Na única vez em que tive oportunidade de ver Romero Lubambo tocando foi quando apresentou-se com Dianne Reeves no Bourbon Street. Não tem nada de estranho um brasileiro tocando com a cantora. Para quem não sabe, Dianne começou fazendo vocais na banda de Sergio Mendes. Romero é um sujeito simpático, expansivo, e sua forma de tocar tem a ver com isso.
Lubambo estudou música na adolescência, mas na hora do “vâmu vê”, foi cursar engenharia na PUC-Rio. Mas a música deve ter falado mais alto. Tomou coragem e foi tentar conquistar a América. Está lá desde 1985, ou seja, há quase trinta anos. Mas o Brasil, como aquela maldosa piada de que os nordestinos saem de lá, mas o nordeste não sai deles, Romero não traiu suas raízes.
Com Nilson da Matta e Duduka da Fonseca, todos com pés firmemente ficados em solo americano, formam o Trio da Paz. Romero tem parcerias importantes com Yo-Yo Ma e o cubano Paquito D’Rivera, aliás, homenageado em “Paquito en Bremen”, em seu álbum mais recente, do qual passo a falar daqui por diante: “Só: Brazilian Essence”.
Romero é um músico requisitado; além de Reeves, tocou com Michael Brecker, Jane Monheit, dentre outros, e é participante frequente quando brasileiros como Ivan Lins, Leny Andrade e Luciana Souza gravam ou apresentam-se além das nossas 200 milhas.
Contamos com ótimos violonistas locais como Marco Pereira, João Rabello, Rogério Caetano e Yamandu Costa, que poderiam muito bem estarem se destacando fora do Brasil. Outros, como Laurindo de Almeida, Los Indios Tabajaras (Natalício e Antenor Lima), Luiz Bonfá, Baden Powell, Oscar Castro-Neves, Carlos Barbosa-Lima, os irmãos Assad… bom, acho que estou esquecendo de alguns, mas, realmente, é um contingente bem grande, preferiram emigrar.
Não faltam clássicos da bossa nova na incursão solitária de Lubambo. Suas escolhas recaem em um belo“Insensatez”, “Brigas Nunca Mais”, “A Felicidade” (Jobim), e dois originais de Carlos Lyra (“Você e Eu” e “Coisa Mais Linda”). Completam a sua incursão solitária a óbvia “Aquarela do Brasil”, “Paquito in Bremen”, “Pedra Bonita”, de Mario Adnet, “Song for Kaya”, “Luísa”, “Samambaia”, “By the Stream” e “Laura”. O “só” do título é bom, porque é um álbum solo. O único momento em que está acompanhado, é com ele mesmo. Em “Coisa Mais Linda” é seu violão e ele cantando. E não é que nesse quesito, o rapaz se dá bem? Poderia até gravar um com violão e voz. Seria melhor que Eliane Elias, desculpe a ousadia de não gostar dela como cantora.
Pelo sobrenome, é possível desconfiar. Quem se lembra dos Brecker Brothers? Como muitos músicos da geração deles, os irmãos Randy e Michael, montaram uma banda jazz-rock, gênero que permeou o gosto de muitos dos adolescentes nas décadas de 1960 e 70. Não foi diferente com eles. Poderiam gostar de jazz, mas era impossível resistir à força avassaladora do rock, do funk, da soul music e do rhythm’n’blues. Ambos participaram de gravações de James Taylor, Steely Dan, Frank Zappa, Dire Straits e Paul Simon.
Michael Brecker se tornou um dos mais aclamados sax tenoristas no jazz. Passou bem pela fase fusion, como passaram Miles Davis, Chick Corea e Herbie Hancock. Esteve sempre entre os da primeira linha da música instrumental. Em 2004 descobriu que tinha leucemia. Continuou tocando até pouco antes de morrer, em 2007. Formou-se uma verdadeira corrente entre os que o ajudaram em sua luta contra o câncer.
