Por que ninguém tinha pensado nisso. John Paul Jones, além de baixista, incumbia-se dos teclados, muitas vezes o órgão. Mas o som do Led Zeppelin sempre foi baseado mais na guitarra de Jimmi Page e nos vocais de Robert Plant e na potência sonora da bateria de John Bonham. Jones era o quarto membro.
Leclare Stevenson, Teddy Presberg e Kyle Honeycut, de St. Louis, do Resistance Organ Trio, em 2012, resolveram, com o acréscimo de Adam Hucke no trompete e Ben Reece no saxofone, gravar um álbum com o repertório da banda inglesa. A princípio, o que poderia dar errado, o som do Led sem vocais, pelo contrário, deu muito certo.
The Resistance Organ Trio não deve ser muito conhecido além das fronteiras de St. Louis. Em uma olhada nos sites de busca, quase não existem informações. Quase inexplicável se se considerar a qualidade desse álbum. Não existe um site da banda e nem do organista. Algumas faixas são muito boas. Na minha opinião, os destaques são Immigrant Song, a que abre o álbum, Living Loving Maid, All of My Love, Babe e I’m Gonna Leave You.
Confira, que vale a pena. É possível fazer um download pago no site de Presberg, o guitarrista. Vai lá: http://music.teddypresberg.com/album/the-resistance-organ-trio-does-zeppelin
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Led Zeppelin só para os fanáticos
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| Led Zeppelin, com Jimmy Page em primeiro plano |
Os mais fanáticos devem estar comprando as edições de luxo porque não querem perder nada do que está relacionado à banda. Os novos fãs têm a oportunidade de curti-los em versões remixadas e, de quebra, contendo faixas alternativas ou inéditas. Portanto, é provável que tenha boas vendas. Se bem que, a venda de álbuns físicos está tão baixa que neste ano ninguém vai ganhar disco de platina, que nos EUA equivale a venda de 1 milhão de cópias.
Por enquanto, o mais recente é Houses of the Holy. Estou esperando o lançamento de Phisical Graffitti, o meu preferido dentre os preferidos.
Ouça a versão estendida de The Song Remains the Same, que está no segundo CD. O primeiro é igual e remixado.
Do IV, ouça a versão de Going to California sem os vocais.
Do III, ouça Bathroom Sound, conhecida como Out on the Tiles.
Do II, ouça um rough mix de Heartbreaker.
Se você sentiu falta da voz de Robert Plant em algumas das faixas apresentadas, pegue a letra na Internet e faça o seu cover do inglês. Coragem!
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Chá para um ou para dois? O de Robert Plant é para um
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| Doris Day e Robert Plant |
A letra de Caesar é a narração de um momento ideal do amor, o chá para dois e “nós dois com chá”. Refere-se àquelas horas em que se vive o amor sem que os amigos ou um parente possam estragá-lo, sem um telefone a atrapalhar o idílio. O chá para dois é o momento só dos dois.
O chá para uma pessoa, ao contrário, celebra a solidão, o tédio, distância e saudade: “Como é que vinte e quatro horas,/ baby, às vezes, parecem dias/ Oh, vinte e quatro horas/ Baby, às vezes, parecem dias/ Quando um minuto parece durar toda a vida.”
Tea for One é a última faixa de Presence, o sétimo álbum do Led Zeppelin. Como a banda andou “falada” nos últimos dias por conta do lançamento do DVD e exibição nos cinemas de Celebration Day, o último show deles, e Robert Plant se apresentou no Brasil, fiquei ouvindo o Zeppelin nesses dias em que andei aprisionado no trânsito paulistano. Quando ouvi esse blues, lembrei-me que tinha esquecido dele; e é tão bom quanto Since I’ve Been Loving You.
Agora, é ouvir (e ver) Tea for One.
E, que tal matar as saudades do Led Zeppelin ouvindo Since I’ve Been Loving You?
Doris Day. Em Saudades do Século 20 (Companhia das Letras, 1994), de Ruy Castro, Doris é um dos treze gênios do século passado. Não é pouco. Ouça Tea for Two, por Doris. Outro dia, “mataram” o arquiteto Oscar Niemeyer (sábado, 10 denovembro). Doris (nasceu em 1922) está vivinha da silva.
