quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O novíssimo do velho Moby

A foto da capa de “Innocents” é de Moby
O dado bacana da biografia de Moby é que, nascido Richard Melville Hall, é parente do escritor Herman Melville, autor do clássico Moby Dick. A escolha do nome “Moby” vem daí.

O dado da curiosidade é que ele é adepto da alimentação vegan. Drogas naturais e sintéticas são toleradas, carnes e alimentos que contêm derivados animais como leite ou ovos, não. Por um tempo, Moby foi dono de uma casa de chá vegan em Nova York.

Os óculos de aro preto lhe dão um certo ar nerd, meio intelectual, e nem parece um artista de palco, naquele estereótipo do doidão cheio de tatuagens, cabelos longos ou penteados e visual inusitados. Faz o gênero “normal”, sempre vestindo camisetas, apesar de ter consumido alguns tipos de drogas que não constam do receituário vegan.

Em um vídeo, Moby, com um desses teclados que custam menos de cem dólares, mostra como é fácil fazer música. Olhando, parece mesmo. Sua música é enganadoramente “fácil” e faz o gosto de um público amplo. Vendeu mais de vinte milhões de discos até agora. Não é pouco. Sua música é uma mistura de muita eletrônica e uma melancolia atávica, um tipo que pode fazer a alegria de um órfão do Joy Division, de um adolescente rebelde ou de um “coxa”.

Moby, em seu site fala sobre Innocents, que será lançado no início de outubro: “O álbum é chamado de inocentes: só para ficar claro (e possivelmente um pouco pedante), 'inocentes', no plural, como em ‘um encontro de inocentes’ ou um “bando de inocentes’ ou qualquer que seja a nomenclatura, é para inocentes.”

Em Innocents, Moby conta com a colaboração de Mark “Spike” Stent, que trabalhou com Bjork e o Massive Attack. Conta também com vocais de Wayne Coyne, do Flaming Lips, Damien Jurado, Skyler Grey, Inyang Bassey, Mark Lanegan, ex-Screaming Trees e Queens of The Stone Age, e Cold Specks.

Moby é melancólico, como sempre, talvez esteja um pouco mais, para a nossa alegria. Aliás, a única faixa “mais para cima” é The Perfect Life, que pode ser considerada a sua Ode à Alegria, (é o meu pretexto para citar Beethoven e Schiller). Algumas participações são especiais, principalmente as de Lanegan (sua voz lúgubre combina muito com a música do novaiorquino) e a de Cold Specks, que, às vezes, lembra Adele.

Veja o vídeo de A Case for Shame, com Cold Specks, dirigido por ele mesmo.




Ouça a participação de Mark Lanegan em The Lonely Night. É especial.




Veja o clipe de The Perfect Life, com Moby e Wayne Coyne.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O velho bruxo não sossega o facho

Hermeto, na Austrália
Primeiro é solo de Douglas DeVries no violão; depois, James McCauley sola no trombone. Aí, Hermeto faz um vocalise com a boca dentro de um copo que vira ao seu lado. A música é das mais belas composições do bruxo de Arapiraca: Bebê.

“O talento de fazer música virtualmente com qualquer coisa fez com que o apelidassem, dentre outras coisas, de bruxo”, afirma o redator do site da Monash University (http://artsonline.monash.edu.au). Quem assistiu a alguma apresentação de Hermeto Pascoal sabe do que é capaz. Com 77 anos nas costas, continua irreverente e, imagine no meio de vários estudantes de música australianos.

Durante um período de 2012, Hermeto ficou como artista residente da Sir Zelman Cowen School of Music, ligada à Monash University Academy of Performing Arts (MAPA), na Austrália. Nessa condição, participando de workshops, gravou Monash Sessions, que está sendo distribuído pela Jazzhead Recordings

Os arranjos do álbum são de Hermeto, com participação de Jordan Murray. Além dos dois, a banda é uma mistura de músicos profissionais e alunos. As gravações ocorreram em clima descontraído e Hermeto, como sempre, participa com intervenções, em português bem humoradas e inesperadas, intermediadas pelo violonista Douglas DeVries, especialista e aficionado pela música brasileira.

Ouça Bebê.



O melhor do disco é a faixa final, que não é exatamente uma música, mas uma demonstração de Hermeto ao falar para eles sobre um DVD que gravara. Ouça.

Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.