Randy, o irmão, está vivo, no entanto, hoje, não se fala muito dele, mas continua na ativa e ainda é considerado um dos melhores no trompete e no flugelhorn. Foi parceiro musical e na vida de Eliane Elias. Dessa união nasceu Amanda, homenageada por um disco com o mesmo nome, lançado em 1985.
Pois Amanda cresceu e resolveu seguir a carreira dos pais como cantora. Lançou três discos. O primeiro, Here I Am, saiu pelo selo japonês Bird Records, em 2008. Levou vários prêmios, todos por lá. Sucesso localizado. Uma das canções do CD virou tema de programa de TV, o que, como no Brasil virar tema de novela, resultou em boa notoriedade. O segundo, Brazilian Passion (2009), foi lançado também no Japão. É um disco mezzo Brasil, mezzo americano. Claro que, filha de Elias, canta em português perfeito.
Ouça Amanda em dueto com Ivan Lins em Lembra de Mim.
Deixou a Bird e assinou pela Universal Music japonesa e passou a fazer parte do cast da Decca Records. Lançou Blossom com repertório dedicado à Carole King e a James Taylor. É bem agradável. Não vou falar nem bem nem mal. Digo só que Amanda é bela, tem pais famosos e é afinada. É um bom começo, não? Fora isso, tem o guitarrista Anthony Wilson e o tecladista Larry Goldings participando.
Ouça Amanda cantando It’s Too Late.
A minha preferida é (You Make Me Feel Like) A Natural Woman. Confira. Bom, não vá tentar comparar com a de Aretha Franklin.
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Elias e Johnson, parceiros na vida real e na artística
É a segunda vez que volto a comentar sobre um texto acerca de Eliane Elias que postei no site do Luis Nassif (http://bit.ly/hoNDcK) falando mal dela como cantora. Em uma crítica ácida, Antonio Augusto Gonçalves (http://bit.ly/RrLxGU), de O Estado de S. Paulo, “desceu a lenha” no CD Light My Fire, da pianista/cantora.
Um tal “Sklogw” – engraçado essas pessoas que se apelidam na internet – disse “Esse cara não entende nada de jazz. A Eliane Elias é uma grande pianista e uma espetacular cantora, com um timbre delicioso, uma técnica apurada e um suingue único. Atributos, aliás, que compartilha com a não menos ótima Diana Krall.” Alberto Manoel Ruschel Filho disse: “Vai um pedido aí, Gwen [sic]: Deixa a Eliane cantar! Deixa ela tocar! Ouça sem mal-humor, relaxe e goze. E mais, deixe as pessoas ouvirem. Cada ouvido “vê’ o que quer, né?” A senhora Dulce proferiu: “‘Cabe aqui indagar por que resolveu cantar. Só porque é afinada?” É dose...ler uma crítica nestes termos. Só ??? É condição NÚMERO UM para alguém abrir a boca, e cantar, em público. ‘É, porém, bem superior com as mãos.’ Ora, desde quando alguém tem direito de limitar os talentos alheios, só porque um deles é de qualidade excepcional? Me poupe, "Só"!!!! Teve um pior que, mal escondendo sua verve preconceituosa – assina-se como Jairo99z9 –, resolveu falar mal de Ryuichi Sakamoto: “Nassif. Tocar piano como ela toca autoriza, a linda Eliane, a fazer o que bem entender!! O equívoco é do Sakamoto!” Bom, se ele acha Sakamoto um equívoco, acho que ele deve tentar conhecer um pouco mais de música. São comentários que desceram fervendo pela minha garganta. Críticas, tudo bem; não imagino que, algum dia, consiga digerir melhor agressões que são proferidas sem que, ao menos, se conheça o “agredido”. E é o que mais existe na internet: agressões gratuitas e “anônimas”.
Bom, como “vingança”, transcrevo o que Zuza Homem de Mello, o Mestre Zuza, disse, em entrevista publicada em 1º de setembro de 2012, a Roberto Muggiati: Eliane Elias é uma boa pianista que tenta cantar.”
