Lee Wiley, Jeri Southern, Irene Kral, Helen Forrest, Blossom Dearie, Julie London, Patti Page, Margaret Whiting, Dinah Shore, Rosemary Clooney, Jo Stafford, Chris Connor e June Christy, esta última, uma das minhas preferidas, e motivo desse texto. Dentre as mais (ou menos) novas forma-se um time de craques: Diana Kral, Stacey Kent, Karryn Allison, Gretchen Parlato, Dominique Eade, Jane Monheit, Tierney Sutton, Patricia Barber, Madeleine Peyroux, Lizz Wright, Carol Welsman, e algumas estrangeiras radicadas nos Estados Unidos, como Cyrille Aimée e a excepcional Roberta Gambarini.

Se me perguntarem quem é a minha preferida, bom, de tempos em tempos elejo uma. A perene, a que nunca saiu das minhas eleitas, é Billie Holiday. Enquanto escrevo, voltei a ouvir uma caixa com oito CDs, comprada no Japão, caríssimo, lá por 1988, se não me engano, com seus registros pela Columbia. É a melhor fase de Billie, quando sua voz ainda não tinha ficado tão áspera como nos tempos em que gravou pelo selo Verve, de Norman Granz. Os primeiros números, de 1933, são com a banda de Benny Goodman. De 1934 até 1940, quem mais tocou com ela foi Teddy Wilson. Quem tiver curiosidade de ler fichas técnicas, verá que seus instrumentistas eram elite na época: Lester Young, Ben Webster, Buck Clayton, Benny Carter,Benny Goodman, Buster Bailey, Johnny Hodges e Freddie Green.

Dentre as cantoras brancas mais antigas, fora Doris Day, injustamente desvalorizada por ter feito aqueles papéis de virgem, mas genial — Ruy Castro elegeu-a como uma das personalidades do século passado, em “Saudades do Século 20” (Companhia das Letras, 1994), com Billie Holiday, Anita O’Day e Frank Sinatra —, sempre sinto um enorme prazer em ouvir June Christy. Era espetacular.

Das cantoras citadas, tenho vários textos sobre elas no meu blog. Passo aqui os links dos que lembro agora. Um modo fácil de busca é digitar “cantoras”.

Nessa publicação, clique nos títulos para ser direcionado aos textos.

Anita O”Day, Dinah Washington, Helen Forrest: “Mad about the Boy”. (ou: Loucas pela mesma coisa)
Anita O’Day, Billie Holiday: As montanhas moventes de Billie Holiday e Gal Costa
Billie Holiday: A Billie Holiday que eu tinha esquecido
Billie Holiday e George Shearing: Bom dia tristeza. Ou: a melhor das tristezas
Cécile McLorin Salvant é a maior revelação dos últimos anos
Chris Connor: Truman Capote, Chris Connor e os pés de banana
Cyrille Aimée: Tudo é bossa nova com Cyrille Aimée e Diego Figueiredo 
Dee Dee Bridgewater: A face soul de Dee Dee Bridgewater
Dinah Washington: Dinah Washington, a Miss ‘D’
Doris Day: A subestimada e genial Doris Day
Doris Day: O duo perfeito de Doris Day e Andre Previn
Ella Fitzgerald: Ella, a mulher invisível
Irene Kral: O amor por Irene Kral
Jazzmeia Horn: Jazzmeia Horn é a cantora revelação do ano
Julie London: Seu nome é… Julie London
June Christy: June Christy sob o sol da meia-noite
Karrin Allyson: Caixa alta, só Deus
Karrin Allyson: O Brasil de Karrin Allyson
Madeleyne Peyroux: com traje a rigor
Margaret Whiting: A noite enluarada de Ella Fitzgerald, Margaret Whiting e Claude Williamson
Nancy Wilson: Nancy Wilson e o jazz na era rock’n’roll
Patricia Barber: Patricia Barber é o máximo? Há controvérsias
Roberta Gambarini: A classe insuperável de Roberta Gambarini
Sarah Vaughan: Sua majestade, Sarah Vaughan
Stacey Kent: As histórias que Stacey Kent conta
Stacey Kent: A segunda vez de Stacey Kent
Stacey Kent e Roberta Gambarini: Alguém para se ouvir (Roberta Gambarini e Stacey Kent)

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

June Christy sob o sol da meia-noite



Muitos dos episódios marcantes na vida de cada pessoa ligam-se a algum elemento externo. Um acontecimento ou uma cena trazem uma lembrança. Na brevidade de uma canção se concentra alguma emoção. Ela pode ser boa ou má. Um amigo, ex-preso político, uma vez disse que odiava Roberto Carlos. Bem naquela hora tocava no rádio aquela que diz “eu quero ter um milhão de amigos”. Especificamente essa música. Quando colocavam algumas músicas de Roberto, sabíamos que alguém estava sendo torturado”, disse. Felizmente, é mais comum associarmos músicas com momentos positivos.

