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| Donna Lewis e The Bad Plus |
Donna Lewis é uma intérprete pop com dois sucessos que nem podem ser comparados a várias de Madonna: I Love You Always Forever, de 1996, e At the Beginning, em duo com Richard Marx, do longa animado Anastasia. É pouco. Inicialmente contratada por um selo grande, a Atlantic Records, passou a gravar independentemente e, a partir daí, quase não se falou mais dela. Não se afastou da música, contudo. Participou de vários projetos em que não era protagonista.
David Torn, além de músico e produtor, é autor de várias trilhas de cinema. Lançou álbuns solo pela ECM e tocou com vários músicos importantes como David Sylvian, Jan Garbarek, Tony Levin, Tori Amos, kd lang, David Bowie e Laurie Anderson. Em 2011 lançou o EP Chute com Donna nos vocais.
Juntando as partes
Na época em que gravava com David Torn, este lhe disse que imaginava a sua voz com um trio de piano, baixo e bateria, e via que “poderia ser muito cool”. Ela não se entusiasmou. A última coisa que passaria pela sua cabeça seria fazer o mesmo que muitos astros do pop, a certa altura (descendente) da carreira: gravar um disco com standards de jazz, na maioria, caça-níqueis, como aqueles de Rod Stewart, Luis Miguel ou Linda Ronstadt.
Mas a ideia prosperou. Nesse ponto entra o toque de Midas, ou seja, o do produtor inteligente. Torn pensou no piano, baixo e bateria do trio The Bad Plus.
As músicas escolhidas são outro ponto que transforma Brand New Day especial. Os únicos standards são Walk on By, de Burt Bacharach, e Águas de Março, de Tom Jobim, nem mesmo assim, standards tradicionais como aqueles de George Gershwin e Cole Porter. As restantes são, ou composições de Donna, ou temas da música popular escolhidas a dedo: Helpless, de Neil Young, Crazy, de Gnarls Barkley, Bring Me the Disco King, de David Bowie, e Amie, de Damien Rice, dentre outros, em versões bem diferentes. É onde mora a originalidade e a importância do leitor de conhecê-las.
Vamos aos destaques. A primeira é Sleep, composição de Donna Lewis. Assista ao vídeo.
Bring Me the Disco King é a segunda faixa, composição de David Bowie, do álbum Black Tie White Noise, de 1993. O acompanhamento é puro Bad Plus.
Crazy fez um tremendo sucesso. Ce Lo Green explodiu com essa vigorosa composição. É outra interpretação excepcional de Donna.
Ouça também Águas de Março, outra bela interpretação.
Ouça Walk on By, de Burt Bacharach e Hal David.
Ouça Amie. Donna capta muito bem a melancolia dilacerada de Damien Rice, mais conhecido por Blower’s Daughter, música tema do filme Closer, de Mike Nichols.
E, finalmente, a clássca Helpless, de Neil Young.
Leia também sobre The Bad Plus executando A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, em: http://bit.ly/1aMHnsx

