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quinta-feira, 14 de março de 2019

O pequeno grande mundo de Anoushka Shankar

Os olhos de Anoushka Shankar
Foi em meados da década de 1960 que Ravi Shankar ficou conhecido no mundo ocidental. Era um músico respeitado na Índia. Com 10 anos foi à Paris com um grupo de dança. Aos 13 tornou-se membro do conjunto, aprendendo a dançar e a tocar vários instrumentos. Depois de sair do grupo, passou a estudar seriamente a música clássica indiana.

Nos anos 1960, houve um crescente interesse pela cultura oriental. Mas antes ainda, em 1952, o violinista clássico Yehudi Menuhim foi apresentado a Shankar. Encantado com sua música, convidou-o a apresentar-se com ele na antiga União Soviética. Em 1954, sob patrocínio da Fundação Ford, tocaram em Nova York. Em 1967, finalmente, saiu um registro fonográfico do trabalho deles, pelo selo Angel: “West Meets East”.

Veja os dois no documentário “Raga: A Journey into the Soul of India”




Ainda na década de 1950, a cultura hindu e oriental passou a receber a atenção de alguns intelectuais. Um dos pioneiros foi o inglês Alan Watts, introdutor do Zen nos Estados Unidos. Maharishi Mahesh Yogi divulgou a meditação transcendental na América no fim da mesma década e tornou-se queridinho da burguesia americana. Os Beatles não foram então os pioneiros quando foram à Índia praticar a tal meditação, em 1967, com Maharishi. O interesse deles, no entanto, serviu para que um número maior de pessoas se interessasse pelas culturas ocidentais, inclusive, pela música, como foi o caso de George Harrison, considerado o grande responsável para que o mundo conhecesse Ravi Shankar.

Sua primeira participação em um ambiente “pop” foi no Festival de Monterey. A consagração foi no Festival de Woodstock, em 1969, apesar do discurso chato que antecedeu a sua apresentação. Conquistou uma legião de fãs, admiradores e fez novas amizades. Conheceu a produtora Sue Jones e desse relacionamento, em 1979, nasceu Geethali Norah Jones Shankar. Conviveu pouco com o pai. Mas a música estava no sangue. Poderia ter optado pelo sobrenome do pai, que facilitaria para tornar-se conhecida. Mas não: preferiu o sobrenome da mãe.

De seu outro relacionamento, com Sukanya Rajan, em 1981, nasceu, em Londres, Anoushka Shankar. Com Sukanya acabou casando, em 1990. Assim, Anoushka cresceu perto do pai, que foi seu primeiro professor de cítara, aos sete anos.

Aprendeu bem das lições: tocou em público pela primeira vez quando tinha 13 anos, em Nova Délhi, no show comemorativo dos 75 anos do pai. Em 1998, com apenas 16, assinou um contrato com a prestigiada Angel Records e lançou seu primeiro álbum como líder“Anoushka”. Fez mais três por essa gravadora antes de tornar-se artista exclusiva da Deutshe Grammophon, em 2011. O primeiro foi “Traveller”. É uma brilhante fusão da música indiana com a espanhola. No fundo, é um encontro das sonoridades orientais. O domínio dos muçulmanos sobre a Península Ibérica moldou bastante a cultura espanhola em geral, inclusive a música. Tem participações de músicos de ponta: Javier Limón, Pepe Habichuela, Pedro Ricardo Miño e Concha Buika, dentre outros.

No seguinte – “Traces of You” –, de 2013, pela primeira vez em disco, tem-se o registro das duas irmãs juntas. Norah Jones canta em três faixas. Arrasa em “The Sun Won’t Set”, composição de Anoushka e Nitin Sawhney. “Home” (2015), como o próprio título sugere, é um retorno às origens. “Land of Gold” (2016) é um tanto diferente, quase minimalista. Pode-se até considerar um álbum de Anoushka e Manu Delago em razão de a maioria das faixas serem composições dos dois. Há uma faixa com participação de M.I.A., filha de pais hindus do Sri Lanka, meio chatinha, e outra, “fofinha”, com Alev Lenz, na música título: bela, mas meio bobinha.