Nat “King” Cole interpreta Tea for Two. Essa é daquelas que não se pode perder. Maravilha pura.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Stairway to the Stars e a história de uma escada
Duas coisas sobre Stairway to Heaven
1. Em uma comédia dos anos 1990 – não vou lembrar agora, mas desconfio que tenha sido Wayne’s World – um dos protagonistas entra numa loja de instrumentos musicais. Pega uma guitarra para testá-la. Quando vai tocar, vê uma placa com os dizeres: “No Stairway to Heaven”. Guardadas as proporções, era como no Brasil há tempos. Onde havia um violão, alguém chegava e dedilhava Garota de Ipanema ou Chega de Saudade. Stairway to Heaven virou uma praga. Era a música que qualquer pretendente a guitarrista tocava, era a que todas as estações de rádio executavam, até as bregas. O excesso foi tão grande que nem Jimmy Page e Robert Plant aguentavam mais. Nunca mais a interpretaram em shows.
2. Em razão da vinda de Paris de uma amiga e seu marido a São Paulo, convidei algumas pessoas para um jantar na minha casa. Devíamos estar em umas quinze. Terminado o jantar, foram “obrigados” a participar da minha sessão “novidades musicais/cinematográficas”. Possuia, naquela época, vários Laserdiscs, considerado uma evolução das antigas fitas em VHS. Acabou não pegando e foi logo substituído pelos DVDs, de melhor qualidade de imagem e muito mais práticos. Os DVDs tinham capacidade de armazenar, no máximo 60 minutos em cada face de um discão pesado de 30 cm de diâmetro, enquanto um DVD tinha apenas 12 cm e comportava mais de duas horas de gravação. Possuir um aparelho de Laserdisc era coisa para poucos. Cada um custava algo próximo de 5 vezes do preço de um DVD atualmente. Cheguei a ter mais de 100 – hoje, não valem um tostão. Tinha filmes, shows musicais, apresentações de jazz, música clássica e óperas. A “atração” principal para os amigos, por muito tempo, foi o show Pulse, do Pink Floyd. Demorou anos para ser disponibilizado em DVD (saiu só em 2006), acho que, por conta de problemas contratuais com Roger Waters, que havia saído da banda, portanto era coisa de acesso para uns poucos. Está acontecendo a mesma coisa, agora, para sua versão ser lançada em blu-ray, creio. Nem anunciado está.
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| Esther Williams, bela até debaixo d’água |
Outro Laserdisc que fazia sucesso nas minhas sessões era o That’s Entertainment, uma coleção de melhores momentos dos musicais de Hollywood da MGM. O que houve de melhor está lá: Gene Kelly, Fred Astaire, Carmen Miranda, Judy Garland, Donald O’Connor, Mickey Rooney fantasiado de Carmen Miranda cantando Mamãe Eu Quero, e muito mais.
O amigo Renato M. é um cara engraçado; se tivesse público, então… Naquela noite estava endiabrado. Tinha falado mal do Oscar Niemeyer – a maioria dos presentes era formada em arquitetura –, e chamou Tomie Ohtake de “Tomei um Táxi”.
Um dos trechos de That’s Entertainment é dedicado à Esther Williams. Antes de tornar-se atriz era nadadora. A eclosão da 2ª Grande Guerra abortou o seu sonho de participar de uma Olimpíada. A vida, no entanto, não lhe foi malvada: de belos traços, teve a oportunidade de virar atriz. Juntou o talento na água à representação e ficou conhecida como a “Sereia de Hollywood”. Uma história que guarda semelhanças é a de Johnny Weismuller, o eterno Tarzã. Conquistou cinco medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1924 e 1928. De bela fachada e físico privilegiado, caiu nas graças de Hollywood. Como ator deixou a desejar. Depois de deixar de ser Tarzã, virou o Jim das Selvas. Como ator, não rendeu mais que isso. Esther, ao contrário, sobreviveu melhor e ficou contratada por 15 anos pela MGM e brilhou em alguns filmes de belas coreografias aquáticas. Assista ao trecho destinado a Williams em That’s Entertainment em http://youtu.be/9jUjhrDhFuM.
