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| Dave Holland e Kenny Barron |
Já na era dos CDs, e com novo proprietário, boa parte do catálogo foi relançado no novo formato, e em novo “impulso”, foi responsável por alçar ao sucesso a canadense Diana Krall. Relativamente conhecida em seu país natal, lançara Steppin’ Out, pelo selo JustinTime. Era pianista de primeira. E cantava. O segundo – Only Trust Your Heart – saiu pela GRP, gravadora de Dave Grusin. Tanto esse selo como a Impulse! faziam parte do Universal Music Group, outrora, MCA. Resumindo, nessa confusão, os donos sempre foram os mesmos. Os próximos três álbuns de Krall, depois do primeiro – All for You: A Dedication to the Nat King Cole Trio – todos de qualidade excepcional e ótimo apelo comercial, serviram para lembrar que o nome Impulse! foi lançadora de grandes álbuns na década de 1960. The Look of Love (2001) é o primeiro pela Verve, que é da Universal, que por sua vez, era proprietária do outro selo. Entendeu? Os donos eram sempre os mesmos.
McCoy Tyner Plays John Coltrane (1991) foi o último, disco que o pianista homenageia seu antigo líder. Agora, em 2014, quando parecia sepultada de vez, ressurge das cinzas com lançamentos interessantes. Acaba de sair um álbum com Charlie Haden e Jim Hall. É inédito, mas não foi gravado neste ano, pois os dois estão mortos. Outro é de dois que estão vivos e muito bem: Kenny Barron e Dave Holland. É desse álbum que faço alguns comentários.
Dave Holland figura em qualquer lista dos melhores contrabaixistas desde quando começou a tocar com Miles Davis no fim dos anos 1960. Destaca-se não apenas como instrumentista. Seu quinteto, com Chris Potter, Steve Nelson, Robin Eubands, Billy Kilson foi considerado como um dos melhores combos de jazz. Pela ECM gravou dezenas de álbuns e quase sempre também marcam presença dentre os melhores do ano. No seu currículo constam também solos, participações e discos diferentes como o que gravou com a banda do violonista flamenco Pepe Habichuela.
Kenny Barron é menos conhecido. Injustamente, pois é um dos melhores pianistas da atualidade. Tocou como sideman de Dizzy Gillespie, Philly Joe Jones, Yusef Lateef e Stanley Turrentine, dentre outros. Sunset Dawn foi seu primeiro álbum como líder pelo selo Muse, em 1974. Um de seus grandes discos é People Time (Verve 1992), álbum duplo com registros de uma turnê que fez com Stan Getz. Foi a última gravação do grande saxofonista. São números memoráveis. Em 2010, foi lançado uma edição especial dessa excursão, com sete CDs. É imperdível.
Ouça a belíssima First Song, de Charlie Haden, com os dois.
Veja os dois em People Time.
Kenny Barron é o pianista da delicadeza e da elegância. The Art of Conversation, agora lançado, é o encontro dessas duas elegâncias. Os dois têm se apresentado desde 2012 e programaram um tour pelos EUA e Europa que se iniciou há pouco e se estende até dezembro. Além de grandes instrumentistas, são compositores prolíficos. Em seus discos como líder, costumeiramente, privilegiam composições próprias. Neste, quatro são de autoria de Dave e três de Kenny. Completam Thelonious Monk, Charlie Parker e Duke Ellington.
Ouça Rain, de Barron, e confirme sua maestria e delicadeza.
Veja os dois em In Your Arms, de Holland.
Veja uma apresentação dos dois, na íntegra, no Jazz à La Villette, em 2012.
Uma última nota: estão programados álbuns de Madeleine Peyroux, Jacky Terrasson e Randy Weston nessa nova fase da Impulse!

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