“Reflections”, lançado em fevereiro, é uma compilação dos álbuns de Anoushka. É uma boa oportunidade de conferir a qualidade e energia de sua música. É claro que não poderiam faltar as que teve a meia-irmã participando. São “The Sun Won’t Say” e “Traces of You”. A primeira, como foi dito no parágrafo anterior, é um dos destaques. Outra muito boa é “Bulería con Ricardo”, brilhante exemplo da fusão Espanha/Índia, com a presença de seu coautor Pedro Ricardo Miño, Juan Ruiz, Bobote e El Electrico. Outra boa, também de seu álbum de estreia, é “Si No Puedo Verla”, um flamenco típico, cantado por Duquende. O som do cajón combina muito com o da cítara. “Voice of the Moon”, de “Rise”, de sua gravadora anterior, é poética e realmente bela. “Reflections” é uma boa síntese da carreira de Anoushka Shankar. Confira.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Anoushka, a filha menos conhecida de Ravi Shankar

Anoushka Shankar e a cítara
Numa prova de sincretismo, quando floresceu a onda orientalista, com o budismo, propagado nos EUA pelo inglês Alan Watts, e a onda das seitas hinduístas, muitas jovens em fervorosa fé, preferiram ter suas experiências religiosas no sentido bíblico.

Prudence Farrow resolveu fazer um curso de meditação transcendental com Maharishi Mahesh Yogi na Índia. Aceita, levou a irmã Mia. Como o mundo é pequeno, os quatro Beatles tinham ido fazer a mesma coisa. Consequência desse encontro, compuseram Dear Prudence, preocupados com sua obsessão pelos exercícios de meditação.

George Harrison foi quem mais foi fundo na cultura hindu. Aprendeu o básico da cítara com Ravi Shankar. Um dos pioneiros em montar eventos em prol de grandes causas, foi o responsável por unir vários grandes intérpretes (todos amigos) para o Concert for Bangladesh. Shankar era um deles.

Em 1972, quando aconteceu o Concerto, Ravi já era uma celebridade. Havia se apresentado nos festivais de Woodstock e de Monterrey. No entanto, não era mais “virgem” de Ocidente. Menino ainda, excursionara com um grupo de dança pela Europa. Havia conhecido Yehudi Menuhim, um dos violinistas mais conhecidos da música erudita, em 1952. Muito tempo depois, ambos gravaram o clássico West Meets East (1968), pela inglesa Angel Records. É um dos primeiros discos em que o erudito se mescla ao popular. Só muito tempo depois inventaram um termo para classificar esse gênero: “crossover”.

Na década do slogan “paz e amor”, aquele ar de espiritualidade transmitido por sua música e por sua fala mansa era atraente e apaixonante. E, como do espírito o próximo passo é a carne, enroscou-se com a produtora musical Sue Jones. Foi uma união abençoada: dela nasceu Norah Jones.

Espiritualidade elevada, Shankar não deixava de cuidar bem da sua vida aqui na Terra. Em 1979, quando Norah nasceu, ainda estava casado com a dançarina Kamala Shastri, com quem ficou até 1981. O romance com Kamala datava de meados dos anos 1940, quando ainda estava casado com Ammapuma Devi, que foi sua primeira mulher. Confuso, não? Para ficar um pouco mais, em 1981, tivera uma outra filha, mas com Sukanya Rajan: Anoushka Shankar. O caso com a mãe de Norah durou até 1986. Após o rompimento, reatou com Sukanya, e daí, sossegou..

Ravi Shankar gerou duas filhas talentosissimas. Não é coisa que acontece todos os dias. É raro. Norah cresceu convivendo pouco com o pai. Não existe nada da música dele na mistura de folk, country e jazz de Norah.