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| O pequeno Webb na bateria e Ella à frente |
Pois então; estávamos nesse trecho do documetário e saiu com um de seus trocadilhos instantâneos: “Isso aí é o ‘Stairway to Williams‘.” Todos caíram na gargalhada, menos sua mulher. E ainda disse: “Renato, pare com essas gracinhas; só você que está achando engraçado.” Todos riram muito com Renato, menos ela.
Ella canta. Stairway to the Stars foi composta por Mitchel Parish, Matt Melneck e Frank Signorelli. Consta que a primeira gravação é de 9 de maio de 1939 pela orquestra de Glenn Miller, com vocal de Ray Eberle. A gravação de Ella Fitzgerald com a orquestra de Chick Webb, seu “chefe” à época, é de 29 de junho de 1939. Em início de carreira – era uma garota de 22 anos – já mostrava ao que tinha vindo. Na minha opinião, até hoje, é uma das melhores interpretações. Ouça aqui.
Stairway to the Stars com Ella Fitzgerald
Mood for a Day, do Yes, por Steve Howe.
Stairway to the Stars com Ella Fitzgerald
Mood for a Day, do Yes, por Steve Howe.
Não vou disponibilizar Stairway to Heaven. Como Page e Plant, não aguento!
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Os “obrigados” de Led Zeppelin, Duran Duran e Lizz Wright
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| Page à frente; Bonham, Plant e Jones, atrás |
A Thank You é a quarta faixa de Led Zeppelin II. A banda, desde o início, virou um fenômeno. O primeiro disco é uma coleção de grandes músicas; não tem uma única “média”; todas são ótimas. Não sei quais são as minhas preferidas. You Shook Me? Dazed and Confused? I Can’t Quit You Babe? Communication Breakdown? Talvez, Babe, I’m Gonna Leave You. É um disco com certa predominância do blues.
Alguns meses depois, ainda em 1969, lançaram o segundo. Como no primeiro, o som é pesado. Começa com Whole Lotta Love, “viajante” em distorções de guitarras e vozes. Na época dos LPs, era possível registrar-se por volta de 40 minutos de música, no máximo. Eram gravados nas duas faces do vinil. Nunca inventaram um aparelho tocador de LPs em que era possível a leitura dos dois lados sem interrupção. Quando terminava o lado “A”, tinha-se que tirar o LP e virá-lo para ouvirmos o lado “B”. Thank You era a última do lado A. Funcionava como uma pausa para o que viria a seguir, no lado B: Heartbreaker, Living Lovin’ Maid, Ramble on, Moby Dick, e Bring It on Home. Apenas a última é menos pesada, aliás, começa lenta, com a voz de Plant distorcida, uma forte marcação de baixo, meio blues, com uma harmônica de boca “preguiçosa” e, na metade final, tem um solo pesadíssimo de Page.
Thank You é música lenta do disco. É uma declaração de amor (“Se o sol se recusasse a brilhar/ Ainda estaria amando você/ Quando as montanhas desmoronam rumo ao mar/ Ainda assim haverá você e eu”), é feita de imagens “climáticas” (“Pequenas gotas de chuva, sussurros de dor/ Lágrimas de amor se perdem com o passar dos dias”) e é uma promessa (“E, então hoje, meu mundo sorri/ De mãos dadas, nós caminhamos quilômetros/ Graças a você isso será feito/ Para mim, você é a única”).
Led Zeppelin foi a “banda da vida” de muitos. Era rock pesado, mas nem o som nem a música eram “burras”. Para uma geração que não teve, na adolescência, os Beatles, os Rolling Stones e Bob Dylan como ídolos, tiveram os “instintos” despertados pela banda formada por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham. Existiam, é certo, nesse pequeno espaço entre eles e a banda de Lennon e Paul McCartney e a de Mick Jagger e Keith Richards, Jimmi Hendrix e Janis Joplin. Os anos anteriores ao surgimento de Led Zeppelin foram ricos. Fora um pouco do contexto mais “rock”, surgia uma espécie de terceira via: o rock progressivo. Mas, essa é uma outra história.
