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| Chan Marshall com seu novo visual e novo som |
Sou fã de carteirinha de Chan Marshall, desde que minha a amiga Vania N U deu-me de presente em uma de suas viagens anuais ao Brasil. Tenho a tendência de gostar de artistas atormentados e ela parecia a divina encarnação disso. Tão bela e tão complicada?
Por coincidência, quando foi lançado seu penúltimo disco – Jukebox –, em 2008, estava em Paris, hospedado, justamente, na casa da Vania. O bom é que pude comprar uma edição especial com um CD de bônus, que é tão bom quanto o normal. Tem uma interpretação de Anjelitos Negros de cortar os pulsos. Cortar os pulsos ouvindo Cat Power? Uhn, é uma ideia.
A primeira vez com a Cat de agora é um susto. É muito diferente de tudo o que gravou. Tem muita eletrônica, batidas graves e “disparos” percussionísticos não analógicas. E também, em nenhum momento parece pungente e melancólico. Mesmo assim, apesar do “tom” musical geral, revela-se a moça atormentda que deve ser.“ Eu nunca conheci um amor assim/ vento, lua, a Terra e o céu/ Eu nunca conheci uma dor como essa/ […]/ Eu nunca conheci a dor,/ Eu nunca conheci a vergonha e agora sei porque”. Esse versos fazem parte de Cherokee, a primeira faixa.
Pelo que se lê nas notícias publicadas na internet, Cat Power levou um fora de Giovanni Ribisi e, pelo jeito de maneira abrupta. Dois meses depois da separação, o ator casou-se com uma modelo chamada Agyness Deyn. Outras informações: toca quase todos os instrumentos em Sun (tem backing vocals de Iggy Pop); ela mesma resolveu cortar seu cabelo e deu naquilo que está retratado na capa do disco. Chama-se Sun, mas a capa é azulada e raios diagonais, que lembram os de um arco-íris, passam pelo seu rosto angelical.
Bem, o que eu estava dizendo? Que estou tentando me acostumar à nova Cat. Será que ficou menos desajeitada no palco? Às vezes, como um certo “desajeito” pode ser tão charmoso? Não sei se vou me acostumar depois do susto inicial. Desconfio que farei todo o esforço para continuar a gostar de Cat. Minhas declarações de amor estão em textos mais antigos (http://bit.ly/1hUbdMf).
O que tem de bom em Sun é o fato de ser um disco mais experimental. Parece que Cat procura outros rumos. É natural na vida a busca pelo novo e até o novo corte do cabelo representa isso. Se Sinéad O’Connor deixa crescer os cabelos, ou muda a silhueta, por que não o novo visual de Cat. Gostei.
Ouça Cherokee.
Ouça o disco aqui.
http://www.npr.org/2012/08/26/159919016/first-listen-cat-power-sun

