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quinta-feira, 27 de março de 2014

Pixies ainda dá um caldo

Kim Deal respondeu a um anúncio de jornal pra ser baixista de uma banda. O problema é que, além de boa, tinha carisma e isso passou a ser uma complicação por conta de brigas de egos com seu principal membro, o gordinho, igualmente talentoso, Black Francis. Como é que alguém que passou a fazer parte da banda desse modo poderia chamar tanta atenção. O Pixies ficou pequeno para tão grandes egos e Kim formou o The Breeders com sua irmã e caiu fora.

Trompe le monde foi o último álbum lançado por eles. Isso foi em 1991. Francis partiu para a carreira solo, The Breeders era um sucesso, e os fãs ficaram com eterna saudade. Depois de tanto tempo, está programado para 29 de abril um big lançamento do primeiro disco completo desde Trompe. Indie Cindy terá versões especiais em vinil de 180 g e venda pela loja iTunes com faixas bônus, além da versão normal em CD. São Paulo é um dos lugares que fazem parte do tour de lançamento no Lollapalooza Brasil nos dias 5 e 6 de abril.

Quem for aos shows não vão desperdiçar os seus reais. Black Francis continua criativo e, junto com Joey Santiago, David Lovering e uma baixista que ainda não está definida, pela amostra do álbum a ser lançado, prometem sonzeira. Para variar, baixistas se tornaram problemas para eles. Não será Kim Deal nem Kim Shattuck, que acaba de ser demitida. Ah, e sem Joey Santiago, o Pixies não seria o mesmo. Continua a mandar muito bem na guitarra.

Assista ao vídeo oficial do grupo para Indie Cindy.




Uma das melhores faixas é a quarta: Bagboy. Veja o clipe.




Outra interessante é Androqueen, com seu clima meio fantasmagórico.




Veja o clipe de Magdalena.

terça-feira, 7 de maio de 2013

The Messenger, o primeiro solo de Johnny Marr

Marr em foto de divulgação da Warner
Segundo Michael Hann, de The Observer, corre-se o risco da indulgência ao se criticar o álbum solo de Johnny Marr. Com razão. Quem não esperava por esse disco? Órfãos de uma das grandes bandas da década de 1980, o The Smiths, tiveram de esperar 25 anos por este momento. Evidente a expectativa.

Enquanto Morrissey partia para a carreira solo, Marr virou sideman de luxo. Tocou com os Talking Heads, Pretenders, Pet Shop Boys, Billy Bragg, Beck e participou das bandas Modest Mouse, The Healers, The Electronic (com o “new order” Peter Hook) e The Cribs. Foi morar em Portland, Oregon. A decisão de realizar o álbum coincidiu com a volta à Manchester natal. Bem simbólico, não?
À parte a indulgência, natural que os fãs dos tempos dos Smiths queiram ouvir a guitarra que foi a alma da banda. A grande qualidade era a perfeita harmonia das letras torturadas, a voz de Morrissey e o som especial de Marr, discreto, presente em cada acorde de canções como Money Changes Everything (leia: http://bit.ly/15haSPA), Hand in Glove, How Soon Is Now? e This Charming Man. E quem ouvir The Messenger não ficará decepcionado. O passado se foi e não existe a mínima possibilidade de uma reunião dos Smiths (é o que Marr afirma). Sem letras de Morrissey, a voz é de Johnny. Mas seus admiradores querem mesmo é ouvir os sons de sua guitarra. Gary Mulholland, da Uncut, na crítica em que dá nota 7, escreve acertadamente que Marr continua sendo “um dos melhores barulhos [noise] da Terra.”


Veja o vídeo de The Messenger.



New Town Velocity.



European Me.




Say Demesne.




Upstarts.


 

Lockdown.




quinta-feira, 11 de abril de 2013

“Overgrown”, o novo disco de James Blake

Overgrown é o novo de James Blake
Overgrown é um título perfeito para o álbum de James Blake lançado dia 8, segunda-feira. A música de Blake é feita de camadas de sons e vozes interpostas trabalhadas eletronicamente.

