Antecedendo-o, são vários os barítonos conhecidos; desde os mais antigos, como Gerry Mulligan, Harry Carney, Serge Chaloff, Pepper Adams e Cecil Payne, até os um pouco mais novos como Wycliffe Gordon, John Surman, Gary Smulyan, Joe Temperley, Clare Daily, Lisa Parrott, Roswell Rudd e Ronnie Cuber, é um instrumento bem presente no jazz e vital em formações maiores como big bands.
No tempo em que passei a gostar de jazz, Gerry Mulligan era o mais conhecido em razão de sua parceria com Chet Baker, mas o primeiro a me fazer passar a gostar do barítono, foi Harry Carney. Ao descobrir o som das big bands de Duke Ellington, foi o que mais me chamou a atenção.
Mais ou menos na mesma época, foi lançado no Brasil o álbum “Extrapolation” (Polydor, 1969), de John McLaughlin, gravado na Inglaterra. Depois de emigrar para os EUA, tocou na banda de Tony Williams e na de Miles Davis. Ao seguir carreira solo, montou a Mahavishnu Orchestra. Era esse o trabalho de McLaughlin que conhecia. Ao ouvir “Extrapolation’, cujo partido era bem diverso de suas participações jazz-rock e/ou “esotérico-elétrico”, este álbum passou a ser um dos meus “dez mais”. E a razão, além da bela guitarra, foi o sax barítono de John Surman.
Mais ou menos na mesma época, foi lançado no Brasil o álbum “Extrapolation” (Polydor, 1969), de John McLaughlin, gravado na Inglaterra. Depois de emigrar para os EUA, tocou na banda de Tony Williams e na de Miles Davis. Ao seguir carreira solo, montou a Mahavishnu Orchestra. Era esse o trabalho de McLaughlin que conhecia. Ao ouvir “Extrapolation’, cujo partido era bem diverso de suas participações jazz-rock e/ou “esotérico-elétrico”, este álbum passou a ser um dos meus “dez mais”. E a razão, além da bela guitarra, foi o sax barítono de John Surman.
Poucos anos depois, foram lançados alguns LPs de uma nova gravadora alemã, que estava causando furor entre os “descolados”. Um deles era “Upon Reflection” (1979), do mesmo Surman. Foi a segunda vez que o ouvia. Além do barítono, tocava clarineta baixo e sax soprano. Todo o disco são solos em overdubs sobre bases tocadas em diversos teclados eletrônicos. Desde então, John Surman tornou-se o meu baritonista preferido.
Ouça “Edges of Illusion”, de Surman.
O primeiro álbum por um selo americano
James Carter gravou o primeiro disco como líder em 1994 pelo selo japonês DIW. Depois de “JC on the Set”, lançou “Jurassic Classics”. No mesmo ano, 1995, saiu “The Quiet Storm”, o primeiro por um selo americano. O álbum é um showcase de suas habilidades, não apenas no sax barítono, mas também no soprano, no alto, no tenor, na flauta baixo e na clarineta baixo. Em cada faixa, composta, em sua maioria, por jazz standards, como “You Never Told Me That You Care” (Sun Ra), “1944 Stomp” (Don Byas), “Born to Be Blue” (Mel Tormé e Robert Wells), “A Ballad for a Doll” (Jackie McLean), “Eventide” (Bill Dogett), The Stevedore’s Serenade” (Duke Ellington) e “Round Midnight” (Thelonious Monk), e duas composições próprias – “The Intimacy of My Woman’s Beautiful Eyes” e “Deep Throat Blues” –, Carter as executa em um instrumento diferente. Mestre nas várias modalidades de sopro, no barítono é genial.
Pela Atlantic, lançou mais quatro, na Columbia, apenas um – “Gardenias for Lady Day”, em homenagem a Billie Holiday – e, nos últimos tempos, imagino que não possua um contrato fixo, pois cada disco sai por um selo diferente. A formação mais frequente tem sido um organ trio e a música tende ao rhythm’n’blues e Carter tem preferido os sons mais rasgados e ásperos, que não fazem muito o meu gosto.
O James Carter que fica registrado é o de um show no Bourbon Street Music Club, em que, convidado pelo Carlos Conde, assisti na mesa mais próxima do palco. Sua presença, quase dois metros de altura, vestido impecavelmente com um costume caramelo claro, contrastando com a sua cor, e o saxofone dourado, às primeiras notas, foi impactante. E tocou muito. Mas a maior lembrança é de quando ouvi pela primeira vez “’Round Midnight” no barítono, duo belíssimo com Craig Taborn ao piano. Foi o que me fez interessar-me em ouvir outros discos dele.
Ouça. A impressão é a de que ele resolveu mostrar ao que veio ao público americano. Além do som hipnótico de seu sax, há uma passagem em que mantém uma nota em sopro circular por um tempo absurdo.
Ouça também “You Never Told Me That You Care”. É hipnótico também no tenor.
James Carter gravou o primeiro disco como líder em 1994 pelo selo japonês DIW. Depois de “JC on the Set”, lançou “Jurassic Classics”. No mesmo ano, 1995, saiu “The Quiet Storm”, o primeiro por um selo americano. O álbum é um showcase de suas habilidades, não apenas no sax barítono, mas também no soprano, no alto, no tenor, na flauta baixo e na clarineta baixo. Em cada faixa, composta, em sua maioria, por jazz standards, como “You Never Told Me That You Care” (Sun Ra), “1944 Stomp” (Don Byas), “Born to Be Blue” (Mel Tormé e Robert Wells), “A Ballad for a Doll” (Jackie McLean), “Eventide” (Bill Dogett), The Stevedore’s Serenade” (Duke Ellington) e “Round Midnight” (Thelonious Monk), e duas composições próprias – “The Intimacy of My Woman’s Beautiful Eyes” e “Deep Throat Blues” –, Carter as executa em um instrumento diferente. Mestre nas várias modalidades de sopro, no barítono é genial.
Pela Atlantic, lançou mais quatro, na Columbia, apenas um – “Gardenias for Lady Day”, em homenagem a Billie Holiday – e, nos últimos tempos, imagino que não possua um contrato fixo, pois cada disco sai por um selo diferente. A formação mais frequente tem sido um organ trio e a música tende ao rhythm’n’blues e Carter tem preferido os sons mais rasgados e ásperos, que não fazem muito o meu gosto.
O James Carter que fica registrado é o de um show no Bourbon Street Music Club, em que, convidado pelo Carlos Conde, assisti na mesa mais próxima do palco. Sua presença, quase dois metros de altura, vestido impecavelmente com um costume caramelo claro, contrastando com a sua cor, e o saxofone dourado, às primeiras notas, foi impactante. E tocou muito. Mas a maior lembrança é de quando ouvi pela primeira vez “’Round Midnight” no barítono, duo belíssimo com Craig Taborn ao piano. Foi o que me fez interessar-me em ouvir outros discos dele.
Ouça. A impressão é a de que ele resolveu mostrar ao que veio ao público americano. Além do som hipnótico de seu sax, há uma passagem em que mantém uma nota em sopro circular por um tempo absurdo.
Ouça também “You Never Told Me That You Care”. É hipnótico também no tenor.
