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| Retrato de Quincy Jones quando jovem |
Jackson era um dos participantes do filme The Wiz (1978), fracasso comercial, produzido pela Motown Productions, braço da gravadora que alçou a música negra aos primeiros lugares das paradas musicais. Quincy participava do filme como arranjador e músico. Jackson pediu-lhe um nome para produzir seu disco. Nasceu assim a parceria. Jones disse mais ou menos assim: “Você está na frente dele”. Michael aceitou. Fizeram juntos Off the Wall (1979), Thriller (1982) e Bad (1987). Thriller vendeu 140 milhões de cópias.
Muitos desconheciam o passado glorioso de Jones como produtor de jazz. A partir de então, era “o cara”, parceiro de Jackson. Seu nome passou a estampar outras páginas, que não as das revistas especializadas de jazz. Casou-se com uma bela atriz: Nastassja Kinski. As “Caras” “da vida” estampavam o belo casal multi étnico. Quincy era um quase sessentão e Nastassja, uma bela moça balzaquiana (31, quando se casou com ele). Antes que falem alguma coisa, diga-se que Jones era ainda, como se dizia antigamente, um boa pinta. Mais novo, foi responsável pela surra que Miles Davis deu em sua então mulher, Frances. A razão, escreveu na autobiografia, foi a de que ela “deu bola” para Quincy. Davis, enciumado, justificou que a surra foi merecida.
Bem antes de Michael Jackson, Jones foi trompetista da banda de Lionel Hampton. Perceberam seus dons de arranjador e condutor. Trabalhou com Count Basie, Duke Ellington, Sarah Vaughan, Gene Kruppa e Dizzy Gillespie. Estudou composição com Nadia Boulanger (professora de Egberto Gismonti também) e Olivier Messiaen, um dos compositores mais importantes do século XX.. Tornou-se um dos músicos mais requisitados em Hollywood e dirigiu a Barclay, braço francês da Mercury Records. Desse jeito, tão ativo assim, nem é tão anormal que tenha sido produtor do disco mais vendido de todos os tempos e seja o responsável por We Are the World, projeto para angariar fundos para as vítimas da fome na Etiópia. Como uma coisa puxa outras, hoje, Jones é responsável por uma série de projetos de ajuda humanitária, tendo criado, inclusive, a Quincy Jones Listen Up Foundation.
Quincy Jones largou o trompete, e nos anos 1950 e 60 se transformara em requisitado arranjador e produtor. Dentre as mulheres, além de Sarah Vaughan, trabalhou com Ella Fitzgerald, Peggy Lee e Dinah Washington.
Bom, esse longo preâmbulo é para dizer que ando ouvindo The Swingin’ Miss ‘D’, de Dinah Washington, lançado em 1956. E adorando. Fora o trio imbatível Ella-Sarah-Billie, havia uma penca de boas cantoras. Dinah era uma delas. Vaidosa, com problemas para manter o peso e chegada a uma bebida alcoólica, a mistura com remédios de emagrecer não deu certo. Morreu com 39 anos, ao lado do sétimo marido. É isso mesmo: sétimo. Cantava muito e gostava de casar. Apesar dos milhões de fãs, seu prestígio não era tanto entre os críticos especializados, provavelmente, por gravar canções de estilos muito variados. Dinah nunca foi uma jazz singer qual Sarah e Ella. Se quisesse, no entanto, não iria fazer feio. Basta ouvir Dinah Jams, de 1954, ao lado de Clifford Brown, Clark Terry, Harold Land, Junior Mance, Richie Powell e Max Roach.
Em The Swingin’ Miss ‘D’, os arranjos e regência de Quincy Jones são vigorosos e combinam muito com o estilo “pra cima” de Washington, com uma orquestra na qual incluem-se Lucky Thompson, Jerome Richardson, Jimmy Cleveland, Urbie Green, Ernie Royal, Doc Severinsen, Charlie Shavers, Clark Terry, Ernie Wilkins e Benny Golson. Temos standards como Caravan, Makin’ Whoopee, Perdido, as “bluesy” I’ll Drown on My Tears (ficou mais conhecida com Ray Charles) e You Let Me Love Grow Cold, porém, Dinah se supera em baladas como You’re Crying e I’ll Close My Eyes. São essas as que você vai ouvir.
You’re Crying.
I’ll Close My Eyes.
I’ll Close My Eyes.

