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| O autógrafo de Jane com algumas gotas de whisky |
Por ser costumeiramente uma mesa só de homens, imagine o tipo de comentários que surgiam quando os shows eram de representantes do sexo feminino, é claro, além das críticas e elogios específicos relacionados aos músicos, ao repertório, à execução, de certo solo do pianista, do baixista ou do saxofonista? Lembro que uma cantora nos impressionou especialmente por suas formas e pela beleza. O Conde não deixou de prestar atenção – e tecer comentários – em certas características físicas bem ao gosto dos brasileiros de Nnenna Freelon. Todos à mesa concordaram. E também quanto à voz, que seja dito. Aliás, a pianista, uma japonesa, de quem não recordo o nome, era muito boa.
Como vimos Jane Monheit por três vezes em ocasiões diferentes, percebemos certas mudanças físicas. Jane, mesmo hoje, com 35 anos, continua com um rosto muito bonito e seus lábios carnudos chamam muito a atenção. As observações, na primeira vez, foi quanto à pele alva, perfeita, belos olhos emoldurados por sombrancelhas bem desenhadas e nariz perfeito. Mas precisávamos arrumar um defeito. Era um pouco cheinha.
Na segunda vez, para nossa surpresa, estava bem magra. Comentário masculino, com algo de chauvinismo: “deve estar apaixonada.” Verdade. O felizardo estava do seu lado: era Rick Montalbano, seu baterista. Bom, não disse uma palavra de suas qualidades como intérprete até agora. É afinadíssima. É, no entanto, uma qualidade que esperamos de qualquer intérprete.
Na terceira vez em que fomos vê-la no Bourbon – como John Pizzarelli havia ficado “freguês” dos palcos brasileiros – estava gordinha de novo. Aqui não direi o que foi comentado à mesa. Entre a primeira e a terceira vez havia ficado fã de Ivan Lins e cantou algumas de suas músicas e, obviamente, temas jobinianos.
O primeiro disco de Monheit foi Never Never Land, lançado em 2000, na esteira do segundo lugar conquistado no prestigiado Thelonious Monk International Jazz Competition. Fôra avaliada por um júri primeiro time: Dianne Reeves, Diana Krall, Nnenna Freelon, Dee Dee Bridgewater e Joe Williams. Nos álbuns seguintes, como no primeiro, prevalecem os standards, com um ou outro tema mais recente como A Case of You, de Joni Mitchell, e é acompanhada por um músicos de jazz excepcionais como Alan Broadbent, Ron Carter, Christian McBride, Tom Harrell, Kenny Barron, Hank Crawford, Bucky Pizzarelli (pai de John Pizzarelli), Toots Thielmans e Geoffrey Keezer. Demonstração de prestígio.
Em In the Sun, de 2002, Jane canta, pela primeira vez Ivan Lins: Começar de Novo e Once I Walked in the Sun (se não me engano, em português é A cor do pôr-do-sol, letra de Celso Viáfora). Once I Walked in the Sun é cantada com participação de Lins. Começar de Novo é com arranjo de Vince Mendoza e no final há um belíssimo e mínimo solo de trompete de Tom Harrell. Confira. É um dos melhores Começar de Novo até agora registrados.
É evidente a paixão de Jane pela música brasileira. Em Surrender (2007), das dez faixas, seis são de brasileiros. Como de costume, inclui uma composição de Ivan (participa cantando também) – Rio de Maio –, outra da feliz parceria com Viáfora. As outras são de Jobim, Dori Caymmi e Sérgio Mendes. O toque “pop” é a gravação de Overjoyed, de Stevie Wonder. É um bom disco.
Agora em 2013, Jane acaba de lançar The Heart of Matter, seu décimo álbum. Ouvi e baixou a bronca. Apesar de considerá-la afinadíssima, é muito certinha para o meu gosto. Tem alguma coisa faltando. Em matéria da Downbeat (junho de 2013), Allen Morrison tece rasgados elogios à cantora. Depois de ouvir por algumas vezes, vou discordar. Enjoei. Seu jeito “sensual” de cantar, arfante, me faz lembrar o que o Zeca Leal, amigo que faz falta, agora que se foi, com seus comentários ácidos e engraçados. Disse uma vez que alguns intérpretes cantam com um fole na garganta. Para cada frase, uma puxada de ar, como se estivesse afogando. Não tinha percebido o quanto Monheit “arfa” e suas modulações vocais, sabe, aquelas em que a voz vai num sobe e desce suspirante, especialmente em Two Lonely People (quarta faixa), é irritante. Allen Morrison escreve que “ela nunca cantou melhor ou com maior convicção, desmentindo a sabedoria convencional de que a melhor arte nasce das cinzas da desgraça.” O que escreve outro Bobby Reed, da mesma revista, em “Editor’s Picks” do mês de maio, é só elogios. Estou começando a pensar que sou o único que não gostou do disco. Outra coisa que passou a irritar-me e havia percebido nos shows, mas não incomodava tanto é sua tendência a reforçar um lado sensual, não apenas pelos movimentos no palco, assim como pelo modo de cantar, cheio de modulações e, como havia dito, arfante. Garanto porém que deve ter muitos que adoram esse seu estilo. Prefiro Julie London.
