quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Antes que chegue o próximo Natal e tenha deixado de falar de Christmas, de Michael Bublé

Será presente de grego o que Bublé oferece?
Estou tentando, até agora, descobrir a razão de Christmas, o álbum natalino de Michael Bublé, ter vendido quatro milhões de cópias no mundo todo em pouco mais um mês após o lançamento. Inexplicável.

Fiquei mal impressionado ao vê-lo em um DVD, se não me engano, o da apresentação no Madison Square Garden, em vários momentos, falando de dinheiro – coisas do tipo “preciso faturar um, comprem meus discos”. Com seu charme pré-fabricado, cara de menino desprotegido, um tipo que, se não um Clark Gable, bem apessoado, amealhou um sem-número de fãs de todas as idades. A mistura do pop com pitadas de jazz e arranjos orquestrais batidos têm causado efeito sobre adolescentes até. Acho que suas fãs – no feminino, pois acho que é a maioria – resolveram atender aos seus apelos para deixá-lo um pouco mais rico e ajudaram o Natal de Bublé; essa é a única explicação para tanto disco vendido.

É um tanto parecido com o caso de Jamie Cullum, mas este é muito mais talentoso, canta, toca bem piano (e até sobe nele), que também foi “lançado” com um bom background mercadológico. Mas Jamie é mais jazz, apesar de flertar bem com o pop (e rock) de Jimi Hendrix e Cia.; a diferença é que não tem a “fachada” de Bublé, e é um “moleque” serelepe cheio de energia e, acho, não passa pela sua cabeça nem na de seus assessores de marketing, aparecer de terninho com a gravata levemente afrouxada para denotar um tipo de “elegância distraída”.

Bublé, um pouco como Harry Connick Jr., aventurou-se por um caminho híbrido, aproveitando-se dos atributos físicos, trabalhando como ator também. Isso não é fenômeno recente. Desde quando o cinema ganhou som, atores e atrizes cantam e atuam. Bons intérpretes acabaram tendo participações no cinema e não fizeram feio como atores; lembro do maior deles: Frank Sinatra. No caso do canadense, imagino que seus marqueteiros devem ter pensado em vendê-lo como um novo Sinatra. Em beleza, certamente é superior ao “baixinho”, filho de italianos; como cantor, nunca chegará aos pés.

O cantor já tinha se aproveitado do “velhinho” para levantar um dinheirinho. Em 2003, em início de carreira ainda, lançou um EP (os chamados “extended play”, que acondicionam menos músicas) chamado Let It Snow.

Christmas corresponde a um tempo em que Bublé nem precisava pedir ajuda ao Papai Noel: est´å pra lá de rico e famoso. É um disco de Natal que atira para os lados e, considerando-se um dólar por disco, está quatro milhões de dólares mais rico. Tem participação de Shania Twain em White Christmas, do grupo The Puppini Sisters, em Jingle Bells, e, como não poderia faltar – para encher mais ainda o cofrinho dele –, um Mis Deseos / Feliz Navidad, cantada em espanhol com a mexicana Thalia.

E, como existe gosto pra tudo – até de se ficar curtindo músicas natalinas como se estivéssemos no Hemisfério Norte –, veja Michael Bublé cantando Santa Claus Is Coming to Town.





Entre em http://www.fileserve.com/file/P3tGfU4 para fazer download de Christmas.

Um feliz ano novo a todos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

El Camino, o novo Black Keys

A capa do último Black Keys
O Black Keys, depois de emplacar o CD Brothers como o segundo melhor de 2010 na revista Rolling Stone, lançou, recentemente, El Camino. Os americanos sempre adoraram um título em espanhol, antes até, de se tornarem um país mezzo-americano, mezzo-latino: é, no entanto, o que a história lhes destina. A famosa frase do poeta e ensaísta Octavio Paz, ao se referir ao seu país natal, o México – “Tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos” –, fatalista em relação à proximidade geográfica, pode servir como um comentário das mudanças que a história impõe: os EUA são, cada vez mais, latino.

Em contrapartida, podemos observar a força das raízes musicais americanas. O jazz e o blues são linguagens genuinamente fincadas e desenvolvidas nesse país. Mesmo que o álbum mais recente do Black Keys se chame El Camino, é, essencialmente americano. As primeiras notas da guitarra sinalizam a força desse gênero que muda e muda mas mantém uma identidade.

Essa banda que completa dez anos de existência, na verdade, uma dupla – Dan Auerbach e Patrick Carney – é de uma cidade de nome peculiar, situada no estado de Ohio: Akron. Por mais “domada” que possa ficar – conta com a produção de Danger Mouse, um dos braços da excelente Gnarls Barkley – continua sendo o que se convencionou chamar de “banda de garagem”. O som deles continua “sujo” e visceral. A guitarra de Auerbach tem uma pegada, que, às vezes lembra o som punk da banda inglesa Clash, produzindo riffs poderosos e melódicos ao mesmo tempo. São sons que, junto à bateria de Carney, formam um tecido rítmico contagiante, que é puro rock, por mais que flertem o pop. Se não tão impactante quanto o anterior Brothers, a cada audição “cresce nos ouvidos. Cada vez que coloco no meu iPod para ouvir, gosto mais. Por enquanto, a minha preferida é Sisters, não sei se proposital, contraponto para o “brothers”: é a irmã do irmão?

Ouça Sisters.




Vou passar, quando possível e “achável”, os links para download, a partir de agora. Ressalto que os uploads são de terceiros.

Baixe El Camino, o último do Black Keys: http://www.mediafire.com/?55a86u97ug71sm2