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| Foto da capa de Hotmosphere (Pablo, 1976) |
Dom Um fazia o diabo na bateria, misturando samba, bossa nova e jazz. Para Armando Pittigliani, influenciou todos os bateristas surgidos depois dele. Diz que “não há realmente um baterista jovem que não tenha um pouco de Dom Um no seu ‘jogo de pratos’, na sua acentuação do grande bombo, na marcação do contratempo no prato-de-pé e sobretudo naquele contra ritmo, com a baqueta esquerda cruzada sobre a caixa, que é, diga-se de passagem, um dos fortes do fabuloso drummer.” Alguns o chamavam de “Mefistófeles da Bateria”, pelo que fazia no instrumento e também pelas características faciais.
Em 1964, Romão gravou seu primeiro álbum, chamado Dom Um, como líder. Com arranjos de Waltel Blanco, com participações de JT Meirelles, Kaximbinho, Cipó, Jorginho e Paulo Moura, é uma aula .
Tendo participado de Flora Purim é MPB (RCA, 1965), Dom Um foi convidado pelo produtor e dono da Pablo Records a mudar-se para os EUA. Tocou com Stan Getz, Astrud Gilberto, participou também do famoso álbum de Tom Jobim com Frank Sinatra, excursionou pela Europa e fez parte do Brazil ’66, de Sérgio Mendes.
Acompanhando Flora Purim, Airto Moreira, pouco depois de ter mudado para os EUA, teve a sorte de ser apresentado a Miles Davis. Foi tão sortudo que é um dos que participa de Bitches Brew, , considerado o marco do jazz fusion. Dois outros membros regulares da banda, Joe Zawinul e Wayne Shorter, criaram o Weather Report e levaram Airto.
Airto participou do disco de estreia do Weather, mas tinha assumido cumprir uma agenda de shows com Miles Davis e preferiu sair. Dom Um Romão entrou na banda por sua recomendação. Ficou até meados de 1974.
Por conta de estar em uma banda tão importante, Romão chamou a atenção da gravadora Muse e lá gravou dois álbuns: Do Um Romão (1972) e Spirit of the Times (1973). Os dois têm mais ou menos as mesmas formações instrumentais e mesclam composições próprias, algumas de Dom Salvador, com quem tocara no início dos 1960, no Brasil, e de autores brasileiros como Edu Lobo, Milton Nascimento e Sivuca. São bons discos.
Ouça Ponteio, que está em Spirit of the Times.
Depois
Dom Um entrou para a superbanda Blood, Sweat & Tears, mudou-se para a Europa e montou a Dom Um Romão Quintet. Depois disso, não soube mais dele. Sei que morreu em 2005. Noutro dia, “descobri” um álbum chamado Rhythm Traveller, de 1998, produzido por Arnaldo DeSouteiro, gravado com músicos brasileiros. Interessante. Ainda ouço o seu primeiro solo, de 1964, para admirar o seu jeito único de tocar.
De Rhythm Traveller, muito boa é a versão para o clássico Mysterious Traveller. Como eu gostava dessa composição de Wayne Shorter! Acho que foi o último do Weather em que participou.
Ouça.
Ouca o seu primeiro, de 1964, com vários clássicos brasileiros. A batida em Telefone, de Menescal, é irresistível.
Ouça o primeiro álbum lançado pela Muse, de 1972.
Ouca Spirits of the Time na íntegra.
