Na semana passada, sem alguma explicação, os perfis da banda Radiohead sumiram do Facebook, do Google+, suas páginas ficaram em branco no twitter, e no site oficial, também. Estranho, muito estranho, mas ficou no ar que algo estava para acontecer. Especulou-se que estariam para lançar um novo álbum.
Previsão correta. No dia 3, anunciaram o lançamento do novo – o nono – álbum para o dia 8, domingo. No mesmo dia, lançaram o vídeo promocional Burn the Witch. Dois dias depois, foi a vez do clipe Daydreaming, dirigido por Paul Thomas Anderson, diretor de Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), filme em que a trilha sonora é de Jonny Greenwood,
Essas duas canções do clipe são as primeiras do álbum A Moon Shaped Pool, A primeira é a mais agitada do disco, a segunda é bem etérea, bem Radiohead, assim como Decks Dark, com efeitos eletrônicos e melancólica. Melancólica também é a balada Glass Eyes, A voz de Thom Yorke, frágil, combina perfeitamente com o clima um tanto asfixiante das instrumentações que lembram um pouco as viagens sonoras do Massive Attack. É uma mistura de densidades construídas com sons eletrônicos em contraste com sonoridades acústicas esparsas do violão ou do piano.
As músicas, no álbum, curiosamente, estão em ordem alfabética, o que sugere que não tenha sido produzido levando-se em conta alguma sequência de climas ou um conceito pré-determinado senão esse. Sendo assim, a primeira é Burn the Witch, e a última, True Love Waits que, inclusive, é uma das que são conhecidas pelos que foram aos shows da banda. Esta é de 1995. Aliás, alguns críticos especulam que esse é o último disco deles em razão de apenas cinco das onze são inéditas. De qualquer modo, Yorke, Greenwood e seus companheiros não fazem feio. Apesar de não apresentarem algo que possa ser rotulado como revolucionário ou inovador, é um dos grandes lançamentos do ano. É a impressão de sempre: beleza melódica acompanhada de um certo estranhamento, um algo fora de lugar, como aquele estranho olhar de Thom.
Veja Thom cantando True Love Waits.
Veja o clipe de Burn the Witch.
Veja o de Daydreaming, dirigido pelo diretor de Magnólia e de Ouro Negro.
O mercado mudou muito. Quase ninguém mais compra CDs. Com a disseminação de downloads ilegais, para quê pagar por algo possível de estar disponível de graça? Ilegal? Sim. Mas não teria sido ilegal valores escorchantes para uma mídia que tem custo de 2 reais e é vendido por 30, 35? Quer dizer que o resto vão para as gravadoras, artistas e vendedores. Entre zero e 35 reais, a tentação de não se pagar nada é irresistível, principalmente, ao jovem que vive de mesadas dadas pelos pais. A solução é apresentar produtos com diferenciais que os torne atraentes ao consumidor. Curiosamente, em vez de torná-los mais baratos, fazem produtos luxuosos e que custam muito caro. Não é diferente com A Moon Shaped Pool. Eles criaram um site exclusivo para a venda do álbum em vários formatos. Se te interessa, vai lá: http://www.amoonshapedpool.com/
quinta-feira, 12 de maio de 2016
terça-feira, 10 de maio de 2016
Várias Américas
Toda vez que penso em Paul Simon, lembro-me de uma cena ocorrida no show em que reuniu-se com Art Gafunkel para rememorar o clássico Simon & Garfunkel, no Central Park, em 19 de setembro de 1981. A apresentação foi longamente preparada para arrecadar fundos para a conservação do parque. Simon cantava The Late Great Johnny Ace, quando um espectador subiu no palco e correu em sua direção. Foi pego pela segurança e Paul continuou cantando. A imagem que ficou registrada foi a sua expressão de espanto.
Por coincidência, a letra versava sobre Johnny Ace, morto em 1954, com um tiro, aparentemente, brincando de roleta russa. A letra, em primeira pessoa, dizia que não era um grande fã de Ace, mas lembrou-se de que era o primeiro astro da música a morrer de forma violenta de que teve notícia. Em 1964, estava morando em Londres, era o ano dos Beatles, o ano dos Rolling Stones, e fazia um ano que John Kennedy tinha sido assassinado. Na terceira estrofe, andando pelas ruas enfeitadas para o Natal, um transeunte perguntou se sabia que John Lennon tinha acabado de morrer. Os dois foram a um bar e ficaram até fechar.
