No início dos anos 1960, Stan Getz era um músico com uma boa discografia e prestígio. Em 1943, estava tocando na orquestra de Jack Teagarden, portanto já era um veterano. Passou logo depois pelas bandas de Benny Goodman e Woody Herman. Nesta, ficou conhecido como um dos ‘four brothers”, com Serge Chaloff, Zoot Sims e Herbie Steward.
Como experiência de vida, em 1954, passou pela cadeia ao tentar roubar morfina em uma farmácia. Casamento desfeito, logo estava casado com a sueca Monica Silfverskiöld. Na nova vida, talvez para distanciar-se do ambiente das drogas, mudou-se com a mulher para Copenhagem. Teve dois filhos com ela e outro com a amiga Inga Torgner. Monica era compreensiva. Ela o amava. A Europa era boa com os músicos americanos expatriados. Stan sempre tinha um lugar para tocar.
No meio de tantos negros bons que tocavam em velocidades supersônicas, Getz era um judeu branco, bom também, mas não do bebop. Gostava da suavidade de Lester Young. No início dos anos 1960, não estava nem aí com a emergente bossa nova. O produtor Creed Taylor, sempre do olho nos dólares, pretendia gravar um álbum de bossa nova com o guitarrsta Charlie Byrd e precisava de alguém de renome para maior apelo comercial. Getz aceitou o convite um pouco por favor a Taylor. Jazz Samba ficou em primeiro nas paradas da Billboard e o saxofonista ganhou um Grammy pela melhor interpretação em jazz com Desafinado no ano seguinte. Fez pouco caso: mandou a mulher Monica para receber o prêmio. Uma observação: era um favor a Taylor, mas era uma oportunidade de ganhar alguns dólares. Alguns vícios são dispendiosos e ele devia impostos para o governo da Dinamarca.
Dinheiro não aceita desfeita e Getz como bom judeu, sabia disso. Percebeu que podia ganhar um bom dinheirinho, como diria Tom Jobim, e abraçou a bossa nova. No reboque do sucesso do primeiro, gravou Getz/Gilberto, com participação de Jobim, João Gilberto e Astrud Gilberto, na época mulher do cantor violonista. Disse a Astrud que faria o disco se ela fizesse uma mescla de canções cantadas em português e inglês. O sucesso foi mais estrondoso ainda e ganhou mais um Grammy, e mais dólares. Resultado: quando precisa de algum, lembrava-se logo de João Gilberto e sua turma. No total foram quatro álbuns bossa nova pelo selo Verve.
João
Histórias sobre as esquisitices de João Gilberto são abundantes e até folclóricas. Desde sua mudança para o Rio de Janeiro, nunca pagou aluguel. Baixava na casa de alguém pedindo morada por algumas semanas até arrumar um lugar em definitivo. As semanas viravam meses, até ser expulso. Daí, arrumava outro amigo que pudesse acolhê-lo. Outra conhecida é a de que, em certa ocasião, quando fazia um show, um espectador, no fim da apresentação, disse ter ficado impressionado com a sonoridade do violão. João deu-lhe de presente. Detalhe: não era seu.
Ao passar a morar em Nova York, como lá não tinha amigos, provavelmente, teve que pagar aluguel, pela primeira vez na vida. Também, dinheiro não lhe faltaria daí em diante. A fama de esquisitão e de cantor genial atravessou o oceano. Excursionou pela Europa, morou no México, apresentou-se por duas vezes em O Fino da Bossa, comandado por Elis Regina.
Depois dos álbuns iniciais lançados apenas no Brasil e os do mercado americano, não gravou mais nada nos anos 1960. Apenas em 1973, iria lançar o que ficou conhecido como o “album branco de João”, pela Polydor. Getz deve ter pensado: “João significa… dólares”. Em 1976, estavam novamente no estúdio, com uma diferença: Astrud Gilberto tinha virado “persona non grata”. Em seu lugar, entrou Miúcha, a nova mulher de João.
