Enquanto as majors , como diria um sambista, nem despertaram ao raiar do novo ano, a ECM está pisando fundo no acelerador. Nem se inicia o terceiro mês do ano e temos novos álbuns de grandes músicos como John Surman, Andy Sheppard, Norma Winstone e Bobo Stenson, bem conhecidos por quem acompanha a gravadora de Manfred Eicher. Fundada em 1969, é ainda um selo inovador. O alemão não dorme no ponto.
Ainda, como diria um locutor de futebol, no “apagar das luzes de 2017”, saíram quatro álbuns que, se não fazem o gosto mais popular, deve-se reconhecê-los pela qualidade e variedade. São eles:
Anouar Brahem – Blue Maqams
Maciej Obara Quartet – Unloved
Django Bates’ Belovèd - The Study of Touch
Jon Balke - Nahnou Houm
O tunisiano Brahem, mestre no oud, similar ao alaúde, toca com Djando Bates, Dave Holland e Jack DeJohnette. É o tipo de som que não é para todos. Este, até pelos músicos que tocam com ele, é menos melancólico do que a maioria de seus discos.
Assista ao vídeo promocional.
Eicher gosta de fazer troca-troca com o seu plantel. O mesmo Bates aparece em “The Study of Touch”. O inglês, que fisionomicamente lembra vagamente Flea, o baixista do Hot Chili Pepppers, gravou dois álbuns com a banda First House, pelo selo, e algumas participações de outros músicos. Não é meu pianista preferido.
Assista ao vídeo promocional.
O tecladista e percussionista Jon Balke é outro bem conhecido dos “ecmemaníacos”. Gravou mais de uma dezena de álbuns por esse selo. A estreia na ECM foi fazendo parte do combo do baixista Arild Andersen em “Clouds in My Head”. Seu nome está associado a várias bandas, cada qual a seguir uma direção: Masqualero, com Arild Anderson e Jon Christensen, Magnetic North Orchestra, Batagraf e Siwan. Em comum, é seu gosto pela música étnica, principalmente pelos ritmos africanos, árabes e a andalusa, calcada na tradição moura, de quando dominaram a Península Ibérica.
Seu mais recente é “Nahnou Houm”, vai pela seara da música espanhola, com a formação que ele nomeia como Siwan. No disco de 2009, cujo título foi esse, contou com Amina Alaoui. A marroquina é o ponto fora da curva. Depois de “Siwan” (2009), gravou como líder “Arco Íris” (2011). Em “Nahnou Houm”, um dos músicos é iraniano, outro é turco, e os outros, noruegueses contrrâneos dele, e a a voz é da argelina Mona Boutchebak. É menos interessante que o de 2009, o que não quer dizer que não seja bom. Mas é meio monótono.
Ouça “Castigo”., de Balke.
Deixei “Unloved”, de Maciej Obara, porque é o melhor dos quatro. Em sua estreia, o polonês não faz feio. Para quem gosta do “som ECM”, é um prato cheio. É bem o estilo. Obara prioriza o melódico ao uptempo. Provavelmente gravará outros pela ECM. Quem chama a atenção é o pianista. Quase certeza que Dominik Wania, polonês também, ganhará a chance de ter seu álbum solo. Ele é muito bom.
Veja o promocional de “Unloved”.