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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Led Zeppelin só para os fanáticos

Led Zeppelin, com Jimmy Page em primeiro plano
Nos últimos meses estão sendo lançados em “Deluxe Edition” os álbuns de estúdio do Led Zeppelin. É uma banda que continua a amealhar fãs, apesar de não existir há muito tempo. Gerações e gerações “descobrem” o som de um dos mais brilhantes quartetos de todos os tempos. Depois da morte de John Bonham, após a ingestão do equivalente a 20 garrafas de vodca, perdeu-se a razão de sua existência. De quando em quando fazem um revival, mas faz tanto tempo que o baterista se foi, que quem o substitui nessas ocasiões, é seu filho Jason Bonham.

Os mais fanáticos devem estar comprando as edições de luxo porque não querem perder nada do que está relacionado à banda. Os novos fãs têm a oportunidade de curti-los em versões remixadas e, de quebra, contendo faixas alternativas ou inéditas. Portanto, é provável que tenha boas vendas. Se bem que, a venda de álbuns físicos está tão baixa que neste ano ninguém vai ganhar disco de platina, que nos EUA equivale a venda de 1 milhão de cópias.

Por enquanto, o mais recente é Houses of the Holy. Estou esperando o lançamento de Phisical Graffitti, o meu preferido dentre os preferidos.

Ouça a versão estendida de The Song Remains the Same, que está no segundo CD. O primeiro é igual e remixado.




Do IV, ouça a versão de Going to California sem os vocais.




Do III, ouça Bathroom Sound, conhecida como Out on the Tiles.




Do II, ouça um rough mix de Heartbreaker.



Se você sentiu falta da voz de Robert Plant em algumas das faixas apresentadas, pegue a letra na Internet e faça o seu cover do inglês. Coragem!

terça-feira, 16 de julho de 2013

Breve relato do encontro de Robert Plant com Bobby Gillespie

Novo disco do Primal Scream
Screamadelica causou furor quando foi lançado. Logo era considerado entre os melhores do ano de 1991. Passados os anos, continua a figurar entre os melhores de todos os tempos em cada lista que sai em revistas especializadas em música.

Bobby começou baterista do Jesus and Mary Chain e depois, criou o Primal Scream. O tal do “grito primal” foi moda depois de John Lennon e Yoko Ono apregoarem as virtudes terapêuticas da Terapia Primal, criada pelo psicoterapeuta Arthur Janov. Alguém se lembra de uma música em que Yoko fica o tempo todo gritando ou qualquer coisa parecida? Seus “poderes terapêuticos” ecoaram posteriormente com a banda Tears for Fears e virou nome da banda de Gillespie. Hoje, pouco se fala disso. Procure na internet.

O cantor líder do Primal Scream fez ecoar seus gritos em nomes “ruidosos” como Screamdelica, o grito psicodélico, Exterminator (grafado XTRMNTER), Vanishing Point, nome de um filme cult belíssimo, Evil Heat e Riot City Blues. Segundo a crítica, Bobby era uma espécie de Mick Jagger da geração rave. A associação não é tão delirante. A levada de Movin’ On Up, a primeira de Screamadelica, é próxima à fase de Their Satanic Majesties, Let It Bleed e The Beggars’ Banquet, dos Stones.

Veja Movin’ On Up. Faz parte do DVD comemorativo dos 20 anos do lançamento de Screamadelica.




Psicodelia e rave combinam com drogas. É, elas passaram a atrapalhar a criatividade de Bobby. Parou faz cinco anos. O último, antes de More Lights, que acaba de ser lançado, foi Beautiful Future, em 2008. Uma das faixas conta com um convidado muito especial.

Ele andava pelas ruas de Londres e avistou o ex-vocalista do Led Zeppelin Robert Plant. Sentaram-se no café e Plant perguntou se precisava de alguma ajuda. Perguntou-lhe se toparia participar do disco que estava gravando. Dias depois, Plant deixou uma mensagem eletrônica no telefone dizendo-lhe que passaria no estúdio com sua gaita. E deu que ele participa de Elimination Blues, nona faixa do álbum.

Confira.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Chá para um ou para dois? O de Robert Plant é para um

Doris Day e Robert Plant
Tea for Two, composta em 1925, é do musical No, No Nanette. É de Vincent Youmans, com letra de Irving Caesar. É um dos grandes standards do cancioneiro americano. Foi gravada e tocada por meio mundo. Funciona bem cantada e, tocada apenas, também. Não foi Nick Hornby, em Alta Fidelidade, quem inventou a mania de listas dos melhores – as dez mais, os livros que se deve ler antes de morrer, etc. –, mas dali em diante, o inglês virou referência à mania, tão comum, de fazermos listas. No meu levantamento, tenho 37 interpretações diferentes de Tea for Two, o que comprova a popularidade desse tema de quase 100 anos de idade. Gosto, particularmente, dessa música no piano. Elegeria as de Nat “King” Cole, Art Tatum e de Bud Powell as melhores nesse instrumento. Existe uma no saxofone, excepcional, a de Lester Young, em The President Plays (Verve). “Presidente” era o apelido de Young. Com letras, pode-se destacar as de Anita O’Day, Bobby Short, Ella Fitzgerald, Lee Wiley, Jane Monheit e, é claro, a de Doris Day.

A letra de Caesar é a narração de um momento ideal do amor, o chá para dois e “nós dois com chá”. Refere-se àquelas horas em que se vive o amor sem que os amigos ou um parente possam estragá-lo, sem um telefone a atrapalhar o idílio. O chá para dois é o momento só dos dois.

O chá para uma pessoa, ao contrário, celebra a solidão, o tédio, distância e saudade: “Como é que vinte e quatro horas,/ baby, às vezes, parecem dias/ Oh, vinte e quatro horas/ Baby, às vezes, parecem dias/ Quando um minuto parece durar toda a vida.”

Tea for One é a última faixa de Presence, o sétimo álbum do Led Zeppelin. Como a banda andou “falada” nos últimos dias por conta do lançamento do DVD e exibição nos cinemas de Celebration Day, o último show deles, e Robert Plant se apresentou no Brasil, fiquei ouvindo o Zeppelin nesses dias em que andei aprisionado no trânsito paulistano. Quando ouvi esse blues, lembrei-me que tinha esquecido dele; e é tão bom quanto Since I’ve Been Loving You.

Agora, é ouvir (e ver) Tea for One.




E, que tal matar as saudades do Led Zeppelin ouvindo Since I’ve Been Loving You?




Doris Day. Em Saudades do Século 20 (Companhia das Letras, 1994), de Ruy Castro, Doris é um dos treze gênios do século passado. Não é pouco. Ouça Tea for Two, por Doris. Outro dia, “mataram” o arquiteto Oscar Niemeyer (sábado, 10 denovembro). Doris (nasceu em 1922) está vivinha da silva.



Nat “King” Cole interpreta Tea for Two. Essa é daquelas que não se pode perder. Maravilha pura.