Em um universo em que a grande estrela é Diana Krall, há um número enorme de intérpretes do gênero feminino em todos os hemisférios. Temos boas cantoras no Japão, nos países escandinavos, em toda a Europa, mas encontram-se em maior número nos Estados Unidos por uma tradição em que despontaram Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Carmen McRae, Dinah Washington, Stacey Kent, Anita O’Day e uma infinidade de outras de primeiríssima categoria. Acaba sendo o país que acolhe cantoras que almejam atingir um público maior, como as europeias Cyrille Aimée e Roberta Gambarini.
Dentro do imaginário, principalmente do masculino, mulheres são sereias de vozes irresistíveis. Essa é a “magia”. Se forem belas, mais ainda. É um predicado do qual muito bem se aproveitam as que o possuem. Basta observar as capas de álbuns de Diana Krall e de Eliane Elias. Não é uma adoração exclusivamente masculina. As mulheres também gostam. A canadense é o melhor exemplo. Mas ela e Elias não estão sós. Uma intérprete que poderia ser boa “concorrente” teria sido Karrin Allyson caso fosse melhor “vendida” como uma bela garota sensual. E vamos combinar: todas estão com mais de 40, algumas bem mais, como Eliane Elias.
Outra coisa em comum dentre as cantoras atuais é a inclusão em seus repertórios de músicas do cancioneiro popular brasileiro. E não se restringem ao óbvio de escolherem músicas de Antônio Carlos Jobim ou Luiz Bonfá. Dentre os eleitos estão Ivan Lins, Djavan, Marcos Valle e Dori Caymmi.
Além de Stacey Kent, Karrin é o destaque. No primeiro álbum da Concord – I Didn’t Know About You (1993) – há uma interpretação bem interessante em que Insensatez tem uma introdução com o Prelúdio no. 4, de Chopin. Em Sweet Home Cookin’ (1993), canta Samba de Uma Nota Só. Em Collage (1996), incluiu Faltando Um Pedaço, de Djavan, escolha nem um pouco habitual. Em Daydream (1996), as escolhas são mais comuns: Só Danço Samba e Corcovado. Em outro álbum, From Paris to Rio (1999), obviamente, são vários os temas brasileiros: Samba Saravah, O Pato, O Barquinho, Coração Vagabundo, Inútil Paisagem, Ária das Bachianas Brasileiras no.5, e Catavento e Girassol. Esta última é de Aldir Blanc e Guinga, item que deve ser pouco conhecido fora daqui.
Ouça Catavento e Girassol.
Depois de Wild for You (2004), em que privilegia temas mais recentes como Wild World (Cat Stevens), All I Want (Joni Mitchell), Don’t Let Me Be Lonely Tonight (James Taylor), The First Time Ever I Saw Your Face (Ewan McColl) e Sorry Seems to Be the Hardest Word (Elton John e Benny Maupin), dentre outros, e Footprints (2006), em que são acrescidas letras em temas do jazz como Jordu, Footprints e Con Alma, Allyson voltou à música brasileira em Imagina: Songs of Brasil. São 14 canções. Apesar de privilegiar composições de Antônio Carlos Jobim, o repertório inclui temas menos conhecidos, como Correnteza, Medo de Amar, Estrada Branca, Imagina e Estrada do Sol. De outros compositores, temos Outono, de Rosa Passos, É com Esse Que Eu Vou, de Pedro Caetano, e a genial Pra Dizer Adeus, de Edu Lobo e Torquato Neto. É essa que vamos ouvir.
Ouça também Só Tinha Que Ser com Você.

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