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terça-feira, 21 de maio de 2013

Terence Trent D’Arby morreu

O agora Sananda Maitreya
Quem disse que Terence Trent D’Arby está morto é o próprio. Em entrevista para a revista Keyboard Recording, disse: “Matei Terence Trent D’Arby. Ele morreu e a única coisa que sobrou foi o instinto.” Em 4 de outubro de 2001, decretou legalmente a morte de Terence e o surgimento de Sananda Maitreya. Segundo ele, uma série de sonhos que teve em 1995 o levou a tomar a resolução.

Sananda nasceu Terence Trent Howard. “Matou” o pai Howard, ao escolher como nome artístico o Arby da mãe, acrescentando o “nobre” “d” seguido de apóstrofe. Em 1987, lançou Introducing the Hardline According to Terence Trent D’Arby, título bem pomposo para uma estreia. Estourou com Wishing Well.

Ouça Wishing Well.




Aparentemente, a Columbia, hoje Sony Music, pretendia “vendê-lo” como um novo Prince. A capa de Terence Trent D’Arby’s Neither Fish Nor Flash (1989) tinha um “quê” na imagem bem fechada nas mãos e no olhar penetrante. Em Vibrator (cortou os cabelos, deixando-os bem curtos e louro) foi fotografado mostrando o físico musculoso (chegou a pensar em ser boxeador) tendo uma asa de anjo nas costas, além de na contracapa estampar um logotipo muito bonito com as inicias “TTD”, com o formato de duas asas abertas e, no topo, um olho e cílios como se fossem chamas. Lembra um pouco aquele símbolo com o qual Prince queria ser “chamado” e não mais, simplesmente, “Prince”. Em termos de esquisitices, os dois podem competir.

Introducing … chegou ao 4º lugar nas paradas americanas, ganhou dois discos de platina. Na Inglaterra ficou em 1º, recebendo 5 discos de platina. Foi um daqueles começos excepcionais. Já com Neither Fish Nor Flash chegou apenas à colocação 61, nos EUA, e 12º na Inglaterra. Queda vertiginosa.

D’Arby foi uma das atrações do Hollywood Rock (era uma marca de cigarros; não se referia à meca do cinema), edição 1990. Tinha curiosidade de vê-lo no palco. Ficou uma impressão estranha. Sua voz, que só negros possuem, meio rouca, foi o chamariz para a minha curiosidade, e tinha gostado bastante de seu álbum de estréia. Rosto delicado, quase feminino, e olhos claros, mise-en-scène impecável no palco, físico moldado em academias de boxe, D’Arby era uma figura que chamava a atenção. Faltou, no entanto, aquela liga com o público. Passou uma imagem um tanto enigmática, distanciada.

Talvez esse enigma tenha se resolvido com a mudança de identidade. Era como se a imagem que o mercado queria vender não combinasse com sua persona. Desligou-se das “majors”, passou a gravar em selo próprio, mudou de nome depois. Não existe mais um marketing de vendas. Quem quiser que compre sua música no site dele. Depois de mudar-se para a Europa, passando pela Alemanha, país onde servira quando estava no exército americano, hoje reside em Milão, casado com uma italiana. Na entrevista para a Keyboard Recording afirma: “A minha personagem não foi criada pela indústria do disco. Foi criada por mim e por Deus.” Terence Trent D’Arby morreu e Sananda Maitreya está bem vivo. Acabou de lançar Return to Zooathalon. Lá está o velho D’Arby…, perdão, ele morreu; lá está Sananda. A voz continua a mesma: ótima. O álbum é desigual, com altos e baixos. Foi sempre assim; até nos três primeiros, os melhores de sua carreira.

Ouça Hurricane Me & You.