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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Al Green, o mestre das releituras

Al Green antes da conversão
Aproveitando o momento em que discute-se sobre religiões em tudo quanto é lugar – parece que, mais que etnias, países, a religião é motivo de guerras e barbárie – e no Brasil temos uma candidata a presidente evangélica, aproveitei para ouvir um pouco de Al Green. Começou participando da banda Soul Mates e partiu para a carreira solo depois de conhecer Willie Mitchell. Estourou nas paradas com Let’s Stay Together, em 1972.

No auge do sucesso, Green tinha uma namorada um tanto amalucada, pelo jeito. Mary Woodson propôs-lhe casamento e este recusou. Ela não gostou nem um pouco. Com raiva, jogou mingau quente sobre ele, enquanto tomava banho. Sofreu queimaduras de segundo grau. Ela foi para o outro quarto e se matou com o revólver de Al. Não é coisa de gente normal. Mas dá para deixar a vítima traumatizada. Aconteceu no fim de 1974.

Al Green, como muitos negros americanos, vinha de família religiosa. Talvez a tragédia o tenha chamado de volta às mãos de Deus. Em 1976, comprou uma igreja em Memphis e ordenou-se pastor da Full Gospel Tabernacle, sem interromper a carreira. Lançou The Belle Album (leia e ouça em http://bit.ly/XYYIrY), que teve receptividade pífia pelo público e pela crítica, apesar de ser muito bom. Em 1979, levou um tombo no palco. Era mais um aviso de Deus. Deixou de trabalhar com Willie, seu produtor, montou estúdio próprio e abraçou a religião de vez.

Al Green nem precisava compor. Com a voz, essa sim, abençoada por Deus, poderia ser, simplesmente, cantor e iria arrasar. Um dos mais conhecidos covers de Green é How Can You Mend a Broken Heart, dos irmãos Barry e Robin Gibb, dos Bee Gees. Sem desmerecer os australianos, a versão do americano é infinitamente melhor.

Veja Green em How Can You Mend a Broken Heart.




O texto de hoje é sobre as releituras que andei ouvindo nos últimos dias. Vamos começar com Pretty Woman, do grande Roy Orbison.




People Get Ready, de outro mestre do soul, Curtis Mayfield, foi considerada a 24ª melhor música de todos os tempos em votação da revista Rolling Stone. Encontrei no Facebook.





Outra que encontrei no YouTube é a emocionante A Change Is Gonna Come, de Sam Cooke. Essa canção virou hino do movimento pelos direitos civis dos negros. (sobre Sam Cooke, leia http://bit.ly/YI8qiM)




Outro clássico, do The Doors, é Light My Fire.




O que fez dar uma pesquisada foi quando ouvi Summertime na caixa The Immortal Soul of Al Green, com quatro CDs.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Belle, o álbum “ignorado” de Al Green

O reverendo Al Green
Você gosta de música gospel? Como eu, tu, eles, somos preconceituosos – se se considerar ódio à música sertaneja, que seja “sertanejo-universitária”, é preconceito –, Al Green passou a vender poucos discos quando entrou em sua fase gospel. Mas a música Let’s Stay Together você deve ter ouvido, não? Nota: até Bob Dylan teve a sua fase gospel.

Um primo disse, uma vez, a propósito de um primo ter se convertido a uma dessas seitas evangélicas, que duas coisas fazem você procurar a religião: uma grande desilusão amorosa ou um grande revés financeiro. E pode servir como boa forma de se recuperar de uma falência, por exemplo. É o caso, pelo menos, de uma pessoa, segundo sua irmã, que, depois de ter tido problemas financeiros, entrou para uma igreja, virou pastor, enriqueceu, e hoje, prega nos EUA em um dos muitos programas televisivos. Disse-me ela que o outro irmão segui os seus passos e também virou pastor. Ela preferiu continuar a ser a ovelha negra – ou desgarrada – da família.

Veja Al Green cantando Let’s Stay Together no programa de Jools Holand, com David Gilmour na guitarra.



Veja-o cantando Love and Happiness.




Em 1974, Al Green já tinha alguns sucessos emplacados nas paradas de sucesso. Neste mesmo ano, sua namorada teve sua proposta de casamento recusada e, enquanto Green estava na banheira, matou-se no aposento contíguo com um revólver dele. Tempos depois, sofreu um acidente no palco. Viu aquilo como uma “mensagem de Deus”.

Green, como muitos de seus pares negros, cresceu em ambiente religioso. Em 1976, comprou uma igreja em Memphis e foi ordenado pastor. A cooperação com seu mentor, o produtor Willie Mitchell, que resultara em vários hits, foi interrompida. Em 1978 lançou seu último álbum “secular” – para usar esse termo tão na moda com os distúrbios recentes no mundo árabe – antes de passar a gravar exclusivamente música gospel. O disco se chamou Belle e não contava mais com os Hi Rhythm Section. Não emplacou e é uma injustiça. Conta com uma banda poderosa e o baixista Reuben Fairfax, Jr. faz diferença.


De 1981 a 1989, gravou apenas temas gospel. Voltou às hostes “seculares” e tem mantido produção constante. Gravou com Annie Lennox. Refez a parceria com Willie Mitchell e gravou I Can’t Stop, em 2003. É um bom disco. É Al Green da melhor qualidade. Nem na fase gospel deixou a competência de lado. Não emplacou mais sucessos como How Can We Mend a Broken Heart, cover dos Bee Gees, ou Love and Happiness. Mesmo assim, o álbum Lay It Down, em 2009, ficou entre os dez mais vendidos. Não gravou mais nada desde então.

Bem, voltando ao Belle, ouça duas do álbum.

Georgia Boy.


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Ouça Dream. É Al Green de primeira.


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