Mostrando postagens com marcador Eric Clapton. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eric Clapton. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de maio de 2016

As velhas novidades de Eric Clapton e Bob Dylan

Na semana passada foram lançados I Stiil Do, de Eric Clapton, e Fallen Angel, de Bob Dylan. São duas estrelas que estão na estrada desde a década de 1960, o que significa que estão há muito tempo. São remanescentes de uma década rica em revoluções musicais e de costumes. Clapton quase submergiu devido ao consumo de drogas mais pesadas, ao contrário de Dylan que, de mais grave aconteceu, adepto contumaz da marijuana, foi o acidente de motocicleta que o obrigou a se afastar do business da música por um tempo. A quarentena foi boa: Dylan voltou eletrificado, para a tristeza de seus fãs mais puristas.

No dia 24 deste mês, Bob Dylan comemorou o aniversário de 75 anos e continua na estrada. Faz em média cem apresentações por um ano, número significativo para alguém que já pode ser chamado de ancião. E para o recente Fallen Angel, está programada uma turnê com a também veterana Mavis Staples abrindo os shows. O negócio é que Bob, para o bem ou para o mal, gosta de ser original: nunca interpreta seus sucessos como são conhecidos em disco. O finado jornalista do Jornal da Tarde, Edmar Pereira, dizia, que, com um pouco de sorte, reconhecia-se o que o bardo americano cantava na hora do refrão. Aqueles que gostam de um bom espetáculo não sentem o mínimo prazer de verem Dylan em um palco. É ele e uma pequena banda, sem projeções em laser ou iluminações extravagantes.

EC pela mãos do mestre Peter Blake
Eric Clapton é um pouco mais novo e parece não se interessar mais em fazer grandes turnês. Assim mesmo, não vesitu o pijama e acaba de colocar na internet e nas poucas prateleiras das lojas de discos o seu I Still Do. É um aviso: “I still do.” O que ele faz, aliás, muito bem. São canções que pendem para o blues, gênero preferido desde os tempos em que começou tocando com John Mayall.

Clapton nunca fez um álbum ruim. Consegue manter uma média boa, ou melhor, são sempre, no mínimo, bons. I Still Do é o retrato disso e por isso é um título revelador. Aqui, não quer mostrar que já foi considerado Deus, o melhor guitarrista do mundo etc. Simplesmente, mostra que não tem que ficar se mostrando, o que é sinal de bom equilíbrio mental. O que pode ser um pouco decepcionante é a constatação de que nunca é genial como foi nos tempos em que era um “drug and alcohol Addict”.

Ouça o álbum na íntegra. Há sempre a possibilidade de, por conta de direitos autorias, de esse “youtube” ficar indisponível.




Um dos destaques é Stones in My Passway, de Robert Johnson. Esta é a versão do álbum que foi dedicado exclusivamente ao bluesman.




Outra a destacar é Cypress Grove, de Skip James. Essa versão é a de uma apresentação ao vivo.




A face Sinatra de Dylan
Em seu penúltimo álbum – Shadows in the Night –, Bob Dylan resolveu encarar o repertório de standards. Completando 75 anos, quase coincidindo com o aniversário, lançou Fallen Angels, centrado novamente nos standards do cancioneiro americano. É de se esperar que não dê uma de Rod Stewart e passe a gravar álbuns assim um atrás do outro.

Erradamente, alguns fazem referência a Frank Sinatra quando Dylan recorre ao repertório Tin Pan Alley. Nesse álbum, o número mais associado ao “ol’ blue eyes” é All the Way. As restantes, como Polka Dots and Moonbeams, Skylark, All or Nothing at All ou It Had to Be You e Come Rain or Come Shine, e até Young at Heart foram cantadas por Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e por uma infinidade de outros intérpretes, e com muito mais competência. A diferença é que Dylan não é Sinatra, nem Fitzgerald e nem pretende sê-lo, é o que imagino. Como cantor, sempre foi sofrível. É um grande, isso sim, bom intérprete de si mesmo. Em Come Rain or Come Shine e Neverthless desafina bem. O mesmo acontece em Skylark, por exemplo, brilhantemente interpretada no passado por Willie Nelson, outro country-folk singer que aventurou-se pelos standards na década de 1970.

Em Shadows in the Night, o fator novidade funcionou. A busca pelo passado era um bom pretexto. Fallen Angels é uma continuação piorada. Em bom artigo, Fernando Navarro dá uma luz em “O belo outono de Bob Dylan” sobre as referências relativas à velhice. Talvez, cantar o repertório Tin Pan Alley tenha alguma relação com isso. Faz sentido, de repente, Dylan abordar esse repertório.