Anoushka conviveu mais com o pai, quando ele e sua mãe reataram. Teve lições de cítara com ele e passou a se apresentar aos treze anos, revelando enorme musicalidade. E conseguiu desenvolver uma carreira independente, mesmo tocando o mesmo instrumento.

Mas, de certo modo, Anoushka segue por uma linha evolutiva iniciada pelo pai, que é o tal do “crossover”. Nascida em Londres, passando a infância nos EUA, fazendo apresentações na Índia, o resultado é uma música que transcende rótulos.

Depois de gravar cinco álbuns, em 2011 lançou seu primeiro por uma das maiores gravadoras de música erudita, a Deutsche Grammophon. O declínio das vendagens de música erudita fez com que a Deutsche e outras majors do setor como a Decca e a Virgin Classics passassem a procurar outras opções que seduzissem ouvintes mais jovens. Elvis Costello lançou um disco com a mezzo-soprano Anne Sofie Mutter incluindo composições do roqueiro “crossover”, de Lennon e McCartney, Burt Bacharach e Tom Waits. Sting lançou pela Deutsche três álbuns explorando o folclore britânico e canções de compositores antigos. Em movimento inverso, o “erudito” Gidon Kremer registrou obras de Astor Piazzolla, com participações como a de Caetano Veloso. Outro que abordou o tango e Piazolla foi o judeu argentino Daniel Barenboim em Mi Buenos Aires Querido, pelo selo Telarc. Este é um item imperdível para o amante da música.

No primeiro álbum para a Deutsche Grammophon, em Traveller, Anoushka reuniu músicos como Pepe Habichuela e Concha Buika, apresentando temas que unem a música indiana e a espanhola.

Assista à apresentação de Anoushka com as músicas de Traveller.




Agora, em 4 de outubro, foi lançado o álbum Traces of You. Ela conta com a participação do músico e produtor britânico de origem indiana Nitin Sawhney. É um disco mais “light” – ou menos frenético – que o anterior e mais ocidental. Traveller é melhor, o que não quer dizer que Traces não seja. É bom, também. É apenas questão de gosto. Anoushka conta com a participação da irmã Norah Jones em The Sun Won’t Set, Traces of You e Unsaid.

Assista ao vídeo oficial da música-título Traces of You, com Anoushka e Norah Jones. O clipe foi dirigido pelo marido de Anoushka, o cineasta Joe Wright, de Razão e Sensibilidade e Desejo e Reparação.




Ouça também Flight, composta e executada por Anoushka.


Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.


Quem assistiu ao Concert for George, ocorrido um ano após a morte de George Harrison, vai se lembrar dela. Veja aqui.



terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Os três mortos e a trilha de natal por Dave Brubeck

Publiquei, depois da virada do ano 2011–2012 texto intitulado “Dezembro maldito” (leia um trecho no fim do texto). Temos alguns dias ainda até o início de 2013. Como o mundo não acabou no dia 22, nada resta senão vivermos.

Niemeyer, Brubeck e Shankar
Três personalidades faleceram neste mês: Oscar Niemeyer, Dave Brubeck e Ravi Shankar. Nada de fins trágicos. Fora o primeiro, que passara dos 100, Brubeck e Shankar eram nonagenários. Natural que nessa idade a morte esteja à espreita. Brubeck morreu um dia antes de fazer 92.

1. Niemeyer mereceu cadernos especiais na grande imprensa. Mais do que merecido. Apesar de muita gente falar mal, pelas redes sociais, principalmente, ouço das pessoas que o conheceram apenas palavras carinhosas. Era uma pessoa generosa. Ajudou muita gente e muito o partido comunista e seus camaradas (não era assim que se tratavam?). O Armênio Guedes, hoje com 94 anos, membro histórico do Partidão, conta que o encontrou em Paris quando ia a um congresso em Moscou. Niemeyer comentou do frio que estava fazendo lá naquele ano e perguntou-lhe se tinha roupa para se proteger. Armênio disse que sim. Mesmo assim, quando se despediram, entregou-lhe mil dólares em espécie “para comprar um casaco”.