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| Duran Duran. O que valia era o estilo |
Duran Duran. Numa certa altura, o termo “rock” ficou pequeno para classificar a música dita popular. Primeiro que, “pop” havia se tornado uma coisa e “rock”, outra. O rock virou “hard-rock”, glitter-rock”, “glam-rock”, “art-rock”, “punk-rock” “progressive-rock” e outros “roques”. Esse termo ficou insuficiente e surgiram intérpretes e bandas classificados como “new wave” e “new romantic”. O Duran Duran deve ter sido o representante maior dessa coisa chamada “new romantic”.
A espinha dorsal da banda inglesa, surgida em 1978, cujo nome foi inspirado em um personagem do filme Barbarella – Dr. Durand Durand –, segundo o Wikipedia, é formada pelo tecladista Nick Rhodes e pelo baixista John Taylor (começou como guitarrista), e teve como vocalista definitivo o estiloso Simon Le Bon. Durante os anos 1980, a música britânica foi contaminada pela moda e pelo design; a música popular tinha virado “business” total, com astros emergentes como Michael Jackson e Madonna, recebendo milhões de dólares das “majors”.
Um dos ícones do rock britânico, David Bowie, pode ser considerado um dos artífices dessa tendência a valorizar o lado visual. Inventou um personagem andrógino chamada Ziggy Stardust (o primeiro a pintar os olhos e assumir ares andróginos, acho que foi Little Richards, na década de 1950), isso no fim dos anos 1970, bem antes do surgimento do Duran Duran. Sem tantos exageros, sem encarnar outras personas, Mick Jagger e Keith Richards carregaram no rímel e no blush (era a onda glitter) e nos macaquinhos cor de rosa cravados de lantejoulas; até o maldito Lou Reed andou caprichando no visual homossexual – ou bi – usando camisetas justas e bonés de couro, e na vida real, arrumou um namorado travesti (hoje, mais sossegado, está casado com a performer e cantora Laurie Anderson).
O rock virou um negócio mais que musical. Alguns, como Malcolm McLaren, vislumbraram a possibilidade de explorar a imagem dos músicos como celebridades. “Inventou” uma banda extravagante nos EUA – New York Dolls –, que ficaram mais conhecidos por vestirem-se de mulheres em apresentações do que pela música, e, na Inglaterra, seu lance mais certeiro, o Sex Pistols. Não estava só na empreitada: tinha a companhia de sua então namorada, a estilista Vivienne Westwood. Com ela, montara uma loja chamada Let It Rock. O Sex Pistols chegaram para fazer muito barulho. Gravaram uma canção chamada God Save the Queen, tinham um cantor cujo nome artístico era Johnny Rotten (o nome real era John Lydon) e um baixista chamado Syd Vicious que, apesar de saber empunhar um baixo elétrico com classe, era péssimo. McLaren empresariou outras bandas além dos Pistols, sempre explorando algo além da mera música.
De certo modo, Duran Duran faz parte dessa “linha evolutiva”. Com o som calcado na instrumentação eletrônica, são autores de Rio, A View to a Kill, Save a Prayer, Notorious e Hungry Like a Wolf. Vestiam roupas da Armani, namoravam lindas modelos e eram também competentes. Em 1988, quando se apresentaram no Brasil, no Hollywood Rock, confesso que os vi a contragosto: fui como convidado. Para minha surpresa, foi um dos melhores shows a que já assisti. Os caras eram bons de palco. Foi, a partir daí que passei a prestar um pouco mais de atenção neles. Possuo apenas dois álbuns deles: Decade, que é uma coletânea, e um outro de covers, chamado Thank You. Esse, comprei em razão das músicas, uma verdadeira salada misturando The Doors, Led Zeppelin, Bob Dylan, Sly and The Family Stone, Grandmaster Flash, Elvis Costello, um certo James Osterberg (nome real de Iggy Pop), e Lou Reed. É um disco que, até hoje, quando ouço, me dá enorme prazer. As mais agitadas (I Wanna Take You Higher, Success, 911 Is a Joke, do Public Enemy, White Lines) são perfeitas, mas as lentas são superlativas (Perfect Day, Lay Lady Lay, Thank You e Crystal Ship).