Ouça a faixa promocional All the Way.



Ouça Melancholy Mood outra disponível.

terça-feira, 19 de março de 2013

“Old Sock”, o novo Eric Clapton

Eric Clapton na capa mais feia dos últimos tempos
Como lançamento de um novo álbum de Eric Clapton, com a diferença de uma semana em relação a mais um disco póstumo de Jimi Hendrix, é impossível de se imaginar que tipo de música estaria fazendo hoje. Por uma fatalidade morreu bem cedo. À época fizeram campanhas e campanhas com as imagens dele e de Janis Joplin no sentido de alertar quanto ao perigo das drogas ilícitas. Fumar cigarros e beber podia, pois eram e são drogas consideradas legais. Hendrix, segundo o laudo, morreu asfixiado pelo próprio vômito. Na noite anterior, pelo que se sabe, havia bebido vinho tinto e ingerido comprimidos para dormir. Consumindo coisas bem mais pesadas, muitos estão vivos e bem até hoje, caso de Keith Richards e também Eric Clapton.

Clapton anunciou que se aposenta quando completar 70 anos. Está completando daqui a alguns dias, 68, portanto está perto de pendurar as chuteiras, ou melhor, os sapatos. Curiosamente, o álbum a ser lançado em 25 de março chama-se Old Sock. Nada melhor que calçar um “sapato velho”: não é o ditado? É a mesma coisa com uma “meia velha”? Isso nos faz pensar em algumas coisas: a aposentadoria próxima, o fato de ter resolvido gravar só o que lhe agrada, o esgotamento criativo (são apenas duas canções as de sua autoria), e fazer apenas o que lhe dá na telha, inclusive coberta com um chapéu panamá, na capa. Parece que desistiu de se vestir elegantemente como antigamente, com roupas de corte impecável, ou mesmo, com camisetas despojadas e casualmente chiques. A capa é bem feia; é como se Eric Clapton não estivesse nem aí. Ou, talvez, queira dizer: “não importa a embalagem; importa o que tem dentro dele.” A foto deve ter sido feita em algum lugar paradisíaco como o Caribe, região que o apraz. Há muito entrou na zona de suas paixões geográficas e musicais. Desde 461 Ocean Boulevard, lançado em 1974, o reggae “entrou” na sua vida quand gravou I Shot the Sheriff, de Bob Marley.

Os problemas de Clapton com as drogas e o álcool são conhecidos. Ficou internado em clínicas várias vezes e a última, devido ao alcoolismo, foi em Antígua. Depois de recuperado pensou em montar um centro de reabilitação para os moradores locais, principalmente. Em 1998 foi inaugurado o Crossroad Centre nesta ilha localizada nas Índias Ocidentais. Eventualmente, porque não se dá em todos os anos, acontece o Crossroad Guitar Festival, com renda revertida ao centro,

Tem pouco solo de guitarra em Old Sock para um disco de um guitarrista. A bem da verdade, resolveu variar, tocando também violões, dobro e mandolin. A presença desses instrumentos dá um tom mais para o country-folk. Vários backing vocals remetem ao reggae, a segunda paixão musical do inglês. Não é coincidência que a primeira Further Down the Road seja de Taj Mahal, também chegado em ritmos caribenhos. Outra – Till Your Well Runs Dry – é um original de Pater Tosh e Bunny Livingstone. Até Your One and Only Man, composição de Otis Redding, vira reggae, com direito àqueles vocais que deram uma marca às canções de Bob Marley.

A exemplo de Paul McCartney, que participa tocando baixo e fazendo a segunda voz em All of Me, com a idade ficou nostálgico e resolveu gravar standards do cancioneiro americano. Esta é de 1933. Além deste clássico, canta The Folks Who Live on the Hill e Our Love Is Here to Stay. Paul, em Kisses on the Bottom, canta It’s Only a Paper Moon, Au-Cent-Tchu-Ate Positive, Bye Bye Blackbird e My One and Only Love, dentre outros clássicos do jazz. (leia em http://bit.ly/117jK7X)

Ouça All of Me, comClapton e McCartney.



Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.


As únicas composições de Clapton são Every Little Thing, com vocais de Nikka Costa e Julie, Ella e Sophie Clapton que, presumo, devem ser suas filhas, e Gotta Get Over. Esta última é boa, mais agitada. Veja o vídeo oficial.