No último período da Segunda Grande Guerra, com a aproximação do país com os Aliados, o Partido Comunista passou a ser melhor tolerado pelo governo de Getúlio Vargas a ponto de ser legalizado em 1945. Lançaram dois estatutos, um de capa branca e outro com capa vermelha. O primeiro era uma versão, digamos, mais “light” e o segundo era mais sério. No artigo 13 proibia-se qualquer relação de seus militantes com a “canalha trotskista”.

Respirando-se os tempos de liberdade e legalidade, os amigos comunistas costumavam se reunir nos fins de tarde no escritório de Oscar Niemeyer. O arquiteto, apesar do estatuto vigente, continuava a ser muito amigo de um notório “canalha trotskista”. Então, um amigo lhe perguntou: “E agora Oscar? Como vai ser da sua amizade com o Echenique?”. Oscar respondeu: “Besteira… o Echenique? Ele é só canalha.” Posso estar sendo impreciso porque é uma história contada por um amigo em uma mesa de restaurante. É mais para assinalar a fineza de humor de Niemeyer.
Uma crítica frequente era a de que sua arquitetura “não era boa de morar”. Em São Paulo existem vários prédios residenciais projetados por ele, sendo o Copan o mais conhecido. Vou perguntar para alguém que mora lá. Nunca o ouvi reclamar disso.

2. Na década de 1970 e pouco antes, o Theatro Municipal de São Paulo abrigou vários artistas estranhos à música erudita. Apresentaram-se lá Miles Davis, Duke Ellington, Charles Mingus, Bill Evans, Ray Charles, João Gilberto, Milton Nascimento, Ella Fitzgerald, Stan Getz, os Swingle Singers e Ravi Shankar. Este tinha ficado conhecido no mundo ocidental em razão do interesse dos Beatles pela música indiana e por uma onda místico musical que dominou o mundo sedento por orientalismos nos anos 1960. Apresentou-se no festival de Monterrey e no de Woodstock e também no Concerto para Bangla Desh, em 1975, organizado por George Harrison. Mas antes desse concerto, em 1971, esteve no Brasil. Fui um dos cerca de 1.500 espectadores que foram vê-lo no Theatro Municipal. Era um moleque naquela época, com a maior curiosidade do mundo. Mal tinha completado 15 anos.

Shankar morreu com 92 anos. Deixou duas filhas artistas. Uma delas, a mais famosa, é Norah Jones, com quem teve convívio um tanto complicado. Jones é fruto de seu relacionamento com a produtora de shows Sue Jones. A outra seguiu os passos do pai. Anoushka Shankar é citarista de renome e gravou um belo CD pela conceituada Deutsche Grammophon.

3. Meu amigo Zeca Leal e Dave Brubeck morreram agora em 2012. E o Zeca nem ficou sabendo: morreu antes. O Zeca, junto com o Carlos Conde, foi um dos meus gurus musicais. Era um cara engraçado e gozador. Botava apelido em todo mundo. Fiquei sem saber do meu. Eram apelidos muito particulares e o único jeito de conhecê-los era pelos outros. Conto uma história engraçada dele. Tinha o costume de dizer que foi o cara que mais comprou discos do Frank Sinatra no mundo. Cada vez que ia ouvir, de bêbado, riscava. Ia até a loja e comprava outro, novinho. A história está em http://bit.ly/UTQNF3. Mas, além do Sinatra, o Zeca era fã do west coast jazz, do Dick Farney, de quem era muito amigo (fazia o imposto de renda dele, inclusive) e de Dave Brubeck, “Brubéck”, como dizia, e não “Brûbeck”, com costumam os brasileiros dizer.

