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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Genial Vitor Araújo


Vitor Araújo é um desses gênios que não aparece todos os dias. Pouco conhecido no Brasil, estreou com “A/B”, mostrando sua maestria ao piano e na composição, com o ciclo “Solidão”. No seguinte, “Levaguiã Terê”, álbum duplo de 2016, lançado pela gravadora alemã Nutriot Recordings, o som é um pouco diferente. Neste, claramente, percebe-se a influência de Thom Yorke, do Radiohead.

O texto a seguir foi em 24 de janeiro de 2013 e aborda o disco “A/B”.

Com certo atraso, vou falar de um rapaz chamado Vitor Araujo. Depois de ler no “Guia Livros Discos Filmes” da Folha (27/10/2012) o “5 perguntas para Vitor Araujo”, assinado por Manuel da Costa Pinto, fiquei bem curioso. Com pouco mais de 20 anos, o rapaz faz uma música entre o pop e o erudito.

Na primeira resposta, Vitor escreve sobre o conceito do álbum “A/B”: “Na minha forma de ver, existe unidade no disco. Consigo perceber que ele desenha um sentimento que aparece fortemente em todas as faixas – porém, claramente, olha para este sentimento de formas diametralmente opostas, antagônicas, por assim dizer. Sinto o disco como uma gradação, sinto uma narratividade. No ‘lado A’, existe um se deparar sobriamente com o sentimento de solidão; no ‘lado B’, uma dificuldade incrível de gerir tal sentimento e uma descrença na realidade. Cada um vai ter sua própria sensação, pois o ato de absorver um produto artístico está profundamente ligado a experiências individuais, como elas reverberam dentro de si.”

Perguntado sobre o que pesa mais, “o repertório erudito, o instrumental de Egberto Gismonti e Hermeto Paschoal ou o registro pop”, responde: “Difícil dizer. Acho que “A/B” tem exatamente essa dificuldade em se ater a uma vertente específica. Prefiro conter em mim os meus estudos de Villa-Lobos, minha observação dos instrumentistas geniais e minha paixão desenfreada pelo Radiohead.”

Por fim, ao ser perguntado sobre a “relação entre Nietzsche citado no encarte e as dedicatórias das músicas a Modigliani, Renoir, Zé Celso, Bukowski, Tarantino e Angeli, entre outros”, responde que “o texto de Nietzsche contém em palavras muito do que eu tenho a dizer no disco através das melodias, das harmonias e, principalmente, pela forma como ele está organizado. As homenagens são para os artistas que me inspiraram fortemente em músicas específicas.”

Vai lá que vale a pena. O rapaz é bom.

Veja a brilhante interpretação de “Paranoid Android”, do Radiohead. O primeiro instrumentista a gravá-la foi o jazzista Brad Mehldau. Desde então, faz parte das apresentações dele. O de Vitor Araújo é excepcional. Confira.





Vitor toca “Asa Branca”.




Veja Vitor estraçalhando em “Baião”.




Veja Vítor executando “Solidão 1”, com orquestra, no SESC Belenzinho.




Como é uma repostagem com algumas alterações, veja Vitor na faixa de “Canto 3”, do álbum “Levaguiã Terê”, de 2016.




“Toque no. 1 (Rondó Fálcigo) é a primeira do álbum.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Radiohead queima a bruxa

Na semana passada, sem alguma explicação, os perfis da banda Radiohead sumiram do Facebook, do Google+, suas páginas ficaram em branco no twitter, e no site oficial, também. Estranho, muito estranho, mas ficou no ar que algo estava para acontecer. Especulou-se que estariam para lançar um novo álbum.

Previsão correta. No dia 3, anunciaram o lançamento do novo – o nono – álbum para o dia 8, domingo. No mesmo dia, lançaram o vídeo promocional Burn the Witch. Dois dias depois, foi a vez do clipe Daydreaming, dirigido por Paul Thomas Anderson, diretor de Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), filme em que a trilha sonora é de Jonny Greenwood,

Essas duas canções do clipe são as primeiras do álbum A Moon Shaped Pool, A primeira é a mais agitada do disco, a segunda é bem etérea, bem Radiohead, assim como Decks Dark, com efeitos eletrônicos e melancólica. Melancólica também é a balada Glass Eyes, A voz de Thom Yorke, frágil, combina perfeitamente com o clima um tanto asfixiante das instrumentações que lembram um pouco as viagens sonoras do Massive Attack. É uma mistura de densidades construídas com sons eletrônicos em contraste com sonoridades acústicas esparsas do violão ou do piano.