Não há melhor coisa do que sermos “capturados” desavisadamente por alguma música que toca no aparelho de som de sua casa, no rádio do carro, numa canção que não conhecíamos e se revela num filme qualquer. Se fosse fazer uma lista à maneira de Nick Hornby, escritor de “Alta Fidelidade”, teria que fazer uma contendo mais de três dezenas de músicas. Como são inúmeras e fazerem parte de milhares ouvidas até agora, as lembranças ressurgem quando, desavisadamente, ouço algumas delas. Tinha posto a trilha do filme “Midnight in the Garden of Good and Evil” (“Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal”, direção de Clint Eastwood) e lembrei de uma: “Midnight Sun”, neste cd interpretada por Diana Krall. Lembro que, de tanto gostar — no tempo em que foi-me revelada não existia essa facilidade dos lyrics.com pela internet —, tentei tirar a letra. Travava sempre no terceiro verso. Tinha um “aurora borealis” que não conseguia decifrar. Por associação, por “each star” descobri. Os versos eram verdadeiras imagens com uma sofisticação fonética maravilhosa: Your lips like a red and ruby chalice, warmer than the summer light/ The clouds were like an alabaster palace to a snowy height./ Each star its own aurora borealis, suddenly you held me tight/ I could see the midnight sun. O “red and ruby”, as rimas de “light”, “height”, “tight”, “alabaster” com “snowy”, me faziam ver cores e imagens que evocavam um momento especial: And then your arms miraculously found me, suddenly the sky turned pale,/ I could see the midnight sun. Assim ela viu o sol da meia noite, quando os braços do outro a envolvem, quando o sol esmaeceu.

Lembrei-me que na época estava fanático por uma cantora que tinha sido crooner da orquestra de Stan Kenton, como outras “vozes brancas” de primeira: Anita O’Day e Chris Connor. Havia acabado de conhecer o álbum “Something Cool”, um clássico. Com arranjos do sofisticado Pete Rugolo, é um daqueles discos imprescindíveis em qualquer discoteca de pessoas de bom gosto. Ah, esqueci de dizer seu nome: June Christy.

Vou comentar rapidamente das várias interpretações da música de Lionel Hampton e Sonny Burke, com letras de Johnny Mercer. Ela é tão perfeita que aguenta até desaforo. Cito apenas aquelas que considero e que conheço. Claro que a minha preferida é a de June Christy. Sorry, amiga, vou deixar a de Ella Fitzgerald em segundo lugar. Outra comparável — nela tudo é, no mínimo, quase perfeito — é a de Carmen McRae. Outras intérpretes femininas que conheço — todas boas — são as de Dianne Reeves, Diana Krall, a também canadense Ranee Lee, Abbey Lincoln, Natalie Cole, Carol Sloane, Dee Dee Bridgewater, Jacintha e Nancy Wilson. Ah, estava me esquecendo de Sarah Vaughan. Pensando bem, sorry again, amiga, Ella vai para o terceiro lugar. A de Sarah está no álbum “How Long Has This Been Going on?”, rodeada por um time de feras: Oscar Peterson, Joe Pass, Ray Brown e Louie Bellson. Seu “Midnight Sun” é de ouvir de joelhos. A guitarra de Pass e o piano de Peterson constroem delicadas figuras para a voz superlativa, dramaticamente arrastada de Vaughan.

Das interpretações masculinas, a de Mel Tormé é também superlativa, com sua voz de veludo. Cito uma outra: a de Mark Murphy num medley com “Misty”. Dos conjuntos vocais, a do Singers Unlimited é de primeira.

Ouça a incomparável June Christy:


Ouça a de Sarah Vaughan.







Um dos meus conjuntos vocais preferidos: The Singers Unlimited.



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

John Cheever e Mad About the Boy quente e frio

John Cheever, autor de O Nadador
Agora há pouco tempo, a canadense Alice Munro recebeu o prêmio Nobel de Literatura. Poucos apostavam no seu nome por ser contista, gênero, por muitos, considerado menor. A América do Norte possui um belo plantel de mestres da narrativa curta, como Sherwood Anderson, autor de “Winesburg, Ohio”, e John Cheever, autores que se destacaram retratando a vida americana.