Blake havia chamado a atenção do DJ Gilles Peterson da BBC Radio 1. Gravou alguns EPs, dentre os quais CMYK, bem recebido pela crítica, Klavierwerke e The Bells Sketch. Com muito uso de sons eletrônicos, as músicas são um tanto impessoais e frias. Quando lançou o primeiro álbum, não deixou de usar samplers, sequenciadores, laptops, drum machines e teclados eletrônicos, mas a presença maior das vozes deu nova cara ao seu som. Ficou mais “quente”, entre haspas porque, na verdade, uma das características marcantes de Blake é o clima melancólico e invernal, triste até. A sacada de James é a de fazer com que sua voz, muito boa, por sinal e que lembra vagamente a de Antony Hegarty, do Antony and The Johnsons (sou fã desse cara; leia http://bit.ly/OCkQyK, http://bit.ly/10Utk8t), passe pelos efeitos da eletrônica, por meio de loopings, distorções, ecos e cortes inesperados. Dessa forma, “humaniza” a eletrônica, ou “desumamaniza” o humano – a voz.

Blake é filho de James Litherland, que foi guitarrista da banda de rock progressivo Colosseum. Difícil conjecturar se o som viajante da banda do pai possa tê-lo influenciado.

O caso do veterano Brian Eno é outro. O inglês é um dos pilares da música eletrônica. Logo depois que saiu do Roxy Music (nem chegou a esquentar a cadeira), gravou discos com Robert Fripp, líder do King Crimson, muito interessantes e já revela o interesse dele por engenhocas eletrônicas. Usando gravadores de rolo Revox (era o máximo da tecnologia e da modernidade na década de 1970), colava as extremidades das fitas para produzir sons em repetição infinita (loopings). Eno, fora seus projetos pessoais produziu vários álbuns, inclusive, alguns do U2. No disco recém lançado de Blake é produtor de uma das faixas: Digital Lion.

Ouça Digital Lion, do novo disco.




O primeiro CD, simplesmente chamado James Blake (2011), traz em sua capa uma imagem embaçada em “motion blur” de tom azulado. Às vezes, capas podem dizer muito: é o rosto dele distorcido, numa espécie de camuflamento como é a sua voz na maioria das faixas. Blake nunca se mostra “ao natural”. A voz passa por efeitos, como disse antes, eletrônicos. Tanto as vozes como as notas musicais se distorcem e sofrem interrupções abruptas, desdobram-se, interpõem-se. As músicas que ficaram mais conhecidas são The Wilhelm Scream e Limit Your Love, original da canadense Feist.

Veja Blake em programa da BBC interpretando Limit to Your Love.




Veja Blake cantando The Wilhelm Scream no programa de Jools Holand.




Se o primeiro era bom e original, Overgrown é melhor ainda. A NME deu nota 8. Merece 10. Tem tudo para ser um dos melhores de 2013. É melancolia misturada com batidas eletrônicas, algo que lembra um pouco o trip hop do Massive Attack ds bons tempos. Compre sem medo. Segundo o crítico Al Horner da New Music Express (NME) o disco “é tão íntimo que você sentirá cada milímetro daquela solidão.”

Ouça e, se você quiser copiá-la no seu tocador de mp3, é só clicar em share e fazer o download da faixa título Overgrown.




Ouça uma amostragem do novo disco de Blake aqui.




Veja uma apresentação de Blake cantando Retrograde, uma das melhores do disco. Como a música dele é feita de muita eletrônica, o ao vivo é um pouco diferente da que consta no álbum. Mas vale por ser possível vê-lo “em ação”.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O que foi que aconteceu com Cat Power?

Chan Marshall com seu novo visual e novo som
Acaba de ser lançado Sun, novo álbum de Cat Power. O dia anunciado para sair é 4 de setembro. É ou foi? A tônica tem sido a de estar disponível em centenas de sites, grátis, antes do lançamento. Consegui fazer download dez dias antes.

Sou fã de carteirinha de Chan Marshall, desde que minha a amiga Vania N U deu-me de presente em uma de suas viagens anuais ao Brasil. Tenho a tendência de gostar de artistas atormentados e ela parecia a divina encarnação disso. Tão bela e tão complicada?

Por coincidência, quando foi lançado seu penúltimo disco – Jukebox –, em 2008, estava em Paris, hospedado, justamente, na casa da Vania. O bom é que pude comprar uma edição especial com um CD de bônus, que é tão bom quanto o normal. Tem uma interpretação de Anjelitos Negros de cortar os pulsos. Cortar os pulsos ouvindo Cat Power? Uhn, é uma ideia.

