quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O passado de Annie Lennox

Em um dos primeiros festivais em São Paulo, o Hollywood Rock, dentre as atrações, estavam bandas como Bob Dylan, Tears for Fears, Terence Trent D’Arby e Eurythmics. Como os ingressos não eram tão baratos e não tenho muita paciência com shows em estádios, priorizei ver o Tears for Fears. Minha namorada à época queria porque queria ir na noite do Eurythmics. Disse não e como “prêmio” fui de graça como acompanhante. Meio que a contragosto, fui.

Chegamos depois de iniciado o espetáculo e quem estava no palco era Bob Dylan. Encontrei o jornalista e crítico Edmar Pereira e fiquei alguns minutos conversando com ele. Não conseguia saber qual era a canção que Dylan cantava. O Edmar comentou: “A gente consegue saber qual é só na hora do refrão.” Assim mesmo, era difícil. Mas ele estava com o setlist, pois estava cobrindo para o extinto Jornal da Tarde e falou quais estavam programadas.

O Edmar estava bem longe do palco. Minha namorada queria ficar em um lugar mais próximo, ou seja, na boca do palco. Não foi assim, mas ficamos a uma distância que nos dava boa visão, Daí, chegou a hora do Eurythmics. Mesmo naquela época, Dylan já não causava tanto frisson entre os jovens – estávamos em 1990 – mas quando os britânicos entraram no palco, foi bem diferente. Eu, conhecendo muito pouco a música deles, fiquei indiferente. Até um certo momento. Foi um belo show. Mas o que me deixou encantado mesmo foi Annie Lennox a “outra parte” do Eurythmics.

Tempos depois, li uma entrevista de Lennox, não lembro se na revista The Face ou Arena. Em um trecho, afirma que “não é naturalmente feliz.” Me identifiquei. Foi a rendição final. O que era encanto virou paixão. Depois dessa, tinha obrigação de comprar algum álbum do Eurythmics. Como não conhecia muita coisa deles, a escolha recaiu  no “Greatest Hits”.

Annie Lennox lançou o primeiro solo. Chamava-se Diva. Muito apropriado. Sairam mais quatro discos depois desse. Não são muitos considerando-se que este é de 1992 e agora estamos em 2014. O bom é que não temos como enjoar.

Nostalgia, lançado agora, no dia 21, nos EUA, e programado para o dia 27, internacionalmente, privilegia o chamado “great american songbook”, incluindo clássicos bem conhecidos como Summertime, Mood Indigo, I Cover the Waterfront, September in the RainMemphis in JuneThe Nearness of You e dois títulos associados a Billie Holiday (Strange Fruit e God Bless the Child). Uma pequena exceção é I Put a Spell on You, de Screamin’ Jay Hawkins, que não é tão jazz, mas tem uma versão bem conhecida de Nina Simone.


Veja Lennox cantando I Put a Spell on You. É um dos destaques.




Annie, inteligentemente, foge dos padrões consagrados em discos contendo standards. Não é acompanhada por uma típica banda de jazz, pois preferiu mais personalizado. Evita também, a fórmula de orquestras com arranjos batidos como a dos álbuns de Rod Stewart e outros astros pop. O que se destaca é uma instrumentação econômica que valoriza o seu modo, ao mesmo tempo expressivo, às vezes, dramático e melancólico, bem no estilo da frase da entrevista citada – “Não sou naturalmente feliz” –, realçando belas modulações vocais. Mesmo nos arranjos em que incluem-se as cordas, elas são utilizadas com parcimônia.

Quando soube de Nostalgia, fiquei com muita expectativa. E não me frustrei com o que ouvi. Alguns momentos são de puro encantamento.


Veja Lennox em Georgia on My Mind.




Veja Lennox em Summertime.




Strange Fruit é um dos melhores momentos.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Led Zeppelin só para os fanáticos

Led Zeppelin, com Jimmy Page em primeiro plano
Nos últimos meses estão sendo lançados em “Deluxe Edition” os álbuns de estúdio do Led Zeppelin. É uma banda que continua a amealhar fãs, apesar de não existir há muito tempo. Gerações e gerações “descobrem” o som de um dos mais brilhantes quartetos de todos os tempos. Depois da morte de John Bonham, após a ingestão do equivalente a 20 garrafas de vodca, perdeu-se a razão de sua existência. De quando em quando fazem um revival, mas faz tanto tempo que o baterista se foi, que quem o substitui nessas ocasiões, é seu filho Jason Bonham.

Os mais fanáticos devem estar comprando as edições de luxo porque não querem perder nada do que está relacionado à banda. Os novos fãs têm a oportunidade de curti-los em versões remixadas e, de quebra, contendo faixas alternativas ou inéditas. Portanto, é provável que tenha boas vendas. Se bem que, a venda de álbuns físicos está tão baixa que neste ano ninguém vai ganhar disco de platina, que nos EUA equivale a venda de 1 milhão de cópias.

Por enquanto, o mais recente é Houses of the Holy. Estou esperando o lançamento de Phisical Graffitti, o meu preferido dentre os preferidos.

Ouça a versão estendida de The Song Remains the Same, que está no segundo CD. O primeiro é igual e remixado.




Do IV, ouça a versão de Going to California sem os vocais.




Do III, ouça Bathroom Sound, conhecida como Out on the Tiles.




Do II, ouça um rough mix de Heartbreaker.



Se você sentiu falta da voz de Robert Plant em algumas das faixas apresentadas, pegue a letra na Internet e faça o seu cover do inglês. Coragem!