As músicas, no álbum, curiosamente, estão em ordem alfabética, o que sugere que não tenha sido produzido levando-se em conta alguma sequência de climas ou um conceito pré-determinado senão esse. Sendo assim, a primeira é Burn the Witch, e a última, True Love Waits que, inclusive, é uma das que são conhecidas pelos que foram aos shows da banda. Esta é de 1995. Aliás, alguns críticos especulam que esse é o último disco deles em razão de apenas cinco das onze são inéditas. De qualquer modo, Yorke, Greenwood e seus companheiros não fazem feio. Apesar de não apresentarem algo que possa ser rotulado como revolucionário ou inovador, é um dos grandes lançamentos do ano. É a impressão de sempre: beleza melódica acompanhada de um certo estranhamento, um algo fora de lugar, como aquele estranho olhar de Thom.

Veja Thom cantando True Love Waits.





Veja o clipe de Burn the Witch.





Veja o de Daydreaming, dirigido pelo diretor de Magnólia e de Ouro Negro.




O mercado mudou muito. Quase ninguém mais compra CDs. Com a disseminação de downloads ilegais, para quê pagar por algo possível de estar disponível de graça? Ilegal? Sim. Mas não teria sido ilegal valores escorchantes para uma mídia que tem custo de 2 reais e é vendido por 30, 35? Quer dizer que o resto vão para as gravadoras, artistas e vendedores. Entre zero e 35 reais, a tentação de não se pagar nada é irresistível, principalmente, ao jovem que vive de mesadas dadas pelos pais. A solução é apresentar produtos com diferenciais que os torne atraentes ao consumidor. Curiosamente, em vez de torná-los mais baratos, fazem produtos luxuosos e que custam muito caro. Não é diferente com A Moon Shaped Pool. Eles criaram um site exclusivo para a venda do álbum em vários formatos. Se te interessa, vai lá: http://www.amoonshapedpool.com/

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Novas aventuras de Thom Yorke

Capa do novo álbum de Thom Yorke
Está lá: dia 25 de fevereiro, Amok, álbum da banda Atoms for Peace, será lançado. Por enquanto é possível ouvi-lo no site oficial da banda: http://amok.atomsforpeace.info

Atoms for Peace faz parte de projeto paralelo de Thom Yorke com o produtor Nigel Godrich, Flea, do Red Hot Chilli Peppers e o percussionista brasileiro Mauro Refosco. Quem espera algo normal de Yorke? É um som muito em cima de batidas eletrônicas criadas em sintetizadores, laptops, percussões analógicas e marcações de baixo de Flea. No último Radiohead se percebe coisa semelhante.

Atoms for Peace é o nome da sexta faixa de The Eraser, solo de Thom Yorke, em 2006. Parece que a inspiração do nome veio de um discurso de Dwight Eisenhower, em 1953, general herói da 2ª Guerra Mundial, que sucedeu Harry Truman. O novo álbum poderia ser outro solo de Thom, mas este preferiu não. No fundo é uma “continuação” de The Eraser, a começar pelo tipo de som, pela participação nos dois discos do produtor Nigel Godrich, que se incumbe dos teclados, guitarras e sintetizadores; e até pela capa em preto e branco, provavelmente, criada pelo mesmo designer, Stanley Donwood (não é certeza, pois não tenho a ficha técnica do novo álbum).

A palavra “amok” significa louco, fora do normal. Ao mesmo tempo, se separamos – “am” e “ok” –, é o caso de se pensar em “I’m ok”. Será esse o estado natural da humanidade? Amok?

Entre no site oficial, que é possível conhecer todas as faixas (http://amok.atomsforpeace.info). Se você está com preguiça, clique no player e ouça, pelo menos, uma delas – Ingenue.



Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.

Default.




Uma joia. Atoms for Peace interpreta Love Will Tear Us Apart, do Joy Division.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Você já comprou o download do último Radiohead?

Eu já. Por módicos US$ 9 é possível se fazer o download de The King of Limbs. É só entrar em http://www.thekingoflimbs.com/DIUSD.htm. Sou a favor de ajudar os criadores: precisam de dinheiro, como nós. E não é muito. Agora, se você quiser, já vi que tem “de grátis” por aí.

Estou ouvindo ainda. Por enquanto, estou achando o penúltimo In Rainbows bem superior. Está disponível um vídeo também. Quer ver? Está aqui.