O título do álbum – The Best of Two Worlds – era perfeito para o reencontro. É um dos grandes discos da discografia de Getz, e de João, também. Um dos solos mais belos do saxofonista é o do início de Ligia. Miúcha está perfeita em Just One of Those Things, e João é genial na divertida Izaura, de Herivelto Martins, e em É Preciso Perdoar, de Alcivando Luz e Carlos Coqueijo Costa. Quarenta anos depois, o álbum soa tão bom quanto em sua primeira audição.
Ouça Ligia.
João ’76
Não deve ter sido fácil convencer João a sair do apartamento. Getz queria promover o álbum lançado pela Columbia. Se por necessidade ou prazer, isso pouco importa, mas fizeram algumas apresentações, que aconteceram entre 11 e 16 de maio de 1976 no Keystone Korner, em San Francisco.
George Klabin, fundador da organização sem fins lucrativos Rising Jazz Stars Foundation, resolveu criar uma gravadora com a intenção de lançar registros inéditos de nomes importantes da história do jazz. Já estão disponíveis CDs de Larry Young (In Paris: The ORTF Recordings), Thad Jones and Mel Lewis Orchestra (All My Yesterdays), Bill Evans (The Lost Tapes from the Black Forest), e Stan Getz e João Gilberto (Getz/Gilberto ’76), dentre outros.
Na introdução, Getz diz o quanto aquele encontro é especial pelo fato de João, com sua voz cálida, sem vibratos ser um cara único e também por ele ser resiliente em apresentar-se. Fim de papo. O resto é música. Acompanhados por seu quarteto da época, com Joanne Brackeen ao piano, Clint Houston no contrabaixo, e Billy Hart na bateria, o protagonismo é do brasileiro e do saxofone tenor. Quase não se ouve o piano de Jonne, por exemplo.
Das onze músicas do álbum, descontado o bis, que é repetido, cinco são de The Best of Two Worlds. Extraídas de registros em fitas cassete, até que a qualidade sonora é razoável. Em termos de performance, o álbum em estúdio é superior, mas como Getz frisa no início, uma apresentação ao vivo de João é um acontecimento especial.
Ouça É Preciso Perdoar, de The Best of Two Worlds.
Leia mais sobre João Gilberto:
Estate, João Gilberto, USP 1977
Besame Mucho: o primeiro de um milhão de beijos.
Leia mais Stan Getz:
Nós que não gostávamos tanto de Stan Getz
Dias chuvosos e “Here’s That Rainy Day”
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quinta-feira, 7 de julho de 2016
terça-feira, 4 de novembro de 2014
A grande arte de Dave Holland e Kenny Barron
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| Dave Holland e Kenny Barron |
Já na era dos CDs, e com novo proprietário, boa parte do catálogo foi relançado no novo formato, e em novo “impulso”, foi responsável por alçar ao sucesso a canadense Diana Krall. Relativamente conhecida em seu país natal, lançara Steppin’ Out, pelo selo JustinTime. Era pianista de primeira. E cantava. O segundo – Only Trust Your Heart – saiu pela GRP, gravadora de Dave Grusin. Tanto esse selo como a Impulse! faziam parte do Universal Music Group, outrora, MCA. Resumindo, nessa confusão, os donos sempre foram os mesmos. Os próximos três álbuns de Krall, depois do primeiro – All for You: A Dedication to the Nat King Cole Trio – todos de qualidade excepcional e ótimo apelo comercial, serviram para lembrar que o nome Impulse! foi lançadora de grandes álbuns na década de 1960. The Look of Love (2001) é o primeiro pela Verve, que é da Universal, que por sua vez, era proprietária do outro selo. Entendeu? Os donos eram sempre os mesmos.
McCoy Tyner Plays John Coltrane (1991) foi o último, disco que o pianista homenageia seu antigo líder. Agora, em 2014, quando parecia sepultada de vez, ressurge das cinzas com lançamentos interessantes. Acaba de sair um álbum com Charlie Haden e Jim Hall. É inédito, mas não foi gravado neste ano, pois os dois estão mortos. Outro é de dois que estão vivos e muito bem: Kenny Barron e Dave Holland. É desse álbum que faço alguns comentários.
