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| Jean-Pierre Rampal e Emmanuel Pahud, gênios da flauta |
Rampal caiu na boca da patuleia a partir do momento em que gravou o que naquele tempo, nem era considerado “crossover”, pois ainda não existia essa expressão para classificar a música que fundia o erudito com o popular. Depois de Suite for Flute and Jazz Piano, de onde foi o retirado o tema para a peça do açúcar União, Rampal gravou também uma série de grande sucesso com temas japoneses. O primeiro, com a harpista Lily Laskine, é o melhor. Japanese Melodies for Flute and Harp (Columbia, 1978) contém clássicos bem conhecidos do japonês e dos descendentes, que é o meu caso.
Ouça Baroque and Blue que, salvo engano, foi a que serviu como tema para o comercial do açúcar União.
Ouça também Sakura Sakura. Para quem não sabe, “sakura”é a cerejeira tão cultuada no Japão.
Ouça, do mesmo álbum, Hana.
Como diz uma amiga, a fila anda, e pessoas envelhecem e despontam outros talentos. Rampal morreu em 2000, o suíço Aurèle Nicolet, outro grande, está vivo e aposentado, com 89 anos, e Galway, mais novo que os dois, provavelmente, anda curtindo a aposentadoria.
Da nova geração, o nome mais conhecido é o de Emmanuel Pahud. Conterrâneo de Nicolet, tornou-se flautista na Berlin Philharmoniker aos 22 anos. Por se destacar como grande solista, passou a ser convidado a tocar em várias orquestras ao redor do mundo, e também foi contratado pela EMI. Por esta gravadora, lançou mais de duas dezenas de discos.
Como Rampal, o gosto de Pahud se estende a outros gêneros, como ao jazz. Disse admirar flautistas como James Newton, Jeremy Steig e Herbie Mann. Unindo-se ao pianista Jacky Terrasson, gravou Into the Blue, em 2003, pela Blue Note. Reúne temas eruditos bem conhecidos como As Quatro Estações, de Vivaldi, Bolero, de Maurice Ravel, Après un rêve, de Fauré, e Jimbo’s Lullaby, de Debussy, dentre outros e são executados no contexto jazzístico, com o contrabaixista Sean Smith e o baterista Ali Jackson. Como de costume, Terrasson, além de tocar piano, toca também o piano Fender Rhodes. O único tema não erudito é, justamente, uma composição de Claude Bolling presente no famoso álbum que fez com Rampal: Véloce. Sinal de que aquele velho álbum de 1975 ainda é uma referência.
Veja Rampal e Bolling executando esse lindo tema.
Ouça Véloce com Pahud e Terrasson.
Veja Pahud tocando Véloce em apresentação na Coreia do Sul. Não é com Terrasson. Impressionante.
Ouça Jimbo’s Lullaby, de Debussy, com Terrasson e Pahud.
Marcha Turca, de Mozart.
Assista ao vídeo promocional de Into the Blue.

