A palavra Capricho vem de “capriccio”, do italiano. É uma palavra interessante pelas formas com que é usada. Uma delas é dizer que “fulana é caprichosa”, o que pode significar que faz as coisas com cuidado, esmero. Ao mesmo tempo, pode ser alguém que fica a mudar de ideia a toda hora. E, efetivamente, é o nome de uma revista cinquentenária da editora Abril, conhecida por ser uma das pioneiras em publicar fotonovelas. Antes das telenovelas faziam o maior sucesso. Provavelmente pessoas com menos de 40 anos nunca viram ou leram uma.
Antes ou depois disso, é uma nomenclatura utilizada na música. Muitos devem conhecer os 24 Caprichos de Paganini, no original italiano, “caprices”, variação de “capricci” ou “capriccio”. O termo é usado também por Rimsky-Korsakov em Capriccio Espagnol e Igor Stravinsky em Capriccio para Piano e Orquestra. Capriccio é o título da última ópera de Richard Strauss. Não deve deixar de ser citado seu uso em outras formas de arte. São célebres as 80 gravuras da série Los Caprichos, do espanhol Francisco Goya.
Quem acompanha Hamilton de Holanda no Facebook deve desconfiar que ele possui o dom da ubiquidade. Um dia está se apresentando em São Paulo, ou na Itália ou Alemanha, gravando um novo disco com não sei quem, ensaiando com Paulinho da Viola para uma apresentação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, enfim, a impressão é a de que está em vários lugares ao mesmo tempo tal a sua hiperatividade profissional. Nessa toada, são lançados álbuns, um atrás do outro, com sua participação. Lançou dois geniais no ano passado: Mundo de Pixinguinha e Que Será, este em parceria com Stefano Bolani. No terceiro, chamado Trio, que não conheço, fazem parte alguns “caprichos”: Capricho de Raphael, de Espanha, do Sul, do Carmo e de Santa Cecília.
Outros caprichos vieram e juntam-se aos citados anteriormente e transformaram-se em um álbum duplo. Como os “caprichos” de Paganini, os de Hamilton totalizam 24. Quer conhecê-los? Fácil. Ele disponibilizou na internet “de grátis”. É só digitar http://hamiltondeholanda.com/caprichos/#musicas.
Veja Hamilton tocando Capricho do Sul, composta
Veja-o em Capricho do Carmo.
Capricho do Raphael.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
terça-feira, 20 de maio de 2014
As Quatro Estações, recompostas por Max Richter
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| André de Ridder, Richter e Daniel Hope, unidos por Vivaldi |
Vivaldi, deprimido e endividado, nunca imaginaria que suas peças tornariam-se tão populares e por tanto tempo. Se royalties pudessem ser enviados post mortem e usufruídos no paraíso ou no inferno, ótimo. O fato de ter sido padre, certamente, não deve ter sido garantia para a abertura das portas do céu.
O fato de Max Richter ter menos de 50 anos é uma boa pista para o tipo de música que compõe. Percebem-se influências dos mais velhos minimalistas como Philip Glass e Steve Reich e neoclássicos como Arvo Pärt e até da “ambient music” de Brian Eno.
A releitura que faz das Quatro Estações no álbum intitulado Recomposed by Max Richter, lançado em abril pelo selo Deutsche Grammophon é Vivaldi que passou por esses compositores incorporando elementos da linguagem tonal contemporânea.
O compositor. O nome de Max Richter pode não ser muito conhecido, até pelo público amante da música erudita. É, no entanto, autor de trilhas de filmes visto por milhares de pessoas, como Valsa para Bashir, de Ari Folman, e A Chave de Sarah, de Gilles Paquet-Brenner. Tendo como referência dois álbuns de Richter lançados pela Deutsche Grammophon – Songs from Before (2006) e 24 Postcards in Full Colour (2008) –, percebe-se a sua preferência por sons climáticos, bem apropriados para o cinema. As Quatro Estações não foram compostas para algum filme, evidentemente, mas funcionam muito bem para esse propósito. Essa é uma das razões do tremendo acerto na “recomposição” empreendida por Max Richter. Um dos destaques é Summer 3 pela energia e maestria do violinista Daniel Hope.
Confira.
Veja a íntegra de Vivaldi Recomposed by Max Richter, com o próprio nos teclados eletrônicos, Daniel Hope e orquestra.
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