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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os amores roubados e The XX

A do meio é Romy Marley Croft, cantora e guitarrista do XX
Em uma equação com as variáveis “x” e “y”, chegamos em um resultado “z”. Se a variável é uma só, não há o que resolver. Romy Maley Croft, Oliver Sim, Jamie Smith e Baria Kireshi resolveram montar uma banda em que o nome se resume a um duplo“x”. Minimalistas no som, o álbum de lançamento de 2009, a capa é um “x” em letra sem serifa, num tipo que virado a 45 graus é um sinal de +. O xis não é duplo. Recortado no cartão preto, essa perfuração se repete na outra face. O branco é o do encarte, branco na frente e no verso. Na aba é o duplo xis: frente e verso. No encarte, as letras são impressas en branco sobre fundo preto e à direita de cada uma das músicas, temos imagens coloridas e abstratas. Quando se retira o CD, com o mesmo xis impresso em branco sobre o preto, lá está a ficha técnica. Ficamos sabendo que as composições, em sua maioria, .

Em 27 de dezembro de 2009, publiquei um texto sobre o The XX (http://bit.ly/1dj6xwY). Quase três anos depois, lançaram o segundo. Outro nome econômico: Coexist. A recepção não foi tão calorosa. A razão mais evidente é a de que não apresentavam nada de novo; parecia continuação do outro. Tanto tempo depois? A maioria das pessoas, esperava algo diferente e mais surpreendente. Pensando bem, algo no título explica a mesmice: “coexistir”. O segundo coexiste com o primeiro, que era apenas um xis, uma incógnita que se revelou brilhante.

Ao ouvir Reunion, a quinta música do CD, acho que posso ter encontrado o que significa “XX”. É um mínimo suficiente para que alguns sons se tornem música. Logo me vem à cabeça a estrutura da música minimalista de Steve Reich e de Philip Glass, de Reich, principalmente, ou talvez, de Terry Riley também. São notas que se repetem e vão sofrendo sutis variações. A letra de Reunion confirma esse procedimento em várias repetições: “We go over and over/ and over and over again / […]/ And starrt believing in forever and ever/ And ever and ever again// Reunion/ Reunion/ Reunion? Reunion// Never not ever/ Never not ever/ Never not ever again/ […]/ It wont’t let me see them/ Never not ever/ Never not ever again// Did I/ See you/ See me/ In a new light// Did I/ See You/ See me/ Never not ever/ Never not ever/ Never not ever again.”

Ouça Reunion.




O som de The XX não seria nada não fosse a voz de Romy e sua guitarra. A voz masculina de Sim é o complemento: o agudo dela e o grave dele, tudo muito controlado, sem direitos a arroubos vocalísticos. O baixo elétrico marca com notas, por vezes, de frequência tão baixa, que fazem vibrar as caixas acústicas. Os sons eletrônicos complementam e realçam os climas melancólicos, meio viajantes da bela e econômica guitarra de Romy. Em Reunion, aos instrumentos de sempre é acrescentado o steel drum. Alguém sabe o que é? A primeira vez em que ouvi alguém tocando, foi em uma apresentação do cantor e compositor Taj Mahal, na década de 1980. Parece uma grande bacia de lata, em que a parte de cima é em formato côncavo. É um instrumento de percussão surgido na América Central e muito usado no calipso. Se você quiser saber como funciona, dê uma busca na internet.

Com o tanto de bandas diferentes, é possível que muitos não conheçam a banda inglesa. Mas, com a exibição da minissérie Amores Roubados, agora no início de janeiro, pela rede Globo, houve uma explosão de vendas de duas músicas do XX na loja da iTunes: Intro, do primeiro álbum, e Angels, música que abre o mais recente. De hoje em dia, ao se ouvir qualquer música, se desconhecida, basta recorrer-se ao SounHound, aplicativo grátis disponível para os telefones celulares. Em poucos segundos, ele dá o nome da música.

Ouça Intro.




Veja The XX cantando Angels.




Outra composição presente em trilhas é Together, em O Grande Gatsby. Ouça.



Entre no site oficial de The XX: http://thexx.info

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os “xis” de The XX

Jamie, Romy, Oliver e Baria Quireshi (a que saiu)
Quem leu o post anterior sobre The XX vai notar algumas repetições. É mais uma oportunidade para se conhecer a banda. Ouça uma versão estendida de Intro.


Intro é a primeira música do disco do XX. Ou melhor, se “intro” significa algo que vem antes do início, VCR é a primeira. Mas Intro é uma boa “introdução” para as canções que vêm a seguir. A marcação do baixo e da bateria, e sobre ela, alguns sons de guitarra, criam um “clima” do que virá. O som é muito diferente do mainstream do rock. Há originalidade no XX, de tão simples, pode ser considerado primário. São melodias frias, meio vagas… e belas. Em algumas passagens, lembra um pouco a atmosfera criada por Angelo Badalamenti para os filmes de David Lynch.

As guitarras são tão básicas que faz imaginar que qualquer um, depois de um aprendizado de seis meses, poderia integrar o XX. Nota: a segunda guitarrista – e tecladista – Baria Quireshi não toca mais na banda, mas está no disco lançado em 2009. As estruturas das músicas, como Infinity, uma das mais interessantes, são “inteligentes” em seus minimalismos. Algo tão simples como frequências baixíssimas e breves que fazem vibrar as portas da sala, ressoam nos esqueletos dos ouvintes em contraste com as vozes de Romy Madley Croft – doce e feminina – e de Oliver Sim – em tons médios e melancólicos – como em Islands e Fantasy.

A banda, atualmente, é formada por Romy Madley Croft (guitarra e vocais), Oliver Sim (baixo e vocais), e Jamie Smith (bateria e MPC).

Ouça Intro, que deve ser a melhor do CD, junto de Infinity.