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| Bowie. Na foto do fundo, com William Burroughs |
Agora em 23 de março será inaugurada a exposição Bowie Is, no Victoria & Albert Museum, Londres. Seus organizadores nem imaginavam que o cantor e compositor fosse lançar um novo álbum. É uma boa coincidência, e Bowie é um sujeito imprevisível. Quando todos imaginavam que tivesse assinado a sua aposentadoria, reaparece. Foi convidado a se apresentar nas últimas Olimpíadas e recusou. Estava nos estúdio há tempos gravando e ninguém, fora os envolvidos, sabia de nada. Nenhuma faixa vazou pela internet, senão por suas mãos.
A primeira surpresa foi a divulgação de um clipe com Where Are We Now? (veja em http://www.youtube.com/watch?v=QWtsV50_-p4), a 6 de janeiro, dia de seu aniversário. Não achei nada de excepcional. É uma música evocativa, meio saudosa. Não entrei no clima.
Mas, agora, na semana passada, disponibilizaram o clipe de The Stars (Are out Tonight), dirigido por Floria Sigismondi, com Tilda Swinton. Uma observação: impressionante a capacidade da inglesa de se “transformar”. No clipe, em algumas cenas, ficamos confusos, sem saber se é ela ou Bowie. Pessoalmente, acho-a parecida com Thom Yorke, do Radiohead.
Faixa por faixa
1. The Next Day. Bom começo. Baixo e bateria pesados, riffs básicos de guitarra de ótimo gosto.
2. Dirty Boys. Mais lenta, notas breves de saxofone abrem a canção. Guitarras muito boas e leve efeito nas vozes.
3. The Stars (Are out Tonight). A canção que serviu de divulgação com um belo clipe com Tilda Swinton é a melhor do disco.
4. Love Is Lost. Não é tão boa quanto a anterior, mas a combinação dos contínuos dos teclados com as batidas marcadas em alternâncias com os vocais funciona.
5. Where Are We Now? é uma das baladas de The Next Day. Como disse, não gostei muito. É meio melosa e os teclados me desagradam.
6. Valentine’s Day. Bom, o nome diz alguma coisa. Mais uma balada. Não me pegou. Tem aquele backing vocal “sha-la-la”.
7. You Can See Me Now. É a segunda melhor, na minha opinião. Meio quebrada, o baixo marcado de Gail Ann Dorsey (quem a viu em ação em apresentações sabe da presença dessa instrumentista) e sua participação nos vocais fazem a diferença.
8. I’d Rather Be High. Outra boa faixa. Os vocais de Bowie estão sempre próximos de um certo dramatismo teatral. Funciona.
9. Boss of Me. Dispensável
10. Dancing in the Space. Boa. Lembra outras de Bowie. Teclados produzem sons estranhos fazendo fundo para a bateria e o baixo. As guitarras nunca estão em primeiro plano, mas são a alma da música.
11. How Does the Grass Grow? Começa com uma guitarra bem distorcida, à la Robert Fripp, entra a voz de Bowie. É jovial, com direito a “na-na-nas”. É música de alta voltagem. Não parece música composta por um respeitável senhor de 66 anos, com um enfarte nas costas.
12. (You Will) Set the World on Fire. Está no nível de Boss of Me: esquecível.
13. You Feel So Lonely You Could Die. Baladona. Vai no modelo de outras baladas de Bowie, com direito a cordas e aqueles acordes de piano próximas ao mau gosto. Assim mesmo, não é mal.
14. Heat. É a mais estranha do álbum. Belo fecho. É uma daquelas inclassificáveis. Lá está o Bowie dramático, meio “lost in space”. Lembra vagamente, mas de um outro jeito, o estranhamento que causaram Low, Lodge e Heroes, trilogia berlinense de Bowie. É bem provável que o contexto da capa de Heroes com o quadrado branco se explique aqui, em Heat.