Still Got the Blues, a mais conhecida de Gary Moore, é um dos bons momentos do disco. É um pouco mais lenta que a original, com instrumentação discreta e sofisticada. Apesar de ser composição de guitarrista (Moore), a de Clapton não tem guitarra. É no violão, com um fundo de orquestra e backing vocals feminino.

Ouça a original, com Gary Moore.





Outra que vale é Goodnight Irene, de Leadbelly. É uma das minhas preferidas. Ouça.



Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.



Entre no link http://youtu.be/lDADV6V40-Q e tem o caminho para você fazer o download do disco. Se você é contra puxar músicas pela internet, espere até o dia 25 de março.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A presença do Senhor na vida de Eric Clapton

O reencontro de Clapton e Winwood, em 2010
Um dia, em um muro, próximo a uma estação de metrô londrina, surgiu grafitada a frase “Clapton is God”.

Com menos de vinte anos, Eric Clapton foi membro de uma das bandas seminais do rock britânico, o Yardbirds. Para se ter uma ideia da importância histórica dela, basta dizer que por ela passaram, além de Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck. Pouco depois, em 1965, foi ser guitarrista da John Mayall & The Bluesbreakers. O blues era, e é, a paixão primeira dele. A pichação é dessa época.

O próximo passo foi criar o primeiro “power trio” da história, o Cream: ele, Jack Bruce no baixo e Ginger Baker na bateria. Egos inflados ou incompatibilidade de gênios mesmo, resultou em vida breve e alguns clássicos como Sunshine of Your Love e White Room.

Na cena efervescente da capital britânica surgiu, como que do nada, um alienígena. Subitamente, um guitarrista americano que se apresentava em um clube transformou-se no “talk of the town”. Daí para a frente, todos os guitarristas poderiam almejar a ser, no máximo, o “segundo melhor do mundo”. Em vez de inveja, Clapton curvou-se ao talento inconteste de Jimi Hendrix. Pete Townshend, do The Who, pelo contrário: ficou fulo com aquele negro que, além de exímio em seu instrumento, era carismático e produzia aquele som todo sem caras e bocas, contorcionismos espetaculares e(ou) esgares faciais e corporais. Executava solos dos mais intrincados com a maior naturalidade, enquanto mascava chicletes, com um cigarro aceso preso na cabeça da guitarra.

As atuações surpreendentes de Hendrix deixavam Townshend mordido. Ficava planejando algo mais espetacular ainda. Pete era (com a idade, menos) o guitarrista das performances teatralizadas, pulando como um sapo nos palcos, girando os braços em movimentos circulares, como os da hélice de um heiicóptero, quebrando guitarras, jogando-as contra os amplificadores Vox. No Festival da Ilha de Wight, se não me engano, Pete fez o diabo, achando que Hendrix não poderia fazer algo mais absurdo. Enganou-se: Jimi jogou álcool na guitarra e botou fogo. Hendrix morreu cedo, é impossível saber o que teria feito a mais. Clapton sobreviveu às loucuras da época e está entre nós até hoje, e bem. É um milagre. Se milagre é coisa de Deus, Clapton deve ter uma dívida com Ele.

Depois do Cream, fez parte de outro supergrupo. Com ele, lá estava seu antigo companheiro do glorioso power trio. Com Ginger Baker na bateria, completavam a banda o baixista Rick Grech e Steve Winwood. Seguindo a sina dessas formações, o Blind Faith teve vida mais curta ainda. O produtor era Jimmy Miller (trabalhou com os Rolling Stones também) e, quando foi lançado, causou celeuma por motivos extramusicais. A capa era para escandalizar: uma menina, que não aparentava ter mais do que 13 anos, com os seios à mostra, ainda em formação, segura algo como um objeto (meio fálico) feito de metal, parecido com um avião. Em 1969, Clapton não ousava cantar ainda. No Cream, os vocais principais eram de Jack Bruce, e no Blind Faith, de Steve Winwood, um talento também no piano, no Hammond B-3 e na guitarra. Precoce, entrou na Spencer Davis Group com 14 anos; e mostrava seus dotes como compositor: é coautor de Gimme Some Lovin’, sucesso que chegou ao segundo lugar nas paradas, em 1966. Em 1967, formou com Jim Capaldi, Chris Wood e Dave Mason, uma das melhores bandas britânicas de todos os tempos, o Traffic.