A primeira vez com a Cat de agora é um susto. É muito diferente de tudo o que gravou. Tem muita eletrônica, batidas graves e “disparos” percussionísticos não analógicas. E também, em nenhum momento parece pungente e melancólico. Mesmo assim, apesar do “tom” musical geral, revela-se a moça atormentda que deve ser.“ Eu nunca conheci um amor assim/ vento, lua, a Terra e o céu/ Eu nunca conheci uma dor como essa/ […]/ Eu nunca conheci a dor,/ Eu nunca conheci a vergonha e agora sei porque”. Esse versos fazem parte de Cherokee, a primeira faixa.

Pelo que se lê nas notícias publicadas na internet, Cat Power levou um fora de Giovanni Ribisi e, pelo jeito de maneira abrupta. Dois meses depois da separação, o ator casou-se com uma modelo chamada Agyness Deyn. Outras informações: toca quase todos os instrumentos em Sun (tem backing vocals de Iggy Pop); ela mesma resolveu cortar seu cabelo e deu naquilo que está retratado na capa do disco. Chama-se Sun, mas a capa é azulada e raios diagonais, que lembram os de um arco-íris, passam pelo seu rosto angelical.

Bem, o que eu estava dizendo? Que estou tentando me acostumar à nova Cat. Será que ficou menos desajeitada no palco? Às vezes, como um certo “desajeito” pode ser tão charmoso? Não sei se vou me acostumar depois do susto inicial. Desconfio que farei todo o esforço para continuar a gostar de Cat. Minhas declarações de amor estão em textos mais antigos (http://bit.ly/1hUbdMf).

O que tem de bom em Sun é o fato de ser um disco mais experimental. Parece que Cat procura outros rumos. É natural na vida a busca pelo novo e até o novo corte do cabelo representa isso. Se Sinéad O’Connor deixa crescer os cabelos, ou muda a silhueta, por que não o novo visual de Cat. Gostei.

Ouça Cherokee.



Ouça o disco aqui.

http://www.npr.org/2012/08/26/159919016/first-listen-cat-power-sun

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Andam falando muito de The Vaccines

Andam dizendo que são os novos Strokes; e que o CD lançado se chama What Did You Expect The Vaccines? Não vi ainda nas lojas brasileiras. Porém, ouvindo esses ingleses no que está disponível na internet, pelo menos uma canção é candidata a uma das melhores de 2011. A música é Blow It Up.

Vejam os Vaccines em apresentação no Late Live, de Jools Holland.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sons delicados de Beach House

A voz da francesa Victoria Legrand (é sobrinha do compositor e pianista Michel Legrand) lembra um pouco a de Nico, a lendária cantora do Velvet Underground. A levada da bateria, o uso de teclados elétricos, e a guitarra de Alex Scally também remetem à banda americana. Os dois formam a banda Beach House. “Casa de praia”? Estranho nome para uma banda, não? Tem alguma coisa de nostálgico, de sons já ouvidos. O som é climático e lembra também os sons etéreos criados por Robin Guthrie, da banda Cocteau Twins.

A maioria das músicas são lentas, cadenciadas, quase dramáticas. Alguns classificam o som de Beach House como “dream pop”. Independente das classificações, é só começar a ouvir para se viciar e se querer mais.


Ouça e veja Heart of Chambers, do penúltimo CD, Devotion.



Lover of Mine é do último CD (Teen Dream)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Nota 10 para o Zero do Yeah Yeah Yeahs

Yeah Yeah Yeahs no palco
Karen O é uma moça que tem presença. Com o guitarrista Nick Zinner e o baterista Brian Chase fazem um belo barulho. Gravaram três CDs até agora: Fever to Tell (2003), Show Your Bones (2006), e It’s Blitz (2009). A imagem da capa do último é um still de um ovo sendo esmagado por mãos femininas. Belo, quase minimalista.

O rock e seus subgêneros adoram extravagâncias. Sem álcool, drogas e excessos não existiria. Até Zé Rico. Não sei se foi ele ou Milionário (não sei quem é quem) ou outro desses sertanejos, em entrevista no programa de Jô Soares, disse que se vestia diferente porque era artista. Ele acha que ser artista pede isso. Gente é uma coisa e artista, outra.