Dave Holland figura em qualquer lista dos melhores contrabaixistas desde quando começou a tocar com Miles Davis no fim dos anos 1960. Destaca-se não apenas como instrumentista. Seu quinteto, com Chris Potter, Steve Nelson, Robin Eubands, Billy Kilson foi considerado como um dos melhores combos de jazz. Pela ECM gravou dezenas de álbuns e quase sempre também marcam presença dentre os melhores do ano. No seu currículo constam também solos, participações e discos diferentes como o que gravou com a banda do violonista flamenco Pepe Habichuela.
Kenny Barron é menos conhecido. Injustamente, pois é um dos melhores pianistas da atualidade. Tocou como sideman de Dizzy Gillespie, Philly Joe Jones, Yusef Lateef e Stanley Turrentine, dentre outros. Sunset Dawn foi seu primeiro álbum como líder pelo selo Muse, em 1974. Um de seus grandes discos é People Time (Verve 1992), álbum duplo com registros de uma turnê que fez com Stan Getz. Foi a última gravação do grande saxofonista. São números memoráveis. Em 2010, foi lançado uma edição especial dessa excursão, com sete CDs. É imperdível.
Ouça a belíssima First Song, de Charlie Haden, com os dois.
Veja os dois em People Time.
Kenny Barron é o pianista da delicadeza e da elegância. The Art of Conversation, agora lançado, é o encontro dessas duas elegâncias. Os dois têm se apresentado desde 2012 e programaram um tour pelos EUA e Europa que se iniciou há pouco e se estende até dezembro. Além de grandes instrumentistas, são compositores prolíficos. Em seus discos como líder, costumeiramente, privilegiam composições próprias. Neste, quatro são de autoria de Dave e três de Kenny. Completam Thelonious Monk, Charlie Parker e Duke Ellington.
Ouça Rain, de Barron, e confirme sua maestria e delicadeza.
Veja os dois em In Your Arms, de Holland.
Veja uma apresentação dos dois, na íntegra, no Jazz à La Villette, em 2012.
Uma última nota: estão programados álbuns de Madeleine Peyroux, Jacky Terrasson e Randy Weston nessa nova fase da Impulse!
terça-feira, 29 de abril de 2014
Nós que não gostávamos tanto de Stan Getz
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| Stan Getz e o pianista Kenny Barron |
Quando Stan Getz apresentou-se em um festival de jazz, em meados dos anos 1970, era um entre atrações como John McLaughlin na fase pós-Mahavishnu, Chick Corea e Hermeto Pascoal. Eu e alguns amigos juntamos um dinheirinho e optamos por comprar ingressos para todos os dias, uma vez que, se comprássemos separadamente, poderíamos perder os mais importantes, que são sempre os que têm seus ingressos esgotados. Tinha uma programação à tarde e outra à noite. A da tarde, bem mais barata, foi nossa opção natural.
Naquela empolgação típica de adolescentes, assistíamos a do dia e ficávamos a driblar a fiscalização para podermos ver as sessões da noite também. Nessa brincadeira, teve dias em que ficamos doze horas dentro do teatro do Palácio do Anhembi, aquele que tem formato de pudim, na zona norte de São Paulo.
Stan Getz era o cocô do cavalo do bandido, era aquele que estaríamos vendo porque estava no pacote. E, realmente, sua apresentação foi um tanto fria. Entrou mudo e saiu calado. Não deu um sorriso, não disse nenhuma palavra em português, enfim, só tocou. E, sabe como é: brasileiro se derrete quando algum gringo se esforça em falar algumas palavras na nossa língua, até um simples “obrigado”.
Estávamos empolgados, muito felizes de ter uma possibilidade única de ver McLaughlin e Corea no auge de suas carreiras. Propagandearam que poderiam acontecer jam-sessions no fim das programações. E, de fato, ocorreu. A antológica, aquela que ficou gravada foi a de quando Hermeto era o último da noite. Enquanto o mago de Arapiraca fazia das suas, percebemos a entrada de John McLaughlin. Ficou lá parado, fazendo uns riffs, para entrar no clima. Em poucos momentos, já dentro do clima, fez um solo de frevo, ritmo que nem devia saber que existia. Músico bom é músico bom. Mais um pouco, Lá estava Chick Corea fazendo percussão. Timidamente, entra Stan Getz. Fora do clima, tocava algumas notas de saxofone, inaudíveis no meio da zona musical instaurada.