Das seis músicas do álbum do Blind Faith, Winwood era autor de três. A única composta por Clapton se chamava Presence of the Lord. Curioso, não? Em 1965, Eric era “Deus”. Quatro anos depois compõe uma canção que trata do Senhor. Um amigo disse uma vez que as pessoas tendem a procurar Deus ou a religião depois de um revés amoroso ou financeiro. Citou o caso de um primo dele que, depois de falir entrou para uma igreja e mais tarde tornou-se pastor. Lucrou: ficou rico com seu novo mister graças ao bom Deus.

Por quais razões Clapton teria composto uma música com esse título e que, na letra, diz que encontrou “por fim um lugar onde viver/ Como nunca antes tinha conhecido”, e completa: “Sei que não tenho muito para dar/ Mas não tardarei a abrir seja que porta for/ […]/ Encontrei por fim um lugar para viver/ Na presença do Senhor.”

Não li a autobiografia de EC. Deve haver alguma referência sobre esse assunto. A minha pergunta é se Deus surge em razão de algum revés. Uma geração inteira de talento chafurdava no álcool e no consumo de drogas pesadas. Fazia parte do espírito da época. Se isso e problemas familiares abalaram Clapton a ponto de ter que se afastar é outra pergunta. Dizem que a morte prematura de Jimi Hendrix o deixou profundamente abalado, também. É um terceiro fator.

A exemplo de muitos, cresceu imaginando que seus avós eram seus pais, quando, na verdade, soube mais tarde, sua irmã mais velha era a sua mãe de fato. É um caso semelhante ao do do ator Jack Nicholson. É um bom prato para a disfuncionalidade emocional. Não deve ter sido fácil para o inglês. Retirou-se da cena musical por uns tempos e retornou por meio da ajuda dos amigos, principalmente de Peter Townshend, com uma apresentação que virou disco: Eric Clapton’s Rainbow Concert, em 1973. Produzido por Glyn Johns, subiu ao palco com um elenco de estrelas. Além de Pete, lá estavam seus amigos Ron Wood, Steve Winwood, Rick Grech, Jim Capaldi, Jimmy Karstein e Rebop. Contratado pela Island Records, de Chris Blackwell, voltou a gravar regularmente. Um dos destaques é, justamente, Presence of the Lord.

No show do Rainbow, como na original, no Blind Faith, é cantada por Steve Winwood.




Uma interpretação muito boa é a de Lizz Wright. Está no álbum Fellowship (Verve, 2010). Se você tiver curiosidade, leia mais sobre Lizz em http://bit.ly/WkImI5 e http://bit.ly/SjW47j.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Primeiro, Eric Clapton e depois, Ringo Starr

Clapton jovem
No mês de outubro, recebemos a visita de Eric Clapton. Foi a segunda apresentação do britânico, dez anos depois da primeira. A de São Paulo ocorreu no feriado de Nossa Senhora Aparecida. Em uma noite agradável, Clapton apresentou sucessos, alguns antiquíssimos.

Mr. Slowhand, como o ator Jack Nicholson, foi criado pelo marido e avó, imaginando-os sendo seus pais, quando, na verdade, era filho da irmã mais velha, que o teve quando tinha 16 anos.

Com 18 anos, estava tocando com o lendário Yardbirds, por onde, logo depois, passariam dois outros guitarristas que se tornariam lendários: Jeff Beck e Jimmy Page. Logo depois, foi tocar na banda John Mayall and The Heartbreakers. Alcançou sucesso meteoricamente. Juntou-se ao baixista e cantor Jack Bruce e ao baterista Ginger Baker e formaram o grande “power trio” de todos os tempos, o Cream. Era ego demais por centímetro quadrado. Durou pouco.

Os jovens pichavam nos muros: “Clapton is God”. Mas outro “deus” despontava no cenário inglês: um negro americano chamado Jimi Hendrix “perdido” na metrópole. Dizem que (não li a autobiografia recém-lançada de Clapton) a morte precoce de Hendrix o abalou profundamente.

Até hoje, Clapton canta músicas que compôs na época do Cream. São hits antiquíssimos, coisa de mais de quarenta anos. Parte da plateia do Estádio do Morumbi nem tinha nascido. Isso parece ser um fenômeno mais recente: muitos astros não sobreviveram – caso de Elvis Presley, por exemplo, aos seus sucessos. Hoje, astros sessentões – ou quase setentões – ainda pulam como macacos nos palcos e despertam o interesse de uma juventude de vinte e poucos anos. É muito interessante ver um adolescente cantando animadamente, e de cor, uma canção que tem mais que o dobro de sua idade, como no caso dos shows de Paul McCartney.