Agora posso falar da parte do que acho boa na Eliane Elias: que boa pianista é, e como o CD Swept Away é bom! É o álbum que acaba de ser lançado pela ECM, em parceria com o maridão Marc Johnson. Sem que seja insulto, grande dívida têm os dois têm a Bill Evans. Marc tocou muito tempo com o pianista e aprendeu tudo com alguém que teve o gênio de Scott LaFaro como baixista. A maior influência de Elias é Evans e é o que se percebe claramente nesse disco. Tinha lançado, em 2008, um álbum em homenagem ao mestre: Something For You: Eliane Elias Sings & Plays Bill Evans.
Marc Johnson tem poucos discos como frontman, mas os tem gravado pela ECM, um selo de prestígio. Seu disco anterior – Shades of Jade – é de 2004, muito bom (provavelmente há uma referência a LaFaro, autor de uma composição chamada Jade Visions, da época em que tocava com Bill Evans). Morreu cedo. Tinha pouco mais de 25 anos. Dez dias depois de ter gravado um dos melhores discos de jazz ao vivo de todos os tempos (Sunday at the Village Vanguard, 1961), acompanhando Evans, faleceu em um acidente automobilístico.
Swept Away vem assinado por Marc e Eliane. Ela tinha participado de Shades of Jade também, mas sem o destaque do mais recente. Johnson é um melodista. Tanto suas composições, como seu contrabaixo, “cantam”. Os dois são acompanhados pelo baterista Joey Baron e o fenomenal Joe Lovano, que participa de algumas faixas. O saxofonista é um polivalente ubíquo. Apesar dos anos de estrada, passou a gravar como frontman um tanto tarde. Não era mais um adolescente. Depois, gravou e grava muito. Nesse disco se faz de sideman mesmo. O disco é de Elias e Johnson.
A faixa título – Swept Away —, que abre o disco, dá o tom do resto. Depois de ouvir algumas vezes, que beleza! Se o casamento real vai tão bem o quanto se entendem musicalmente, deve ir muito bem.
O CD tende ao lento. A mais “agitada” é One Thousand and One Night, a terceira. Curiosamente, é a que menos lembra Bill Evans; se você estiver distraído, vai achar que é Keith Jarrett tocando. Atenção: isso não quer dizer que esteja falando mal de Eliane. Reitero: como disse Mestre Zuza, é boa pianista. E é um alívio, pelo menos para mim, quando não canta. Fico com sentimentos divididos: não sei se curto seu piano ou me incomodo quando canta. Porém, só no piano, me encanto com seus belos acordes “à la Evans”, angulosos, plenos de beleza e poesia. Que delicadeza!
Swept Away é um álbum de composições dos dois, com exceção de Shenandoah, um daqueles clássicos americanos sem autoria, solo de Johnson que fecha o CD. São cinco temas de Elias (Swept Away, It’s Time, One Thousand and One Night, B for Butterfly e Moments), três de Johnson (When the Sun Comes Up, Midnight Blue e Foujita), e duas dos dois (Sirens of Titans e Inside Her Old Music Box). Vista pelo conjunto, é uma seleção impecável. É para se ouvir com prazer. A minha preferida, por enquanto, além de Shenandoah, é Foujita, composta em homenagem ao pintor Tsuguhara Foujita, japonês de nascimento que emigrou para a França. Um fato, interessante para nós brasileiros, é que morou no Rio de Janeiro de 1931 a 32.
Ouça Foujita.
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Luis Nassif, em 1º de fevereiro de 2010, publicou em seu blogue brasilianas meu post “O equívoco de Eliane Elias” (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-equivoco-de-eliane-elias). Várias pessoas se manifestaram nos comentários, na maioria, negativamente. Em outro post – O balanço irresistível de Gilberto Gil e Eliane Elias –, peguei mais leve. Continuo não achando que o que disse no primeiro post tão ofensivo. Curiosamente, saiu uma crítica ao CD Light My Fire (Universal), de Elias, de Antonio Gonçalves Filho (OESP, 14/1/2011), um tanto negativa, que confirma algumas impressões registradas no meu primeiro post.