Bom, a razão de toda essa tergiversação é para apresentar os três “obrigados” que conheço; a original, a de Duran Duran, e a de Lizz Wright.
O Thank You original:
Com Duran Duran.
Com Lizz Wright.
A espinha dorsal da banda inglesa, surgida em 1978, cujo nome foi inspirado em um personagem do filme Barbarella – Dr. Durand Durand –, segundo o Wikipedia, é formada pelo tecladista Nick Rhodes e pelo baixista John Taylor (começou como guitarrista), e teve como vocalista definitivo o estiloso Simon Le Bon. Durante os anos 1980, a música britânica foi contaminada pela moda e pelo design; a música popular tinha virado “business” total, com astros emergentes como Michael Jackson e Madonna, recebendo milhões de dólares das “majors”.
Um dos ícones do rock britânico, David Bowie, pode ser considerado um dos artífices dessa tendência a valorizar o lado visual. Inventou um personagem andrógino chamada Ziggy Stardust (o primeiro a pintar os olhos e assumir ares andróginos, acho que foi Little Richards, na década de 1950), isso no fim dos anos 1970, bem antes do surgimento do Duran Duran. Sem tantos exageros, sem encarnar outras personas, Mick Jagger e Keith Richards carregaram no rímel e no blush (era a onda glitter) e nos macaquinhos cor de rosa cravados de lantejoulas; até o maldito Lou Reed andou caprichando no visual homossexual – ou bi – usando camisetas justas e bonés de couro, e na vida real, arrumou um namorado travesti (hoje, mais sossegado, está casado com a performer e cantora Laurie Anderson).
O rock virou um negócio mais que musical. Alguns, como Malcolm McLaren, vislumbraram a possibilidade de explorar a imagem dos músicos como celebridades. “Inventou” uma banda extravagante nos EUA – New York Dolls –, que ficaram mais conhecidos por vestirem-se de mulheres em apresentações do que pela música, e, na Inglaterra, seu lance mais certeiro, o Sex Pistols. Não estava só na empreitada: tinha a companhia de sua então namorada, a estilista Vivienne Westwood. Com ela, montara uma loja chamada Let It Rock. O Sex Pistols chegaram para fazer muito barulho. Gravaram uma canção chamada God Save the Queen, tinham um cantor cujo nome artístico era Johnny Rotten (o nome real era John Lydon) e um baixista chamado Syd Vicious que, apesar de saber empunhar um baixo elétrico com classe, era péssimo. McLaren empresariou outras bandas além dos Pistols, sempre explorando algo além da mera música.
De certo modo, Duran Duran faz parte dessa “linha evolutiva”. Com o som calcado na instrumentação eletrônica, são autores de Rio, A View to a Kill, Save a Prayer, Notorious e Hungry Like a Wolf. Vestiam roupas da Armani, namoravam lindas modelos e eram também competentes. Em 1988, quando se apresentaram no Brasil, no Hollywood Rock, confesso que os vi a contragosto: fui como convidado. Para minha surpresa, foi um dos melhores shows a que já assisti. Os caras eram bons de palco. Foi, a partir daí que passei a prestar um pouco mais de atenção neles. Possuo apenas dois álbuns deles: Decade, que é uma coletânea, e um outro de covers, chamado Thank You. Esse, comprei em razão das músicas, uma verdadeira salada misturando The Doors, Led Zeppelin, Bob Dylan, Sly and The Family Stone, Grandmaster Flash, Elvis Costello, um certo James Osterberg (nome real de Iggy Pop), e Lou Reed. É um disco que, até hoje, quando ouço, me dá enorme prazer. As mais agitadas (I Wanna Take You Higher, Success, 911 Is a Joke, do Public Enemy, White Lines) são perfeitas, mas as lentas são superlativas (Perfect Day, Lay Lady Lay, Thank You e Crystal Ship).
Bom, a razão de toda essa tergiversação é para apresentar os três “obrigados” que conheço; a original, a de Duran Duran, e a de Lizz Wright.
O Thank You original:
Com Duran Duran.
Com Lizz Wright.
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