Jovens são cheios de opiniões, como disse. Na minha roda dos fãs do jazz, tínhamos nossos ídolos. No saxofone tenor eram Ben Webster, Coleman Hawkins e Lester Young. Éramos um pouco puristas também e quando o assunto era ídolos, os nossos eram os da antiga. Dexter Gordon não entra na lista porque o conheceríamos com o lançamento de Sophisticated Giant, em 1977. Nós que éramos jovens, repito, éramos sectários e preconceituosos ao inverso: para ser bom tinha de ser negro. Stan Getz era um forasteiro, um judeu branco americano que se aproveitou da onda da bossa nova para ficar famoso. E sua apresentação não tinha-me feito mudar de opinião.
À época do “desprezo por Getz”, 1976, foi lançado The Best of Two Worlds, álbum com ele, João Gilberto e Miúcha. Um ano antes tinham lançado The Peacocks. Em relação a este, ao gostar dele, tinha Jimmy Rowles como “argumento”. Como é que eu não conhecia? O jeito de Jimmy tocar e cantar era uma coisa! As primeiras notas de Rowles ao piano na música título – The Peacocks, de Bill Evans – deixaram uma marca em meu cérebro, como uma cicatriz. E, afinal, a parte de Getz era uma maravilha. Tinha de rever os meus conceitos sobre o saxofonista.
Perdi a conta de quantas vezes ouvi a Lígia de The Best of Two Worlds. A voz de João Gilberto era de uma melancolia maior do que a de seus autores Chico Buarque e Antônio Carlos Jobim e o longo solo de Getz, com o violão de Gilberto era pura poesia.
Ouça Lígia.
A rendição final ao saxofone de Stan Getz aconteceu depois de ter comprado People Time, um CD duplo com apresentações ao vivo dele com Kenny Barron, no Café Montmartre, em Copenhagen, em 1991. A Dinamarca não era um lugar estranho para ele.
O saxofonista começou cedo. Com 16 anos, passou a tocar na banda de Jack Teagarden. Getz foi precoce na iniciação com as drogas em razão do meio em que convivia. Em 1954 foi preso por tentar roubar uma farmácia. Para se livrar das drogas e da cadeia, mudou-se para Copenhagen, cidade que acolheu muitos bons nomes do jazz da década de 1950, que emigraram para a Europa por causa de problemas com drogas, como também por terem melhor acolhida, o que não acontecia com a maioria dos músicos negros nos EUA. E já que estava por lá, casou novamente; dessa vez, com uma ricaça dinamarquesa.
Em 1991, Getz estava com câncer no fígado em estado avançado. As apresentações em duo com Barron servem como testamento pois foram gravadas nos dias 3, 4, 5 e 6 de março, pouco antes de sua morte, em 6 de junho. Tocando em um dos clubes de jazz mais famosos do mundo, estava em seu segundo lar.
Uma das melhores faixas é a de First Song (for Ruth), composição de Charlie Haden.
Ouça East of the Sun (and West of the Moon).
Softly, As in a Morning Sunrise.
Quando morreu, Getz tinha 64 anos. Pelas estatísticas modernas, foi cedo. Mas continuou a fazer shows pelo mundo afora, em clubes e em festivais. Em 2003 foi lançado um CD chamado Bossa and Ballads: The Lost Sessions. O “lost sessions” é bem explicitativo. Mas não eram tão “lost”. Ficaram apenas à espera de uma oportunidade de serem lançadas. Foram feitas em 1989 com o mesmo Kenny Barron, George Mraz e Victor Lewis. Evidente que a expressão “bossa” nos remete aos grandes discos da fase em que conheceu a música brasileira através de Charlie Byrd. O momento mais bossa nova é a faixa Joanne Julia, e a mais brasileira mesmo seria uma canção cujo título é Feijoada, com direito a bumbo, algo incomum na música americana. E isso não é “culpa” de Getz. Barron, os que o conhecem, sabem bem: é um apaixonado pela música brasileira e, ao contrário da maioria dos pianistas, é compositor também. As duas são de sua lavra, assim como a maior parte do CD. As exceções são Yours and Mine (Mel Lewis), Soul Eyes (Mal Waldron), Beatrice (Sam Rivers) e The Wind (Russ Freeman, Jerry Gladstone).