Antes de reproduzi-lo, cito alguns comentários dos leitores do Nassif.
Um que considero ser uma confirmação do que digo é a de ‘GalileoGalilei”: “Curiosamente eu achava, já no histórico álbum Eliane Elias Plays Jobim, Eliane grava a faixa Por Causa de Você de dois modos: uma instrumental, sublime e a outra, francamente, desnecessária, acompanhada por voz.”
A maioria, no entanto, foi negativa:
• Um tal “Sklogw” disse “Esse cara não entende nada de jazz. A Eliane Elias é uma grande pianista e uma espetacular cantora, com um timbre delicioso, uma técnica apurada e um suingue único. Atributos, aliás, que compartilha com a não menos ótima Diana Krall.”
• De Alberto Manoel Ruschel Filho: “Vai um pedido aí, Gwen: Deixa a Eliane cantar! Deixa ela tocar! Ouça sem mal-humor, relaxe e goze. E mais, deixe as pessoas ouvirem. Cada ouvido "vê" o que quer, né?
• Dulce: “‘Cabe aqui indagar por que resolveu cantar. Só porque é afinada?” É dose...ler uma crítica nestes termos. Só ??? É condição NÚMERO UM para alguém abrir a boca, e cantar, em público. ‘É, porém, bem superior com as mãos.’ Ora, desde quando alguém tem direito de limitar os talentos alheios, só porque um deles é de qualidade excepcional? Me poupe, "Só"!!!!
Uma foi bem preconceituosa, dirigindo-se à minha origem (deve achar que sou japonês): “Nassif. Tocar piano como ela toca autoriza, a linda Eliane, a fazer o que bem entender!! O equívoco é do Sakamoto!” Esse assinou como Jairog99z9.” Bom, se ele acha Ryuichi Sakamoto um equívoco, acho que ele deve ouvir uma pouco mais de música.
Lançado no ano passado nos EUA, Light My Fire recebeu críticas positivas nos principais jornais (The New York Times) e revistas (Down Beat). No entanto, a expectativa dos críticos norte-americanos parecia mesmo a de ter um disco para ouvir no verão, como sugere a Down Beat. Light My Fire é justamente isso. Faltou um produtor para que o CD da cantora e pianista Eliane Elias resistisse além de uma temporada. O primeiro impedimento à perenidade é o repertório incoerente. As composições são inconciliáveis. Chamar Gil para um dueto em Aquele Abraço e programar como faixa seguinte Light My Fire, megahit de Jim Morrison, é uma inconsequência, agravada pelo cover dianakralliano e o arranjo bossanovista. A incômoda proximidade com Diana Krall (também boa pianista e cantora, como Eliane Elias) não se limita à emulação do estilo musical. As roupas e os cabelos cuidadosamente despenteados são os mesmos. Mais uma vez: falta um produtor num disco que tem instrumentistas como Romero Lubambo e músicos que são também ótimos arranjadores (Oscar Castro-Neves). É frustrante a tentativa de recriar a clássica Take Five com um vocalise na linha de Gary McFarland, trocando as invenções do piano de Brubeck pelo baixo do marido Marc Johnson e o trompete de Randy Brecker. Uma diluição da verve experimental do compositor Paul Desmond. Além disso, que falta faz Teo Macero.
O amigo Alberico Cilento teve aula com Eliane Elias e gosta muito dela e gosta de sua voz, apesar de considerá-la “straight”. Falei um pouco mal dela, como crítica. Para quem não “gosta” dela, até que estou bem, comparado a alguns de seus admiradores: tenho 12 CDs de Elias.
Vamos ouvir um interessante Oye Como Va (é de Tito Puente, mas as gerações novas devem conhecê-la na interpretação de Santana), cantado em português e em inglês, meio mambo, meio samba, com direito ao refrão “Laia ladaia sabatana ave-maria”. Está no CD Around the City (Bluebird, 2011)
Em texto de 1º de fevereiro de 2011 falei mal de Eliane Elias (9http://bit.ly/nU8rWb). O título era “O equívoco de Eliane Elias”. Quem cometeu o equívoco fui eu. Primeiro: falei mal de uma brasileira. A xenofobia mal-resolvida suporta que apenas se falel de conterrâneos. Relato um incidente para, de certo modo, exemplificar de como isso sucede.