Karen O é diferente. Parece que veio de uma linhagem que passa por Siouxsie do Siouxsie & the Banshees. A voz, no entanto, lembra a de outro ícone dos anos 1980/90: Chrissie Hynde. Lembra Chrissie até pela franja com os cabelos escondendo as sombrancelhas. Karen no palco é o demônio; não para quieta, usa roupas muiiito esquisitas e cospe no palco (veja o DVD Tell Me What Rockers to Swallow), enche a boca de água e a “esguicha” nas pessoas. Quando se vê uma coisa dessas, a gente acaba pensando: será ela, realmente, uma menina má ou é só teatro?


Ouça Zero.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os “xis” de The XX

Jamie, Romy, Oliver e Baria Quireshi (a que saiu)
Quem leu o post anterior sobre The XX vai notar algumas repetições. É mais uma oportunidade para se conhecer a banda. Ouça uma versão estendida de Intro.


Intro é a primeira música do disco do XX. Ou melhor, se “intro” significa algo que vem antes do início, VCR é a primeira. Mas Intro é uma boa “introdução” para as canções que vêm a seguir. A marcação do baixo e da bateria, e sobre ela, alguns sons de guitarra, criam um “clima” do que virá. O som é muito diferente do mainstream do rock. Há originalidade no XX, de tão simples, pode ser considerado primário. São melodias frias, meio vagas… e belas. Em algumas passagens, lembra um pouco a atmosfera criada por Angelo Badalamenti para os filmes de David Lynch.

As guitarras são tão básicas que faz imaginar que qualquer um, depois de um aprendizado de seis meses, poderia integrar o XX. Nota: a segunda guitarrista – e tecladista – Baria Quireshi não toca mais na banda, mas está no disco lançado em 2009. As estruturas das músicas, como Infinity, uma das mais interessantes, são “inteligentes” em seus minimalismos. Algo tão simples como frequências baixíssimas e breves que fazem vibrar as portas da sala, ressoam nos esqueletos dos ouvintes em contraste com as vozes de Romy Madley Croft – doce e feminina – e de Oliver Sim – em tons médios e melancólicos – como em Islands e Fantasy.

A banda, atualmente, é formada por Romy Madley Croft (guitarra e vocais), Oliver Sim (baixo e vocais), e Jamie Smith (bateria e MPC).

Ouça Intro, que deve ser a melhor do CD, junto de Infinity.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

E de Eels

“Hugh Everett III (11 de novembro, 1930 – 19 de julho, 1982) foi um físico estadunidense que propôs a interpretação de muitos mundos (IMM) da Física Quântica, que ele chamou formulação do ‘estado relativo’.” Isso está no Wikipedia. Esse cientista, quando jovem, andou trocando correspondência com Albert Einstein debatendo se o que “mantinha o universo coeso era algo aleatório ou unificador”.

O pai de Hugh era um militar americano e a mãe – poeta “atormentada” –, Katharine Kennedy. Hugh casou-se com Nancy e teve dois filhos: Elizabeth Ann e Mark Oliver. Mark não mostrou nenhuma aptidão para a Matemática e nem para a Física, mas interessou-se pelos discos que a irmã Elizabeth ouvia. Ela ouvia After the Gold Rush, de Neil Young, todos os dias. É o que consta na biografia do jovem chamado pelos amigos de “M.E.”. Com seis anos, descobriu numa garagem da vizinhança uma kit de bateria de criança posto à venda. Conseguiu comprá-lo com a bondosa ajuda dos pais. Para a desgraça deles, tiveram de suportá-lo “batendo” aquela bateria por dez anos seguidos.

Quando tinha 19 anos, encontrou seu pai morto. Sua irmã “densa” cometeu o suicído em 1996. Com esse histórico familiar tinha a chance de tornar-se um rapaz problemático ou poderia canalizar esse “histórico” para alguma coisa criativa, como ser escritor. Mas seguiu uma outra via.

