terça-feira, 24 de novembro de 2015

O prestígio de Vinícius Cantuária lá e cá

Vinícius Cantuária e Bill Frisell, ao fundo.
O mesmo autor de uma canção “fofa“ como Só Você foi um dos fundadores da banda progressiva O Terço. É autor também da bela e “fofa” Lua e Estrela, que fez muito sucesso na voz de Caetano Veloso. Provavelmente, quando compôs essas duas canções, Vinícius Cantuária estava apaixonado por alguma bela loura.

Saindo d’O Terço, Cantuária foi participar de uma outra banda, de belo nome, A Outra Banda da Terra, assim nomeada por Caetano Veloso, como baterista também. Em um show dessa época, comecinho dos anos 1980, o baiano estava em uma fase pós-revolucionária, menos experimental, mais hedonista e compondo muito bem. A banda apresentava-se vestida de branco, com um coro de belas moças que mais embelezavam o palco que qualquer outra coisa. Qualquer banda que se prezasse tinha que ter backing vocals. Lua e Estrela era um dos temas que faziam parte do show.

É de 1984 o maior sucesso de Cantuária. Só Você era uma canção daquelas “grudentas”. Virou hit nas vozes de Fabio Jr. e Fagner. Quando poderia tornar-se um sucesso de vendas, sumiu. E foi para longe. Quando tiveram notícias dele, estava morando nos Estados Unidos.

No Brasil, Cantuária é um quase desconhecido. Pouco saiu dele aqui. Na América, também, não deve ser um astro, mas desde 1986, ano em que mudou-se para lá, tem conseguido lançar álbuns em gravadoras prestigiadas no mundo do jazz, como a tradicional Verve e a Grammavision. E não para de lançar. Desde 2008, seus discos saem pela Naïve, gravadora francesa independente bem conhecida pelos bons títulos de música erudita e também de jazz.

Outro sinal de que que Cantuária é respeitado são os músicos que têm tocado com ele. Um deles é o guitarrista Bill Frisell. Ambos assinam Lágrimas Mexicanas, bem recebido pela crítica. [leia sobre ele em http://bit.ly/1I7w9io]. A colaboração do americano não se restringe a esse somente. Ele participa de Índio de Apartamento (2012). Índio ainda conta com participações de Ryuichi Sakamoto, Norah Jones e o bom cantor Jesse Harris.

Seu álbum mais recente é Vinícius canta Antônio Carlos Jobim. O título é dúbio, pois logo associamos a um dos parceiros de Tom, este de sobrenome Moraes, letrista de seis das treze músicas do CD. Aqui também conta com colaborações preciosas como as de Melody Gardot (sobre ela, veja links no fim do post),  dos mesmos Ryuichi Sakamoto, Bill Frisell, e a participação nos vocais em Caminhos Cruzados da brasileira Joyce Moreno.

Vinícius deixou de ser baterista quando partiu para a carreira solo e optou pelo violão. Nunca foi exatamente um roqueiro, apesar de ter sido d’O Terço. Suas composições tendem mesmo à bossa nova e ao samba-canção. Nunca foi grande cantor e nunca será. É até um enigma ser tão prestigiado. Mas de uma coisa, tanto cá como lá, pode-se dizer. Sua música é agradável e seu modo de cantar é quase sempre melancólico, o que pode ser um atrativo para alguns.


Ouça Insensatez, com participação de Melody Gardot.



Ouça trechos de todas as canções do disco.