terça-feira, 24 de julho de 2012
Dias chuvosos e “Here’s That Rainy Day”
Bem longe de Londres, no Hemisfério Sul, experimentamos dias chuvosos, e a paisagem que vejo da janela é muito feia (em qualquer estação, nesse bairro onde trabalho). A chuva que cai desde a madrugada me deixa melancólico. Quem sai na chuva, sai por necessidade. A situação ideal é ficar em casa, assistindo a uma “sessão da tarde”, ou na falta do que fazer, ver a vida “acontecendo” pela janela. A imagem da melancolia está, invariavelmente, ligada à contemplação.
Os dois parágrafos se referem a um estado de espírito e, porquanto ouço uma bela interpretação de Here’s That Rainy Day com George Shearing.
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| Van Heusen e Burke são autores de grandes standards |
A música foi composta por Jimmy van Heusen, com letra de Johnny Burke, em 1953. Foi cantada, pela primeira vez, por Dolores Gray, no musical Carnival in Flanders. O musical não vingou, mas a canção se tornou um clássico. Foi cantada por uma infinidade de intérpretes: Billy Eckstine, Frank Sinatra, Tony Bennett, Rosemary Clooney, June Christy, Perry Como, Ella Fitzgerald, Astrud Gilberto e muitos mais. O tema serviu para maravilhosas incursões instrumentais de Stan Getz, Joe Pass, Chet Baker, Bill Evans, Dave Brubeck, Art Farmer, enfim, pelo primeiro time do jazz. Dessa interpretações, possuo na minha CDteca trinta gravações diferentes, e no meu iTunes que ouço durante o trabalho, dezenove.
A segunda coisa é a lembrança de quando eu, a Daniela Secondo, o Oswaldo de Camargo e a Betha Hermano finalizávamos o livro Ação sobre a Pregação, uma coletânea de depoimentos sobre Mario Covas. O aparelho de som está sempre ligado, mesmo nas horas de trabalho. Nunca me atrapalhou. Lembro, até hoje, quando rodava o CD Nobody Else But Me, de Stan Getz, de Betha ter dito que era uma de suas baladas preferidas. A Betha entendia muito de música. Ficou a saudade dos “happy hour” que fazíamos perto das 20h. Era a hora da pausa. Tomávamos um scotch – menos a Dani, que não era de beber –, e depois, continuávamos o nosso trabalho.
Betha, você não está mais aqui, mas essa é pra você. Nessa interpretação, Getz é acompanhado por Gary Burton no vibrafone, Gene Cherico no contrabaixo, e Joe Hunt na bateria. Foi gravada em 4 de março de 1964.
A segunda coisa é a lembrança de quando eu, a Daniela Secondo, o Oswaldo de Camargo e a Betha Hermano finalizávamos o livro Ação sobre a Pregação, uma coletânea de depoimentos sobre Mario Covas. O aparelho de som está sempre ligado, mesmo nas horas de trabalho. Nunca me atrapalhou. Lembro, até hoje, quando rodava o CD Nobody Else But Me, de Stan Getz, de Betha ter dito que era uma de suas baladas preferidas. A Betha entendia muito de música. Ficou a saudade dos “happy hour” que fazíamos perto das 20h. Era a hora da pausa. Tomávamos um scotch – menos a Dani, que não era de beber –, e depois, continuávamos o nosso trabalho.
Betha, você não está mais aqui, mas essa é pra você. Nessa interpretação, Getz é acompanhado por Gary Burton no vibrafone, Gene Cherico no contrabaixo, e Joe Hunt na bateria. Foi gravada em 4 de março de 1964.
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