Estava “escrito” que Mark se tornaria músico quando crescesse e não um cientista, como o pai. Quando tinha vinte anos registrava incessantemente as composições que escrevia num gravador de segunda mão de quatro canais. Aos 24, pegou o carro, viajou quase cinco mil quilômetros até Los Angeles. Não conhecia ninguém. Depois de tanto compor e gravar na solidão dos lugares que habitou, evoluiu e, afinal, tinha um bom material em mãos. Conseguiu um contrato com a Polydor Records, diminuiu o “M.E.” para “E”, simplesmente. Gravou solo e depois formou a banda Eels.

Dois tempos de E: em 2000 e 2010

Uma banda com um nome de apenas quatro letras e um líder chamado E; não seria nada surpreendente de que se esperasse um som diferente. Não era rock, não era pop, era, simplesmente um som “eels”. Com seu piano Wurlitzer, a guitara e voz melancólica, suas composições, para quem pouco o conhece, podem ser ouvidas em Shrek 1 (My Beloved Monster), Shrek 2 (I Need Some Sleep). Souljacker part I (que faz parte do álbum Souljacker, 2002) teve um clipe dirigido por Wim Wenders e foi realizado numa prisão de Berlin (veja abaixo).

Depois de terem lançado Beautiful Freak (1996), Electro-Shock Blues (1998), Daisies of the Galaxy (2000) e Souljacker (2002), gravaram mais alguns discos que não ouvi. Como não foram lançados no Brasil, meio que esqueci deles. O “reencontro” acontece com Tomorrow Morning, que saiu em setembro agora. Belo CD, bom como sempre. Ele faz parte de uma trilogia – Hombre Lobo (2009) e End Times (janeiro de 2010) são os anteriores. Levemente estranho, o Eels ainda surpreende.

My Beloved Monster, em Shrek 1:



I Need Some Sleep, em Shrek 2:



Souljacker Part I:

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Novo Interpol

Minha prima foi morar em Los Angeles e, como sempre, generosa, mandou-me um presente pelo iTunes. Foi mão de obra conseguir o “redeem”. Por questões de direitos autorais, a loja brasileira da Apple não vende música nem filmes. É uma pena. É tanta coisa que a gente perde.

Tive de colocar um endereço americano – sem poder comprar – só se você tiver um cartão de crédito americano – e, assim, poder receber o belo presente que a Fernanda enviou: o último Interpol.

Bela banda! No começo, ficaram estigmatizados como cópia do Joy Division. Culpa da voz grave de Paul Banks – nem tão soturna quanto a de Ian Curtis – e de um som com fortes marcações de baixo e riffs que se repetem ad infinitum. Injusto. Mesmo assim, não se deve desconsiderar as influências. O penúltimo CD, Our Love Admire, dessa banda novaiorquina é, realmente, bom. Essa último, ando escutando por esses dia. É bom, também.

Uma palhinha. Ouça Success, primeira faixa. Sinta a marcação do baixo.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

The xx, vencedores do Mercury Prize 2010

A da esquerda, Baria Qureshi, não está mais na banda
Romy Madley Croft, do trio The xx, faz sons na guitarra que chegam a ser constrangedores de tão simplórios que são. Sua voz é contida e não tem nada de especial, assim como a de Oliver Sim, que toca baixo também. A banda fica completa com Jamie Smith. Um quarto componente, Baria Qureshi, saiu. Há controvérsias quanto a isso: ela diz ter saído “por exaustão”, o resto da banda alega “diferenças”.

Se o The xx é um trio, poderia ter colocado um “x” a mais. Que diferença faria mais um? Mas, voltando à “simploriedade”, é verdade, não há nada de excepcional e, ao mesmo tempo, essa pode ser a forma da “excepcionalidade” dessa banda indie e o fato de ter ganhado o Mercury Prize desbancando Paul Weller, que tem uma história invejável no rock britânico. Fundador do lendário The Jam, cérebro de The Style Council, e depois, chefe de si mesmo, assinando grandes álbuns como Stanley Road, Wild Wood e Heavy Soul, Weller merece qualquer prêmio que possa ser dado ou oferecido.

Se o “x”, nas aulas de matemática, é uma incógnita, é surpreendente que três músicos limitados resultem em uma banda de qualidade. E é. Hipnotiza. Letargicamente, passamos a gostar dela e de suas músicas. Bela banda que realizou um disco surpreendente em que um “x” é recortado no fundo preto e mostra o branco.

Experimente Infinity.