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| Chrissie Shrimpton e Mick Jagger |
Quando a canção Angie foi lançada, em agosto de 1973, rapidamente chegou ao topo das paradas musicais. A especulação passou a ser quem poderia ter sido a musa inspiradora de tão tocante balada. Logo passaram a especular que poderia ser Angela, mulher de David Bowie. Do jeito que o casamento era aberto, com direito tanto com homens e com mulheres, era possível. Tão possível como uma transa de Mick Jagger com o inglês compositor de Ziggy Stardust. Outra Angie especulada foi Angie Dickinson, atriz com beleza, sensualidade e capacidade de despertar pensamentos pra lá de pecaminosos. Jagger disse, à época, que nem conhecia Angie. Mentira. Mas nem por isso teria sido a inspiradora. Segundo Keith Richards, a canção poderia chamar-se Mandy ou Randy. Ele tinha composto uma sequência de acordes e mostrou-a a Jagger, que fez a letra. Simples assim.
Ouça Angie.
Se Angela Bowie não serviu de inspiração, outras foram, como, por exemplo, a de Hey Negrita. Mick Taylor havia saído dos Rolling Stones. Procuravam outro guitarrista. Pensaram em Jeff Beck, Rory Gallagher e Peter Frampton, mas esses eram muito bons para aceitarem o papel de segundo de Richards, principalmente o primeiro, de ego descomunal. Terminaram por escolher Ronnie Wood. Para mostrar serviço, o ex-Faces mostrou um riff para Mick e Keith. Adoraram. Bob Marley era sucesso mundial e aquele riff daria um belo reggae. Assim surgiu Hey Negrita. Negrita era como Jagger chamava carinhosamente sua mulher, a nicaraguense Bianca Jagger, née Bianca Pérez-Mora Macias, como diria o saudoso Telmo Martino. Depois que foi trocada por Jerry Hall, soube dar a volta por cima. Bianca vinha de uma família de possses e formara-se advogada pelo Institut d'études politiques de Paris. Evidente que, sendo mulher do rolling stone, tornou-se celebridade do jet set e muitos a viam como fútil. Tendo nascido em uma republiqueta da América Central dominada pela família Somoza, Bianca, após a separação trabalhou como advogada em questões relacionadas aos direitos humanos e é membro da Anistia Internacional.
Ouça Hey Negrita.
Antes de Bianca e Angie
As Tears Go By, de 1965, foi composta para Marianne Faithfull, mas não foi inspirada nela. Ambos tiveram um namoro relativamente tempestuoso, bem menos que o de Chrissie Shrimpton, mas isso foi depois que Marianne da gravação da música. Nos “swinging years” de Londres, o primeiro encontro dos dois é assim descrito em Músicas & Músicos, por seus autores Michael Healey e Frank Hopkinson: “Subindo em uma mesa do bar do Thames Hotel, Chrissie se pendurou nas redes de pesca que decoravam o teto do salão. Depois, com a ajuda da plateia lá embaixo, foi amparada e passada de mão em mão, como uma crowd surfer, conseguiu chegar até o palco. Caminhou até Jagger e, diante de todos, deu um beijo e tanto naqueles lábios de Rolling Stone.” Mick ficou gamado.
As Tears Go By, de 1965, foi composta para Marianne Faithfull, mas não foi inspirada nela. Ambos tiveram um namoro relativamente tempestuoso, bem menos que o de Chrissie Shrimpton, mas isso foi depois que Marianne da gravação da música. Nos “swinging years” de Londres, o primeiro encontro dos dois é assim descrito em Músicas & Músicos, por seus autores Michael Healey e Frank Hopkinson: “Subindo em uma mesa do bar do Thames Hotel, Chrissie se pendurou nas redes de pesca que decoravam o teto do salão. Depois, com a ajuda da plateia lá embaixo, foi amparada e passada de mão em mão, como uma crowd surfer, conseguiu chegar até o palco. Caminhou até Jagger e, diante de todos, deu um beijo e tanto naqueles lábios de Rolling Stone.” Mick ficou gamado.
Menos rodado na vida, apaixonou-se perdidamente pela bela Chrissie, irmã da também modelo, mais conhecida que ela, Jean Shrimpton, a musa de David Bailey. Pediu-a em casamento mais de uma vez e chegou a apresentá-la à família. Mas naquele meio doideira, tudo estava a ponto de sair do controle. Os dois tomaram um ácido e Chrissie passou por uma “bad trip”. Foi a inspiração de Mick para compor 19th Nervous Breakdowm. Ouça.
Imaturo, Jagger era possessivo e controlador. Com uma garota amalucada como Chrissie, não era lá muito fácil. Ele pagava suas contas e tentava mantê-la sob controle. Essa sensação de que tinha a garota nas mãos, inspirou-o a compor Under My Thumb. A letra dizia mais ou menos que conseguira transformar aquele “cão indomável” no “mais doce bicho de estimação”.
Ouça Under My Thumb.
Veja uma versão da época em http://youtu.be/OezHRns06-8
Nada mais claro da infantilidade de Mick do que outra canção inspirada em Chrissie: Stupid Girl. É uma coleção de insultos e impropérios infantis.
Ouça Stupid Girl.
Desse jeito, impossível dar certo. Chegou ao fim mesmo quando Mick passou a gostar de Marianne Faithful. O início do namoro foi ótimo. Coincidências: quando descobriu a pulada de cerca do namorado, Chrissie tentou o suicídio ingerindo soníferos. Quando Mick terminou com Marianne, ela também tentou o suicídio. Nesses dois casos o amor não matou. Foi quase.
A primeira noite com Faithful inspirou Let’s Spend the Night Together.
Uma curiosidade. Quando foi lançada, no The Ed Sullivan Show, trocaram “spend the night together” por “spend some time together”.