Quando Munro foi agraciada com o Nobel, uma das definições mais comuns a surgir foi a de que era um “Tchekov de saias”. Parece que é uma forma fácil de definir contistas: John Cheever também foi comparado ao russo. Em comum entre a canadense e o americano é o objeto das suas narrativas. O mundo de Munro é o dos habitantes de pequenas cidades e as personagens retratadas são pessoas comuns. O incomum é uma certa pulsão sexual estranha e que chega a ser um tanto bizarra, como a do optometrista encontrado submerso dentro de seu carro em um lago, morto por ter assediado uma paciente.

O universo de Cheever é um tanto diferente do de Munro. O dele é o do morador dos subúrbios e, aparentemente, mais prósperos financeiramente: são em sua maioria, da classe média. Publicando por décadas na The New Yorker, encontrou seu público na revista por identificação socioeconômica. Na previsível e confortável vida desses americanos, em suas narrativas, com frequência, o leitor de depara com algo inusitado. Em “O Enorme Rádio”, o marido presenteia a mulher com um rádio que substitui o antigo que quebrara.

Irene ouvia um quinteto de Mozart. Percebeu um estalido e junto com a música, um som que parecia com o barulho das ondas. Outros ruídos se juntaram e ainda tentou acompanhar a melodia. Imaginou que poderia ser algum problema de estática, muito comuns antigamente. Percebeu um som que pareciam ser dos cabos do elevador, o das portas que se abriam e se fechavam, um barulho de uma aspirador de pó ligado, uma campainha de um telefone.

Um técnico foi verificar se o aparelho tinha algum problema. À noite, Jim Wescott chegou cansado do trabalho. Tomou um banho, trocou de roupa e se juntou a Irene. O rádio tocava um prelúdio de Chopin. Repentinamente é interrompido pela voz de um homem: “Meu Deus, Kathy, você sempre tem de tocar piano quando chego em casa?” A música parou e ouviu-se o bater de uma porta. Ambos ficaram intrigados achando que pudesse ser a transmissão de alguma novela. Girou o botão e ouviram outro diálogo, dessa vez de um casal se aprontando para sair. Irene reconhece uma voz. Era a da babá dos Sweeney, uma vizinha. Ouviu outras vozes e diálogos. O “enorme rádio” transmitia o que acontecia, em tempo real, no prédio. “Irene continuou a girar o botão e invadiu a privacidade de várias mesas durante o café da manhã. Ouviu demonstrações de indigestão, amor carnal, vaidade sem limite, fé e desespero. A vida de Irene era quase tão simples e protegida como parecia ser, e a linguagem direta e às vezes brutal que vinha do alto-falante naquela manhã a surpreendeu e perturbou.” (“28 Contos de John Cheever”. Trad. Jorio Dauster. Companhia das Letras, 2010)

Neddy Merrill é um sujeito, que não sendo tão jovem, mantém um físico esbelto. As pessoas ficam em volta da piscina e passam a tarde ensolarada de um domingo de verão bebendo e conversando. Ocorre-lhe de voltar a sua casa, a treze quilômetros de lá, nadando. Fazendo um percurso em L, pensou, “poderia chegar em casa por uma via aquática”. Passaria pelas residências dos “Graham, os Hammer, os Lear, os Howland e os Crosscup”, em primeiro lugar.

O enredo incomum virou filme. O nadador é Burt Lancaster. Dirigido por Frank Perry, foi lançado em 1968. O conto é de 1964. A história maluca de Neddy resolvendo voltar a nado para casa inspirou um dos melhores filmes de propaganda já feitos da Levis 501. Veja.




O tema musical escolhido foi “Mad About the Boy”, interpretada por Dinah Washington.
Lembraram-se que Dinah era o máximo e que a música composta por Noel Coward na década de 1930, século passado, portanto, também, era o máximo. Existem gravacões com Blossom Dearie, Julie London, Anita O’Day, cantoras nem um pouco obscuras, mas ficou a de Dinah. É a top of mind, o que não é pouco se às três citadas anteriormente, adicionarmos Carmen McRae, Helen Merrill, Jeri Southern e Dinah Shore. “Mad About the Boy”, com Washington é quente, vibrante, como quase tudo dela. Mas, noutro dia, ouvi essa canção na voz de uma inglesa, como Noel, mais “cool”, e achei o máximo. É o que compartilho aqui.

Mad About the Boy “fria”: Liane Carroll




Ouça outras interpretações clássicas.

Com Anita O’Day.




Uma antigona. Helen Forrest..




sexta-feira, 28 de junho de 2013

Morre Bert Stern

Bert Stern é mais conhecido por ter sido o autor das últimas fotos de Marilyn Monroe. Algumas semanas antes da morte da atriz por overdose de drogas, Bert fez milhares de fotos para a revista Vogue. Stern dizia que foi uma “experiência única ter estado com Marilyn Monroe em um quarto de hotel.”