Última coisa: não falta Ivan Lins. Desta vez, canta Depende de Nós e A Gente Merece Ser Feliz. Curiosidade: Sing, aquela do Vila Sésamo. A melhor do disco: Born to Be Blue, de Mel Tormé e Robert Wells.
Ouça Sing.
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| Uma das faces da sensualidade de Jane |
Na terceira vez em que fomos vê-la no Bourbon – como John Pizzarelli havia ficado “freguês” dos palcos brasileiros – estava gordinha de novo. Aqui não direi o que foi comentado à mesa. Entre a primeira e a terceira vez havia ficado fã de Ivan Lins e cantou algumas de suas músicas e, obviamente, temas jobinianos.
O primeiro disco de Monheit foi Never Never Land, lançado em 2000, na esteira do segundo lugar conquistado no prestigiado Thelonious Monk International Jazz Competition. Fôra avaliada por um júri primeiro time: Dianne Reeves, Diana Krall, Nnenna Freelon, Dee Dee Bridgewater e Joe Williams. Nos álbuns seguintes, como no primeiro, prevalecem os standards, com um ou outro tema mais recente como A Case of You, de Joni Mitchell, e é acompanhada por um músicos de jazz excepcionais como Alan Broadbent, Ron Carter, Christian McBride, Tom Harrell, Kenny Barron, Hank Crawford, Bucky Pizzarelli (pai de John Pizzarelli), Toots Thielmans e Geoffrey Keezer. Demonstração de prestígio.
Em In the Sun, de 2002, Jane canta, pela primeira vez Ivan Lins: Começar de Novo e Once I Walked in the Sun (se não me engano, em português é A cor do pôr-do-sol, letra de Celso Viáfora). Once I Walked in the Sun é cantada com participação de Lins. Começar de Novo é com arranjo de Vince Mendoza e no final há um belíssimo e mínimo solo de trompete de Tom Harrell. Confira. É um dos melhores Começar de Novo até agora registrados.
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É evidente a paixão de Jane pela música brasileira. Em Surrender (2007), das dez faixas, seis são de brasileiros. Como de costume, inclui uma composição de Ivan (participa cantando também) – Rio de Maio –, outra da feliz parceria com Viáfora. As outras são de Jobim, Dori Caymmi e Sérgio Mendes. O toque “pop” é a gravação de Overjoyed, de Stevie Wonder. É um bom disco.
Agora em 2013, Jane acaba de lançar The Heart of Matter, seu décimo álbum. Ouvi e baixou a bronca. Apesar de considerá-la afinadíssima, é muito certinha para o meu gosto. Tem alguma coisa faltando. Em matéria da Downbeat (junho de 2013), Allen Morrison tece rasgados elogios à cantora. Depois de ouvir por algumas vezes, vou discordar. Enjoei. Seu jeito “sensual” de cantar, arfante, me faz lembrar o que o Zeca Leal, amigo que faz falta, agora que se foi, com seus comentários ácidos e engraçados. Disse uma vez que alguns intérpretes cantam com um fole na garganta. Para cada frase, uma puxada de ar, como se estivesse afogando. Não tinha percebido o quanto Monheit “arfa” e suas modulações vocais, sabe, aquelas em que a voz vai num sobe e desce suspirante, especialmente em Two Lonely People (quarta faixa), é irritante. Allen Morrison escreve que “ela nunca cantou melhor ou com maior convicção, desmentindo a sabedoria convencional de que a melhor arte nasce das cinzas da desgraça.” O que escreve outro Bobby Reed, da mesma revista, em “Editor’s Picks” do mês de maio, é só elogios. Estou começando a pensar que sou o único que não gostou do disco. Outra coisa que passou a irritar-me e havia percebido nos shows, mas não incomodava tanto é sua tendência a reforçar um lado sensual, não apenas pelos movimentos no palco, assim como pelo modo de cantar, cheio de modulações e, como havia dito, arfante. Garanto porém que deve ter muitos que adoram esse seu estilo. Prefiro Julie London.
Última coisa: não falta Ivan Lins. Desta vez, canta Depende de Nós e A Gente Merece Ser Feliz. Curiosidade: Sing, aquela do Vila Sésamo. A melhor do disco: Born to Be Blue, de Mel Tormé e Robert Wells.
Ouça Sing.



