Emily gostava de desenhar. Entre ser músico, achava que seria melhor optar pelas artes visuais, profissionalmente pensando. Pretendia entrar na Rhode Island School of Design, mas suas notas baixas eram um impedimento para ser aceita em boas escolas. Meio que por falta de opção e por ver que tinha jeito com a guitarra, mesmo não lendo música, acabou indo para a Berkleee College of Music, que a aceitara. Para ela, jazz era um gênero em que se tocava um monte de notas. Nem Miles Davis ou John Coltrane lhe pareciam interessantes. Ao ouvir Charlie Christian e o sax alto de Paul Desmond passou a considerá-lo. Wes Montgomery e Pat Metheny fizeram com que realmente passasse a gostar e interessar-se pelo jazz.
A música brasileira foi outra coisa que chamou a sua atenção, graças à aproximação com Célia Vaz, que estava na Berklee estudando regência e composição. Deve em seu estilo o jeito meio bossa à brasileira.
Ao terminar a Berklee, com alguns amigos da escola, foi parar em New Orleans. Em 1977, nem tinha completado 20 anos, e acontece o que iria mudar a sua vida. Conhece Herb Ellis, o guitarrista que tocou por muito tempo com Oscar Peterson. Foi convidada a participar com Herb Ellis, Charlie Byrd, Joe Pass, Tal Farlow, Barney Kessel e o contrabaixista Ray Brown do “Great Guitars”, no Concord Jazz Festival. De volta a Nova York, tocou com Astrud Gilberto, Nancy Wilson e John Clayton. Convidada por Gregory Hines, participou do musical “Sophisticated Ladies”.
O ano de 1981 foi “a very good year”, como está escrito no site http://allthingsemily.com. Estava casada com o pianista Monty Alexander, e fora considerada a “woman of the year” pelo crítico Leonard Feather. Lançou seu primeiro álbum, “Firefly”, pelo Concord, e tinha entre seus acompanhantes nada menos que o pianista Hank Jones.
O futuro parecia róseo para Remler. Gravou vários discos pelo mesmo selo, um deles com um de seus ídolos, Larry Coryell. Em 1989, assinou contrato com a Justice Records. Buscava por mudanças, estilísticas também. No ano seguinte, estava em Sidney, Austrália, e sofreu um ataque do coração fulminante. Dizem que pode ter sido consequência de seu consumo de opiáceos. Não foi a primeira a ter a carreira interrompida pelo uso abusivo de drogas.
Emily toca “How Insensitive”.
Ouça “Softly as in a Morning Sunrise”. Esta canção está em “East to Wes” (Concord, 1988).
