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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A intensa Alice Caymmi

Alice, filha de Danilo
Num ponto Alice Caymmi se parece com o resto da família: o vozeirão. Nada que se compare a de sua tia Dinair, ou melhor, Nana, como é mais conhecida. Assim, também, é covardia.

Inteligentemente, para fugir de possíveis similitudes com a família, o estilo de Alice é outro; completamente outro. Flerta com a modernidade que, em nenhum momento lembra seu avô Dorival, a tia Nana e menos ainda a de Danilo, seu pai.

Sendo do sexo feminino, escolhe como uma das canções, Homem. É um tanto estranho ouvir uma mulher cantar “Não tenho inveja da gravidez, nem da lactação/…/Eu sou o homem,/ pêlo grosso no nariz”. Surpreende. É um choque. É uma atitude e tanto, se bem que tudo é estranho aqui. É um arranjo diferente, bem esquisito. Nem todo mundo vai gostar.

Ouça.




Mas o peso do sobrenome é relevante, ao menos para torná-la conhecida ou “ficar falada”. Foge de comparações estilísticas mas sabe bem que o nome “Caymmi” ajuda. Se ela lembra alguém, esse alguém seria Ana Carolina.

Procurando se destacar pela diferença, interpreta um Meu Mundo Caiu que não é nem um pouco Maysa. O arranjo, de tom meio brega, intencional ou não, compromete. Lembra Odair José. Deve ser uma opção. Essa levada brega está presente também em Meu Recado, composição dela com Michael Sullivan, e em Soy Rebelde. A outra de autoria de Alice é Antes de Tudo, com um arranjo de cordas interessante.

Podem ser considerados destaques Iansã, de Gilberto Gil e Caetano Veloso, e Jasper, parceria deste último com Arto Lindsay e Peter Scherer.

Veja Alice Caymmi cantando Iansã. As referências são as interpretações de Maria Bethânia (muito linda) e a de Gilberto Gil.




Ouça o álbum inteiro. A primeira faixa – Como Vês – é boa também.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Beto Guedes, Danilo Caymmi, Novelli, Toninho Horta

Contracapa do Lp
Amparados pelo sucesso de Milton Nascimento e seu Clube da Esquina, alguns de seus membros gravaram um disco pela EMI, em 1973. Com o nome Beto Guedes / Danilo Caymmi / Novelli / Toninho Horta, algumas das composições que seriam novamente gravadas, foram registradas nessa produção: Caso Você Queira Saber, de Beto Guedes foi registrada com Norwegian Wood (Lennon & McCartney) num compacto simples (era o “EP” da época, mas em vinil), com Milton Nascimento, e depois, fez parte de Minas reeditado, com faixas bônus –, e Manuel, o Audaz, de Toninho Horta, entre eles. Deve ser difícil encontrar esse Lp, mesmo em sebos, e o pior, não foi lançado em CD. Uma ótima opção é baixá-lo pelo blogue Loronix – http://loronix.blogspot.com/2006/10/beto-guedes-danilo-caymmi-novelli-e.html.

Não é preciso dizer muito desse belo disco. Na primeira faixa – Caso Você Queira Saber – Beto Guedes toca violão – a guitarra é de Frederiko –, bateria e canta. Não é uma pena  esteja tão afastado da música? Toninho Horta e Danilo Caymmi continuam mandando, e o Novelli anda meio sumido. É interessante ouvir um disco de 1973 e ver o quanto a linguagem musical de cada um foi se transformando. Ouvimos uma flauta a la Ian Anderson, líder da banda de rock progressivo Jethro Tull. É de Danilo. Em Belo Horror, composição de Beto, Flavio Venturini, Marcio Borges e Vermelho, a flauta “psicodélica”, os teclados de Venturini e Vermelho, o baixo marcado junto com a bateria, a guitarra de Beto e as mudanças de clima que vão ocorrendo no decorrer dela, ajudam a criar uma atmosfera “viajante”. É bem sinal dos tempos em que foi gravada. É a faixa mais diferente.

Vamos de Belo Horror.