Seria melhor que assinasse com o nome inteiro: Kinga Heming. Ao ir às poucas referências – se procuramos por “kinga” ou “kinga singer”, encontramos no máximo o grupo inglês King’s Singers –, nada. Com um pouco de insistência, digitando também o título de algum disco seu, chegamos à Kinga e descobre-se que o sobrenome é Heming. Na minha opinião, não é um bom nome artístico.
Kinga nasceu na Polônia. Continuo a não fazer ideia se é um nome comum por lá ou se é um apelido. A família mudou-se para Amsterdam, e logo fixaram residência em Ottawa, Canadá. Tomou gosto pela música porque sua mãe vivia a ouvir Tony Bennett e Frank Sinatra pela casa (essa é clássica nas biografias, assim como ser filho ou filha de pastores) e o pai tocava jazz em cabarés.
Até onde sei, Kinga tem dois álbuns: Kinga (2007) e Guess Who I Saw Today (2016), que foi lançado também com outro nome – It’s Magic. Ao ouvi-la cantar Guess Who I Saw Today, imediatamente sua voz me faz lembrar a de Nancy Wilson, talvez porque seja ela a autora de uma das melhores interpretações dessa bela música. Às vezes, lembra a de Dionne Warwick. O que se pode dizer, com certeza, é a de que estamos frente a uma intérprete de bela voz, tremendamente segura, e que os dois álbuns fazem pensar que é estranho não ser mais conhecida.
O repertório é um ponto a favor. Do de 2007, temos standards como Crazy He Calls Me, You’ll Never Know, Two for the Road, Only Trust Your Heart, Desafinado, This Happy Madness (Estrada Branca, de Tom Jobim), Dream a Little Dream of Me e também números de sabor mais pop como You Are the Sunshine of My Life, de Stevie Wonder. O álbum tem números excepcionais como I Wish You Love (Que reste-t-il de nos amours?), de Charles Trenet, e todas as acima citadas. Daria nota 9, porque 10, só para os deuses.
É até inexplicável ter lançado o segundo álbum (estou me fiando em seu site oficial) quase dez anos depois, porque pelo que fez no primeiro merecia torná-la conhecida. Devemos considerar que, apesar da proximidade com os Estados Unidos e a língua falada em comum, um universo de ótimos intérpretes não seja muito conhecido. Só de cantoras, o Canadá tem Sophie Milman, Susie Arioli, Carol Welsman, Emile-Clarie Barlow, além, é claro, Diana Krall, que virou um sucesso depois de entrar no mercado norte americano.
Guess Who I Saw Today também é excepcional. Vai pelo mesmo caminho. Mescla clássicos como It’s Magic, de Walter Donaldson e Sammy Cahn, Mood Indigo, Love Me or Leave Me com clássicos mais recentes como This Bitter Earth, de Clyde Otis, Don’t Let Me Be Misunderstood, conhecida nas vozes de Eric Burdon e Nina Simone, I Think Is Gonna Rain, de Randy Newman, What a Difference a Day Made, da mexicana Maria Grever, eternizada por Dinah Washington, e a genial Ain’t No Sunshine, de Bill Whiters. Acompanhada por uma super banda com um naipe de sopros muito bom, os arranjos de Bill King não são convencionais como costuma ser em álbuns desse tipo.
Ouça This Bitter Earth.
Ouça What a Difference a Day Made.
Ain’t No Sunshine.
Veja o clipe oficial de It’s Magic.
Se você quiser ouvir o álbum na íntegra: http://www.kinga-jazz.com/ Clique em “music”
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