![]() |
| Imagem rara de Steve Eliovson |
Pouco se sabe também de como Steve foi gravar um disco por uma gravadora tão prestigiada como a ECM. “Dawn Dance”, lançado em 1981, tornou-se uma “espécie de lenda nos anais da ECM”, segundo Tyran Grillo (www.ecmreviews.com). Ser um disco apenas ao violão e a a percussão do genial Collin Walcott, deve ter sido ideia de Manfred Eicher, produtor e dono da gravadora. A parceria funcionou muito bem. O violão de notas claras, melodicamente sofisticado, de belas atmosferas, merecia continuidade. E assim ficou combinado. Steve gravaria um segundo disco para a ECM. Encaixava-se perfeitamente no que ficou conhecido como “ECM sound”, “o som mais perfeito depois do silêncio”. Eicher tinha em seu plantel violonistas guitarristas que se encaixavam ao seu gosto: além de Steve, Ralph Towner, John Abercrombie e Bill Connors.
Tom Marcello foi passar uma semana e meia na África do Sul. Convidado para uma reunião na casa do pianista Robert Payne, foi apresentado a um tal “Steve”. Ao ouvir Steve dizer que gravara na Alemanha, perguntou-lhe o sobrenome: “Eliovson”. Foi uma grande surpresa para Tom. Mal sabia que aquele guitarrista que, um dia, o havia impressionado, estava vivo e era sul africano. É uma das poucas coisas que se sabe de Steve.
Eliovson tinha ido à Europa para gravar o segundo álbum para a ECM. Aproveitando o fim de semana anterior ao seu início, foi esquiar nos Alpes. Quebrou a perna. As gravações foram adiadas e voltou a Nova York. Sem poder tocar, ficou sem dinheiro. Deixou suas guitarras e equipamentos em um depósito e resolveu voltar à África do Sul e lá ficar enquanto se recuperava. Não voltou. Vendeu os pertences que deixara em Nova York e nada se sabe do que fez depois. É um mistério. Em Nova York, estava ensaiando com o pianista Richie Beirach e o saxofonista e flautista Dave Liebman. Tinha uma carreira pela frente e um novo disco programado por uma gravadora de prestígio.
Ouça o álbum. “Song of the Master” é uma das minhas preferidas.
PS: Nos comentários, Alexandre Fernandes escreveu que ele morreu em 15 de março de 2020, em Johannesburgo, África do Sul.
