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| Jorge Amado e Dorival Caymmi, grandes amigos |
Seu melhor amigo, Jorge Amado, não ficava atrás. Oswald de Andrade o chamava de “Barba-Azul da linha justa”. Quando estavam juntos, era um alvoroço. Aliás, Jorge e Zélia Gattai passaram a namorar com uma pequena ajuda Caymmi. Em uma das vezes em que estavam em São Paulo, reunidos com seus colegas do Partido Comunista, o escritor ficou fascinado com a então casadíssima Zélia. Combinou que quando estivesse com ela, Dorival se aproximaria cantando “Acontece Que Sou Baiano”. Zélia não resistiu aos versos “Acontece que eu sou baiano/ Acontece que ela não é// Mas tem um requebrado pro lado/ Minha Nossa Senhora/ Meu senhor São José// Há tanta mulher no mundo/ Só não casa quem não quer/ Por que é que eu vim de longe/ Pra gostar dessa mulher.” Foi irresistível.
A relação de Jorge e Dorival foi muito mais que a simples amizade. Quando, depois da legalização do PC, Jorge candidatou-se a deputado, este o levava a tiracolo e na companhia de outro amigo, o pintor Clovis Graciano, andaram pelo estado de São Paulo em campanha. Caymmi nem era tão militante, mas fez o hino da campanha, levado pelo entusiasmo de seus amigos comunistas.
Mulheres, mulheres
Em 1945, quando terminou a guerra, Dorival já era bem conhecido. Em 1939, tinha lançado o primeiro disco solo, com “Rainha do Mar” e “Promessa de Pescador”. Estourou mesmo foi com “O Que É Que a Baiana Tem?”, que foi cantada por Carmen Miranda.
Em 1945, era famoso e duro, como Jorge Amado, principalmente na época pós-guerra, em que ambos recebiam mal e porcamente royalties por suas obras, fora a militância política, que não lhes permitia centrarem suas vidas nas suas profissões. Nesse mesmo ano, lançou “Dora”. Na verdade, tinha sido composta em 1942. No fim do ano anterior, em viagem ao Recife, Caymmi, estava em um bar quando passou um bloco de frevo arrecadando um trocado e à sua frente dançava com os pés descalços uma mulata clara de corpo escultural. Na mesma noite, tinha os primeiros versos: “Dora, rainha do maracatu e do frevo/ Dora, rainha cafusa do maracatu.”
Em 1945, Caymmi estava na Bahia e começou a compor “Doralice”. A musa inspiradora existiu de fato e não se sabe se aconteceu algo entre eles. Chamava-se Berenice. Ao voltar para o Rio de Janeiro, concluiu o samba, com o parceiro Antônio Almeida. Este lhe sugeriu que mudasse o nome para Doralice, porque lembrava “Dora”, lançada naquele ano.
Doralice viaja
“O Que É Que a Baiana Tem”, composta em 1938, teve os direitos comprados por uma empresa de cinema e foi gravada por Carmen Miranda. Foi a primeira vez em que Caymmi foi ouvido nos Estados Unidos.
“Doralice” foi gravada pela primeira vez pelos Anjos do Inferno, em 1945. Provavelmente, ficou conhecida fora do Brasil por meio da gravação de João Gilberto.
Ouça “Doralice”, com Allan Harris.
Virginie Teychiné deve ser desconhecida pela maioria dos brasileiros. É uma francesa que tem a pegada do jazz e um incrível balanço brasileiro.
A música de Caymmi tem uma característica regional bem evidente, o que não impede a sua internacionalização e cair no gosto gringo. Certamente, um dos responsáveis, além da pioneira Carmen Miranda, foi João Gilberto. Duas das canções do baiano foram registradas pelo mais prestigiado cantor de jazz dos últimos 15 anos. Kurt Elling cantou “Você Já Foi à Bahia” (“Passion World”, 2015) e “Rosa Morena” (“This Time It’s Love”, 1998).
Ouça “Rosa Morena” na voz de Kurt Elling.
Leia também: De como Marina surgiu na vida de Dorival Caymmi.
Mulheres, mulheres
Em 1945, quando terminou a guerra, Dorival já era bem conhecido. Em 1939, tinha lançado o primeiro disco solo, com “Rainha do Mar” e “Promessa de Pescador”. Estourou mesmo foi com “O Que É Que a Baiana Tem?”, que foi cantada por Carmen Miranda.
Em 1945, era famoso e duro, como Jorge Amado, principalmente na época pós-guerra, em que ambos recebiam mal e porcamente royalties por suas obras, fora a militância política, que não lhes permitia centrarem suas vidas nas suas profissões. Nesse mesmo ano, lançou “Dora”. Na verdade, tinha sido composta em 1942. No fim do ano anterior, em viagem ao Recife, Caymmi, estava em um bar quando passou um bloco de frevo arrecadando um trocado e à sua frente dançava com os pés descalços uma mulata clara de corpo escultural. Na mesma noite, tinha os primeiros versos: “Dora, rainha do maracatu e do frevo/ Dora, rainha cafusa do maracatu.”
Em 1945, Caymmi estava na Bahia e começou a compor “Doralice”. A musa inspiradora existiu de fato e não se sabe se aconteceu algo entre eles. Chamava-se Berenice. Ao voltar para o Rio de Janeiro, concluiu o samba, com o parceiro Antônio Almeida. Este lhe sugeriu que mudasse o nome para Doralice, porque lembrava “Dora”, lançada naquele ano.
Doralice viaja
“O Que É Que a Baiana Tem”, composta em 1938, teve os direitos comprados por uma empresa de cinema e foi gravada por Carmen Miranda. Foi a primeira vez em que Caymmi foi ouvido nos Estados Unidos.
“Doralice” foi gravada pela primeira vez pelos Anjos do Inferno, em 1945. Provavelmente, ficou conhecida fora do Brasil por meio da gravação de João Gilberto.
Ouça “Doralice”, com Allan Harris.
Virginie Teychiné deve ser desconhecida pela maioria dos brasileiros. É uma francesa que tem a pegada do jazz e um incrível balanço brasileiro.
A música de Caymmi tem uma característica regional bem evidente, o que não impede a sua internacionalização e cair no gosto gringo. Certamente, um dos responsáveis, além da pioneira Carmen Miranda, foi João Gilberto. Duas das canções do baiano foram registradas pelo mais prestigiado cantor de jazz dos últimos 15 anos. Kurt Elling cantou “Você Já Foi à Bahia” (“Passion World”, 2015) e “Rosa Morena” (“This Time It’s Love”, 1998).
Ouça “Rosa Morena” na voz de Kurt Elling.
Leia também: De como Marina surgiu na vida de Dorival Caymmi.