No aprendizado do pianista incluem-se aulas de composição com Darius Milhaud. A formação mais conhecida de sua banda ficou sendo a do quarteto que incluía o saxofonista alto Paul Desmond, o baixista Gene Wright e o baterista Joe Morello. Time Out, lançado em 1956 foi o primeiro LP a vender mais de um milhão. Poucos nesse mundo nunca ouviram Take Five na vida, mesmo sem saber. Blue Rondo à la Turk, inspirada em Mozart (e por isso o “à la Turk”), foi composta por Brubeck em exdrúxulo 9/8, e Take Five, em 5/4. Nada de quatro por quatro. Brubeck incorporou linguagens sofisticadas ao jazz e, assim mesmo, vendeu muito. Alquimias perfeitas. O pianista tinha a favor um saxofonista de som redondo e muito agradável aos ouvidos e um baterista com um drive perfeito para os seus tempos inusitados.

As inclinações eruditas ficaram mais evidentes por meio de peças compostas depois dos anos 1960 como os oratórios, balés, cantatas e uma missa.

Dave Brubeck e o Natal
Muitos intérpretes, principalmente os americanos, em dado momento gravam alguma coisa alusiva ao Natal. Ele gravou o seu em 1996 pela Telarc Jazz. É piano solo. Daí termos a sensação de que é Natal apenas em alguns temas conhecidíssimos como Jingle Bells. Bom, imagino que essa seja uma das mais conhecidas no mundo. O Natal de Brubeck, em disco pelo menos, é melancólico, reflexivo.

Não sou chegado às festividades de fim de ano. Na verdade, me deprimem. Não gosto de enfeites de Natal, não me sinto confortável em ficar escolhendo presentes e em recebê-los. Gosto de receber, mas em datas aleatórias, nunca nessas ocasiões pré marcadas. E, bom, para completar, músicas de Natal não fazem parte das minhas primeiras preferências, nem mesmo que tenha sido composta por Mel Tormé, como The Christmas Song, ou White Christmas, de Irving Berlin.

Bom, mas vamos Brubeck em O Little Town of Bethlehem, de Lewis H. Redner e Phillip Brooks.

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Dezembro maldito (2011)
Ao contrário do que escreveu T.S. Eliot – “Abril é o mais cruel dos meses” –, dezembro parece mais. Parece que ficamos na expectativa de algo prestes a acontecer: não apenas mortes, mas tragédias naturais, daquelas que parecem vingança dos deuses ou da natureza, como tsunamis, enchentes, cidades devastadas pela água. Em 2001, estava na praia, televisão ligada: Cássia Eller morreu; no 29º dia de dezembro.

E como farsa ou para corroborar nossos maus presentimentos, acontecem coisas. Imagino que deve ocorrer uma espécie de caos coletivo: a impressão é a de que todo mundo fica estressado e meio “desgovernado”. Se o período é de Festas, esse tempo deveria ser o de alegrias, congraçamentos e anseios por paz. Essa “obrigação” pela felicidade pode ter efeito contrário.

Mortes, quanto mais próximas do fim do ano e, se acontecem com pessoas ainda jovens, ficam tingidas de dramatismo maior. Não lembro mais daqueles que morreram no fim de 2010, mas, em 2011, foram registradas muitas; desde a de esportistas como Sócrates (muito jovem ainda), de pessoas ligadas ao teatro como Sérgio Brito (17), Rodolfo Bottino (11); à música, como o saxofonista Sam Rivers (26) e o trombonista e pianista Bob Brookmeyer (16), ambos octogenários; a cantora Cesária Évora (17); o grande desenhista e cartunista Ronald Searle (30), com 92 anos; artistas plásticos como a expressionista abstrata Helen Frankenthaler (27) e o brasileiro Mário Gruber (30); estadistas como Vaclav Hável (também poeta, no dia 18); o ditador da Coreia do Norte Kim Jong-Il; e jornalistas e escritores como o ateísta Christopher Hitchens (15), a alemã Christa Wolf (1), e Daniel Piza, este, dois dias antes que findasse o ano.