quinta-feira, 2 de junho de 2016

Tomeka Reid e seu violoncelo

Em um post de algumas semanas, escrevi sobre o álbum de Akua Dixon, lançado em 2015. Outra violoncelsta que merece alguns comentários é Tomeka Reid. Ligada à cena jazzística de Chicago, cidade para a qual mudou-se em 2000, naturalmente, pendeu para uma música mais associada ao avant garde. Tocou com Anthony Braxton, Roscoe Mitchell, Jason Adasiecwicz e, recentemente, participou da Intergalactic Beings, da flautista Nicole Mitchell e sua Black Earth Ensemble, em 2014.

Perto de completar 40 anos, Tomeka Reid Quartet é seu primeiro disco como líder. Vem acompanhada de uma banda de primeira, a começar por Mary Halvorson, a grande sensação da nova geração de guitarristas, junto com Julian Lage. O quarteto é completado pelo contrabaixista Jason Roebke e o baterista Tomas Fujiwara. São todos músicos de primeira.

Não tinha ouvido falar de Tomeka até vê-la tocando com a cantora Dee Alexander em um festival de jazz. A partir desse momento, passei a prestar atenção.

Veja Reid tocando com Dee Alexander no festival de jazz que aconteceu em São Paulo e Rio de Janeiro em 2010.




Veja Reid, no mesmo festival, com Dee cantando C U on the Other Side.




Ouça The Lone Wait, um dos destaques de Tomeka Reid Quartet.




Ouça Glasslight, que faz parte do disco, em uma apresentação em Chicago.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Wanda Sá Tipo Exportação

A jovem promessa Wanda de Sah
Uma cantora brasileira que poderia ter feito um tremendo sucesso nos Estados Unidos: Wanda Sá. Dona de uma voz suave e tremendamente agradável, perfeita para o “novo ritmo brasileiro”, a bossa nova, que caiu no gosto do americano, Wanda cantava muito bem em inglês.

No Brasil, seu disco Wanda Vagamente, produzido por Roberto Menescal, de 1964, é hoje considerado um dos grandes clássicos da bossa nova. Sergio Mendes, prestigiado pianista de jazz em terras cariocas, foi um dos brasileiros que resolveu aventurar-se em terras americanas. Seu trio, com Sebastião Neto e Chico Batera, e as participações especiais de Bud Shank no saxofone alto e flauta, e a fluminense Rosinha de Valença no violão, e Wanda nos vocais, lançou Brasil ’66. A chamada na capa era ótima: “The greatest new south american arrival since coffee!” Deve ter funcionado. Mendes consolidou uma carreira respeitável, mesmo que alguns brasileiros possam torcer um pouco os narizes pelo tipo de “som exportação” criado por ele. Para Wanda Sá, com destaque na capa, grafada “Wanda de Sah”, também foi bom: a Capitol Records a convidou para gravar Softly!, álbum com arranjos de Jack Marshall.

Mas como a vida vai por caminhos que nós construimos, Wanda casou com Edu Lobo e resolveu cuidar mais dos filhos e menos da carreira. Findo o casamento, em 1982, resolveu voltar. Prestou vestibular e foi cursar Sociologia na PUC-Rio. Em outra mudança de vida, virou evangélica (gravou até um disco chamado Jesusmania), o que não foi impeditivo de resgatar a antiga carreira de cantora. Desde então, tem gravado regularmente, na maioria das vezes, em companhia de seu antigo mentor Roberto Menescal. A voz continua bonita e delicada. Pode ter perdido um pouco o bonde da história. Tivesse continuado com a carreira nos EUA, quem sabe, teria ficado mais famosa que Astrud Gilberto.

Óbvio que o destaque de Brasil ’66 é Wanda. Seu nome é o que está em corpo maior do que o de Sérgio. Assim mesmo, o álbum é bem distribuído em termos de protagonismo. Dois temas – Muito à Vontade, de João Donato, e Favela, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes – são executados em formato trio, o violão de Rosinha de Valença ganham destaque em Consolação e Tristeza em Mim, enquanto Bud Shank brilha na flauta em Ela é Carioca, com Rosinha junto, e em Aquarius.


Ouça Deixa, de Baden Powell e Vinícius de Moraes.



Belíssima a voz de Wanda em mais uma composição de Baden: Berimbau. O sax é de Bud Shank.



Uma das melhores: Reza, de Edu Lobo. O violão é de Rosinha de Valença.




Mais Wanda Sá em: Wanda Sá com seus amigos