Um tempo depois, perguntado sobre o incidente, no programa de David Letterman, Simon disse que não ficou com medo. Mas, até hoje, quando reassisto ao show gravado em DVD, sinto que se sentiu vulnerável.
Em um momento contrastante ao que acontecera com Paul, Art não se conteve frente a energia de 500 mil pessoas presentes no reencontro da antológica dupla, disse: “I’m in the mood!”. Na celebração de uma América rica e civilizada, estava exposto o seu lado negro, por meio de um maluco que poderia sair atirando em alguém.
A América de Simon
Descobri o que significava “hitchhike” em America, canção composta por Paul Simon, lançada em Bookends (CBS, 1968). Nela, Paul narra a história de namorados que viajam de carona em busca da “América”. Um verso ficou registrado na memória: “Ela disse que o homem de terno de gabardine era um espião/ Eu disse, cuidado, a gravata borboleta deve ser uma câmera”. America era uma celebração. A câmera camuflada era um comentário despretensioso sobre a Guerra Fria. Os Estados Unidos viviam uma fase de prosperidade, mas entrariam em duas guerras depois de 1945, a da Coreia e a do Vietnam. Contraditoriamente, país em que as transformações sociais aconteciam com vigor quanto aos direitos civis, ao mesmo tempo, passava a viver sob o medo da violência, a de assassinatos perpetrados por indivíduos que agiam solitariamente. Na década de 1960, quando a música foi composta, um presidente era assassinado, um governador racista sofria um atentado que o deixaria paraplégico, um candidato à presidência era assassinado. Esses atos isolados não transpareciam na América de Paul Simon. Nem a guerra fria era levada tão a sério.
Ouça America com Simon & Garfunkel.
Dica do amigo Marcio Uehara (Magoo). Grande interpretação de David Bowie.
Outra grande interpretação é a do grupo Yes. Poderosa. Veja.
Veja Sting cantando America. Ele e Paul Simon fizeram uma excursão juntos em 2014.
Por coincidência, a letra versava sobre Johnny Ace, morto em 1954, com um tiro, aparentemente, brincando de roleta russa. A letra, em primeira pessoa, dizia que não era um grande fã de Ace, mas lembrou-se de que era o primeiro astro da música a morrer de forma violenta de que teve notícia. Em 1964, estava morando em Londres, era o ano dos Beatles, o ano dos Rolling Stones, e fazia um ano que John Kennedy tinha sido assassinado. Na terceira estrofe, andando pelas ruas enfeitadas para o Natal, um transeunte perguntou se sabia que John Lennon tinha acabado de morrer. Os dois foram a um bar e ficaram até fechar.
Um tempo depois, perguntado sobre o incidente, no programa de David Letterman, Simon disse que não ficou com medo. Mas, até hoje, quando reassisto ao show gravado em DVD, sinto que se sentiu vulnerável.
Em um momento contrastante ao que acontecera com Paul, Art não se conteve frente a energia de 500 mil pessoas presentes no reencontro da antológica dupla, disse: “I’m in the mood!”. Na celebração de uma América rica e civilizada, estava exposto o seu lado negro, por meio de um maluco que poderia sair atirando em alguém.
A América de Simon
Descobri o que significava “hitchhike” em America, canção composta por Paul Simon, lançada em Bookends (CBS, 1968). Nela, Paul narra a história de namorados que viajam de carona em busca da “América”. Um verso ficou registrado na memória: “Ela disse que o homem de terno de gabardine era um espião/ Eu disse, cuidado, a gravata borboleta deve ser uma câmera”. America era uma celebração. A câmera camuflada era um comentário despretensioso sobre a Guerra Fria. Os Estados Unidos viviam uma fase de prosperidade, mas entrariam em duas guerras depois de 1945, a da Coreia e a do Vietnam. Contraditoriamente, país em que as transformações sociais aconteciam com vigor quanto aos direitos civis, ao mesmo tempo, passava a viver sob o medo da violência, a de assassinatos perpetrados por indivíduos que agiam solitariamente. Na década de 1960, quando a música foi composta, um presidente era assassinado, um governador racista sofria um atentado que o deixaria paraplégico, um candidato à presidência era assassinado. Esses atos isolados não transpareciam na América de Paul Simon. Nem a guerra fria era levada tão a sério.
Ouça America com Simon & Garfunkel.
Dica do amigo Marcio Uehara (Magoo). Grande interpretação de David Bowie.
Outra grande interpretação é a do grupo Yes. Poderosa. Veja.
Veja Sting cantando America. Ele e Paul Simon fizeram uma excursão juntos em 2014.
Assinar:
Comentários (Atom)