Outro astro que, em outros tempos, seria chamado de “dinossauro do rock” – ninguém, hoje, ousaria classificar Mick Jagger assim – desembarcou no mês passado: Ringo Starr. A impressão é que o baterista é mais “respeitado” agora do que quando era componente dos Beatles. “Chegou” depois, substituindo Pete Best. É um peso. Por muitos era considerado quase um apêndice; próximo das personalidades fortes e presentes da dupla compositora Lennon & McCartney (assim assinavam apesar de a maioria das músicas ser de apenas de um deles, com “a little help” do outro), George Harrison, guitarrista tímido e habilidoso e “segundo” compositor do quarteto, “sobrou” pouco para Ringo. Compôs algumas canções: Don’t Pass by Me e Octopus’s Garden. Agora, era um cara engraçado. Lembro de uma entrevista com os Beatles para alguma estação britânica em que se ouve a voz de John Lennon, de Paul, de George (menos) e nada da fala de Ringo. O locutor diz: “Ringo, diga alguma coisa.” Ele: “au!, au!, au!”

Sem aviso, acho que até para ele, e bem mais tarde, começaram a dizer: “Não, Ringo era um bom baterista”, “a bateria de Ringo era essencial para a qualidade da música dos Beatles” e, por aí vai. Sua personalidade um tanto histriônica, de certo modo, o deixou em evidência, depois do fim dos Beatles (é autor de, praticamente, um sucesso solo: It Don’t Come Easy), meio como uma celebridade, e nem tanto como músico. Quem “resolveu” colocá-lo no céu foram os membros da banda britânica Oasis, a ponto de o filho de Ringo, Zak Starkey ter-se tornado membro como baterista.

Pois, não é que lembraram dele para se apresentar no Brasil? A preços exorbitantes. Não conheço ninguém que foi vê-lo. Bem, não deixa de haver alguma magia em assistir a uma apresentação de Ringo Starr, imagino

Harrison e Clapton nos backing vocals na “ONU”, em Water
Só o amigo Rui Moreira Leite para achar um elo entre as apresentações tão próximas de Eric Clapton e Ringo Starr. Rui foi “buscá-lo” em um filme, que nem deve ter sido exibido no Brasil, chamado Water. Não assisti, portanto não posso dizer muita coisa dele. Pelo que li na internet, faz aquele gênero “comédia maluca” e foi dirigido por Dick Clement e estrelado por Michael Caine e Valerie Perrine. Water é uma produção da HandMade Films – mais um “elo” –, de George Harrison.

O Rui, que viu o filme (tem no YouTube, dividido em sete partes), disse que tem uma cena impagável satirizando a ex-primeira-ministra Margareth Thatcher. Todo esse papo furado serve para mostrar os dois juntos – Ringo e Clapton –, além de George Harrison, tocando juntos na banda de apoio de uma dupla de “revolucionários” (imagino) “cantando” na sede da ONU para uma plateia de representantes mundiais.






Assista ao vídeo:

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O outono de Eric Clapton

Acaba de ser lançado mais um disco de Eric Clapton. Chama-se Clapton. A capa é apenas a imagem do guitarrista, que já está autorizado a estacionar seu carro na vaga dos idosos quando vier ao Brasil.

Capa do no CD de Eric Clapton
Clapton está no caminho de ser eterno. Nada mal para quem foi chamado de Deus na década de 1960. Depois de fazer o caminho inverso indo ao inferno, sobreviveu e alguns irão conjeturar que o guitarrista é imortal. Na música, demonstra estar “bom de cascos”. Em qualquer coisa que faça está estampado o “selo de qualidade EC”.

As músicas incluídas no último CD percorrem trilhas dos blues – nas quais está sempre à vontade – do R&B e até de standards como a quase octagenária Rockin’ Chair, de Hoagy Carmichael, eternizada por Louis Armstrong e Jack Teagarden cantando juntos, How Deep Is the Ocean e até um clássico francês, que ganhou letra em inglês de Johnny Mercer.

Les feuilles mortes, música de Joseph Kosma e letra do poeta Jack Prevert, foi composta em 1945. Em inglês ficou Autumn Leaves – folhas de outono – e foi gravada por um sem- número de intérpretes do mundo todo. Não dá para dizer se Clapton está no outono da vida – como se diz dos que atingem o que chamam de “melhor idade” e que, antigamente, era “terceira idade” –, pois a humanidade está ficando centenária e EC é eterno.

Ouça Autumn Leaves.