Conhecida apenas localmente, na região de Washington D.C. tocando em bares e clubes, juntou um dinheiro para a gravação de duas apresentações programadas para os primeiros dias de janeiro de 1996. Bill Straw, dono da Blix Street Records, lançou Live at Blues Alley, com treze canções pinçadas dos shows. Das escolhidas, incluíam-se standards do jazz como Cheek to Cheek, Stormy Monday, Fine and Mellow, Blue Skies, Autumn Leaves, Honeysuckle Rose e What a Wonderful World; além delas, números do cancioneiro popular como Bridge Over Troubled Water, de Paul Simon, Take Me to the River, de Al Green, Fields of Gold, de Sting, e People Get Ready, de Curtis Mayfield. Em princípio, considere-se que era uma salada mista. De fato. Era a demonstração do ecletismo de Eva. Não era jazz, pop, rhythm’n’blues, blues, gospel, country ou rock; era uma fusão de gêneros muito bem engendrada por ela e uma banda, apresentando uma síntese da música americana. Não importa que Sting seja inglês ou Joseph Kozma, franco-húngaro. Vai no bojo dos argumentos.
Quase 30 anos depois da sua morte, a mesma Blix Street Records lança um álbum duplo com 33 músicas, 20 a mais que o original de 1996 do memorável show no Blues Alley. Algumas das canções tinham sido lançadas em coletâneas organizadas depois de seu falecimento, mas vale pelo conjunto do que foi tocado no clube.
Das 30 a mais, destacam-se temas conhecidos nas vozes de Aretha Franklin (Chain of Fools), Son of a Preacher Man (Dusty Springfield), Fever (Peggy Lee), Time After Time (Cindy Lauper), e Late in the Evening (Paul Simon), dentre outros.
Sting, quando ouviu sua composição Fields of Gold, emocionou-se. É provavelmente o que acontece com qualquer um ao ouvir Eva pela primeira vez. Não a conhecia até um amigo, o Alberico Clento, dizer que havia ganhado de presente de uma prima que viera um disco seu. Ao ouví-la, depois disso, fiquei interessado em conhecê-la melhor. Cassidy canta com muita propriedade qualquer gênero. Suas interpretações são naturais, como se tivessem sido compostas especialmente para ela. O lançamento do álbum Nighbird é um acontecimento. Se estivesse viva, estaria desfrutando do sucesso merecido. Eva morreu aos 33. Muito cedo para morrer.
Ouça algumas interpretações de Nightbird.
Fields of Gold, que emocionou seu autor.
Outro clássico moderno: Ain’t No Sunshine, de Bill Withers.
Versão mortal de Take Me to the River, de Al Green.
Existem alguns vídeos de Eva no YouTube da apresentação no Blues Alley. Aliás, Nightbird vem com dois CDs e um DVD. Veja-a cantando Autumn Leaves.
Nightbird, que dá título ao disco.
Time After Time.
A fenomenal People Get Ready, de Curtis Mayfield.