No fim dos anos 1970, aconteceu um grande evento artístico em Campinas, SP. Era um Salão de Artes Plásticas, como acontecia antigamente (havia, naquele tempo, em São Paulo – superprestigiado –, em Santos, Ribeirão Preto, Araraquara e em outras cidades paulistas menos importantes). Diversas atividades foram programadas pela cidade e, até uma apresentação da orquestra sinfônica, regida por Benito Juarez e shows de música popular em vários logradouros. Foi uma bela festa em um sábado ensolarado. À noite, no Museu de Arte Contemporânea aconteceu um debate em que estavam presentes Jean Boghici, conhecido marchand do Rio, Rubens Gerchman, o crítico Roberto Pontual e José Resende. Boghici e Gerchman usavam écharpe, apesar do calor; senti certa afetação, mas ok, o debate foi de alto nível. Numa certa hora, ocorreu a alguém tocar no assunto “provincianismo”. Foi a conta: o operador dos equipamentos – projetores de slides (há gente que nem sabe mais o que é isso), microfones etc. –, que estava apenas lá por acaso, começou a falar em altos brados dizendo que Campinas era uma grande cidade, tinha grandes artistas… algo assim. Deixou todos estupefatos pela reação destemperada. Bom, não tinha mais clima. Em minutos o debate se encerrou.
A segunda razão das reações ao texto – algumas bem grosseiras, como sói acontecer em comentários de pessoas que se escondem sob nomes e pseudônimos – foi a de eu ter dito que ela deveria mais tocar piano e cantar menos. Critiquei também essa coisa de se vender a imagem de “languidez”, a meu ver, decorrente do sucesso de Diana Krall. Elias não foi a única e também é coisa que vem de longe; não aconteceu com Sarah Vaughan, por exemplo, mas se era uma Lena Horne, algo além da voz era valorizada. Natural que aconteça essa “exploração”.
Por gosto, prefiro vozes nuançadas como as de Stacey Kent e Roberta Gambarini, as minhas preferidas atuais. Acho Jane Monheit perfeita, mas um pouco chata, e não me apetecem intérpretes que cantam mais “straight”, que é o caso de Elias. Vai, no entanto, uma grande distância em achá-las ruins. E é aí que está o ponto: podem sim, ser bem agradáveis de ouvir. Como parcial ato de remissão digo uma coisa: gostei muito de seu CD Light My Fire (Blue Note, 2011). Agora notei: que belos lábios! Que bela foto! Lânguida como sempre e, que título sugestivo! Elias é, agradavelmente, “warm”. Bela Rosa Morena abre o disco, cheia de balanço, batida brasileiríssima, mas a voz é pequena, afinada, no entanto. Mas é com um suave Aquele Abraço – terceira – que se acende, balançado, com Gilberto Gil, seu autor, dividindo os vocais. Depois da cirurgia, sua voz ficou um pouco mais rouca mas como o Rio de Janeiro, “continua linda”.
Uma guitarra distorcida, notas do baixo e da bateria abrem a música-título numa batida morna e sensual. Não é Jose Feliciano e nem incendiária como quando cantada por Jim Morrison. Breve e belo solo de Elias; a guitarra de Ross Traut geme. Em Isto Aqui, o Que É?, de Ary Barroso, soa intimista no violão e no tamborim. “Esquenta” com o piano – no “jeito nas ‘cadeira’ que ela sabe dar. Dá um pouco de saudades de João Gilberto. E por aí vai, em alternâncias “sambísticas” e clássicos pop (My Chérie Amour, de Stevie Wonder) e jazzísticos (Take Five, clássico de Desmond e Brubeck). Aliás, que belo Take Five, com o trumpete do ex-marido Randy Brecker. Confira.