Fotógrafo de profissão, foi ao Newport Jazz Festival “tirar algumas fotos”. Em vez disso, acabou fazendo um documentário. Foi sua única aventura no cinema. Não precisou mais: fez o melhor documentário de jazz da história. Jazz on a Summer’s Day é um clássico. O olhar de fotógrafo capta os músicos, mas, principalmente, o público, cenas de Newport em um belo dia de verão. Pena que não esteja disponível no youtube. Mas alguns trechos estão. Há uma performance inesquecível de Anita O’Day. Veja.




Veja o trailer do documentário e um pedacinho da apresentação de Thelonious Monk.




A abertura do filme. É uma maravilha, com fundo musical de Jimmy Giuffre.




Louis Armstrong.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

As montanhas moventes de Billie Holiday e de Gal Costa

Gal Costa, Billie Holiday e as flores
Mover montanhas, o inamovível. “Inamovível” porque não existe “imovível”. Esta palavra seria um neologismo, como a expressão “imexível”. Por que não serem agregadas à língua portuguesa? Apesar de “inamovível” possuir um sentido levemente diferente, significa sim, “o que não se pode mover”, ou melhor, “que não pode ser removido”, segundo o Aurélio.

Pois, se alguém diz que moverá montanhas, esse alguém dirá que a chamam de louca. Verdade. E montanhas não são “moventes” pois elas, por si, não se movem. Podem ser removidas, mas quando canta “eu moverei montanhas/ Sei mover montanhas/ Se ele assim quiser moverei”, promete o impossível, assim como quando diz “eu andarei no fogo/ Sei andar no fogo/ Se ele assim quiser andarei”. Sim, diz que é louca, “louca de amor eu serei”. Mas não se diz que o amor não conhece limites?

Crazy He Calls Me é de autoria de Carl Sigman (música) e Bob Russell (letras). Foi composta na metade final da década de 1940. O registro mais antigo que conheço é o de Billie Holiday. Gravada em 21 de novembro de 1949, o arranjo é de Gordon Jenkins. Logo que foi contratada pela Decca, os arranjos de orquestra ficaram a cargo de Toots Camarata, músico da casa. Mas isso foi em 1944. Nos registros de 1949 a coisa melhorou bem. Além de Jenkins, outro bambambã – Sy Oliver – foram os arranjadores.

Poeta e ensaísta, Augusto de Campos, tradutor de Stephane Mallarmé, Paul Valéry, W.B. Yeats, John Keats e e.e. cummings, tem seu nome ligado à música popular brasileira pelo poema de John Donne – Elegie: Going to Bed –, intitulada, simplesmente, Elegia, musicada por Péricles Cavalcanti e cantada por Caetano Veloso, e por duas “versões” (em vez de “tradução”, é o que se usa normalmente, se bem que não cabe bem a Augusto de Campos) que foram lançadas em Caras e Bocas (1977), álbum de Gal. Esse disco é posterior ao primoroso Cantar (1976).

Apenas para completar: Augusto de Campos é autor de Balanço da Bossa e Outras Bossas (Perspectiva), uma publicação capital para se entender o período da MPB dos anos 1960 e 70.

Solitude, clássico de Duke Ellington, não teve o título vertido para o português, dada a força da palavra no original. Na versão original, vários versos são rimados, como em “Dear Lord above/ Send back my love”, ou “I sit in my chair/ And filled with despair/ There’s no one could be so sad”. É quase impossível uma tradução repetindo certas rimas. O brasileiro chega perto nos versos: “Eu sento e espero/ E me desepero”.

Transcrevo a letra de Augusto de Campos: “Eu moverei montanhas/ Sei mover montanhas/ Se ele assim quiser moverei/ Louca me chamam/ 
Sim, sou louca/ Louca de amor eu sei/ Eu andarei no fogo/ Sei andar no fogo/ Se ele assim quiser andarei/ Louca me chamam/ Sim, sou louca/ Louca de amor serei/ Como o ar que move a palha/ E abala o seu olhar/ A música eu sei cantar/ A mágica eu posso lhe ensinar/ Eu te darei pra sempre/ 
Digo para sempre/ Te darei a chave do céu/ Louca me chamam/ Sim, sou louca/ Louca de amor serei.”

Ouça Louca Me Chamam na bela interpretação de Gal.




Interpretações no original

Grande Anita O’Day! Cantava muito.



Uma interpretação que não fica devendo à de ninguém é a de Dinah Washington. É de 1954 e tem um lineup de primeira: Herb Geller no sax alto, Richie Powell no piano; George Morrow no baixo e Max Roach na bateria. A gravação é de 1954.



Billie Holiday.