Apesar de lançado no ano passado, acabei por não comentar o álbum “Alegria da Casa”, de Anat Cohen e o Trio Brasileiro, e nem “Luminosa”. O comum entre os dois é a predominância de temas brasileiros.
Dos onze números, são seis, quatro de Cohen, e “Putty Boy Strut” é a exceção, de Steven Ellison, aliás, Flying Lotus. Se considerarmos que “In the Spirit of Baden” como mezzo brasileira, mezzo israelense (Cohen nasceu em Tel Aviv), é clara a predominância. Só como registro, dois são de Milton Nascimento (Cais” e “Lilia”), e os restantes com um: Edu Lobo e Chico Buarque (“Beatriz”), Romero Lubambo (“Bachião), K-Ximbinho (“Ternura”) e Severino Araújo (“Espinha de Bacalhau”).
Veja Anat em “In the Spirit of Baden”, de sua autoria.
Só Alegria
O Trio Brasileiro, com Douglas Lora ao violão de 7 cordas, Dudu Maia ao bandolim e Alexandre Lora nas percussões, foi criado em 2011. Douglas, a exemplo de João Luiz seu parceiro em Brasil Guitar Duo, Diego Figueiredo, Romero Lubambo e Fabiano do Nascimento, apesar de brasileiros, têm suas agendas com apresentações mais lá do que cá.
Em “Alegria da Casa”, com Anat Cohen na clarineta e o Trio Brasileiro, predomina o choro. A que abre o álbum, é “Murmurando”, de Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro). Duas – “Feia”, “Santa Morena” – são de Jacob do Bandolim, e as restantes são dos componentes da banda: Dudu Maia (“Engole o Choro”, “Alegria da Casa”), Douglas Lora (“Sarau Latino”, “Anat’s Lament”, “Baião Guri”) e Anat (“Waiting for Amalia”, “In the Spirit of Baden” e “Valsa para Alice”).
Cohen é a melhor clarinetista dos últimos tempos. É uma unanimidade, além de tocar saxofone muito bem. Curioso é seu gosto pelos ritmos brasileiros. Não sei se é forçada de barra, mas há alguma proximidade dos ritmos brasileiros com o klezmer em razão de serem vibrantes e alegres. Anat não é a única israelense que gosta da música brasileira.
Todas as faixas estão em níveis semelhantes de qualidade. As minhas preferidas: “Feia”, de Jacob do Bandolim, e “Anat’s Lament’, de Douglas Lora.
Ouça “Anat’s Lament’.
Ouça “Feia”, de Jacob do Bandolim.
Se você gostou, leia mais sobre Anat Cohen em:
A “brasileira” Anat Cohen
O talento em família de Anat, Avishai e Yuval Cohen
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Viagens brasileiras de Mike Moreno
Por preguiça e desinformação acabo por perder apresentações de bons nomes do jazz que até com frequência maior do que imaginamos, no Brasil. Inúmeros festivais de jazz – o mais recente foi o de Diamantina – acontecem pelo país, até em rincões que pouco imaginaríamos patrocinar esse tipo de evento. Nunca imaginaria que houvesse um festival desse tipo em Barreirinhas, Maranhão. Lá acontece anualmente o Lençóis Jazz e Blues Festival. Fiquei sabendo no ano passado quando fui passar uns dias por lá.
Em um site direcionado aos bootlegs (gravações não oficiais), descobri uma gravação de um show de Mike Moreno em Minas Gerais, no Savassi Festival. Foi uma surpresa. Nem fiquei sabendo. E mais: não era a primeira vez. Dando uma fuçada, descubro que não só tinha vindo em 2013 (ou 2014?), como agora no mês de maio, apresentando-se em vários lugares, inclusive no simpático JazzB, em São Paulo.
Se soubesse, teria ido ver. Ficara interessado desde que ouvi duas interpretações de composições brasileiras em First Mind (CrissCross, 2012). Uma delas, mesmo para uma americano, não era estranho. Milton Nascimento é bem popular em qualquer lugar do mundo. “Milagre dos Peixes”, tudo bem, mas “A Flor e o Espinho”? O fato de conhecer esse clássico de Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito me fez imaginar que tinha um bom conhecimento da música brasileira. Só esse fato teria sido suficiente para querer vê-lo ao vivo.
Alguns álbuns
Mike é de Houston, Texas. Depois de formar-se na Houston High School for the Performing and Visual Arts, mudou-se para Nova York e estudou na New School University. Enturmou-se na cena musical novaiorquina. Tocou com Joshua Redman, Terence Blanchard, Stefon Harris, Jason Moran, e com a geração mais próxima de sua idade, como Ambrose Akinmusire, Robert Glasper e Aaron Parks. Este último tem sido o pianista mais frequente das bandas de Mike.
Seu primeiro álbum é “Between the Lines”, que foi considerado um dos melhores lançamentos de 2007 pelo The New York Times. “Third Wish” e “First in Mind” (2011) foram os seguintes, pelo selo europeu Criss Cross. Pelo selo de seu primeiro, a World Culture, lançou “Another Way” (2012). O último é “Lotus”, de 2015, bom disco, que recebeu quatro estrelas pela Downbeat.
Ouça a música título.
Moreno e o Brasil
Em um site direcionado aos bootlegs (gravações não oficiais), descobri uma gravação de um show de Mike Moreno em Minas Gerais, no Savassi Festival. Foi uma surpresa. Nem fiquei sabendo. E mais: não era a primeira vez. Dando uma fuçada, descubro que não só tinha vindo em 2013 (ou 2014?), como agora no mês de maio, apresentando-se em vários lugares, inclusive no simpático JazzB, em São Paulo.
Se soubesse, teria ido ver. Ficara interessado desde que ouvi duas interpretações de composições brasileiras em First Mind (CrissCross, 2012). Uma delas, mesmo para uma americano, não era estranho. Milton Nascimento é bem popular em qualquer lugar do mundo. “Milagre dos Peixes”, tudo bem, mas “A Flor e o Espinho”? O fato de conhecer esse clássico de Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito me fez imaginar que tinha um bom conhecimento da música brasileira. Só esse fato teria sido suficiente para querer vê-lo ao vivo.
Alguns álbuns
Mike é de Houston, Texas. Depois de formar-se na Houston High School for the Performing and Visual Arts, mudou-se para Nova York e estudou na New School University. Enturmou-se na cena musical novaiorquina. Tocou com Joshua Redman, Terence Blanchard, Stefon Harris, Jason Moran, e com a geração mais próxima de sua idade, como Ambrose Akinmusire, Robert Glasper e Aaron Parks. Este último tem sido o pianista mais frequente das bandas de Mike.
Seu primeiro álbum é “Between the Lines”, que foi considerado um dos melhores lançamentos de 2007 pelo The New York Times. “Third Wish” e “First in Mind” (2011) foram os seguintes, pelo selo europeu Criss Cross. Pelo selo de seu primeiro, a World Culture, lançou “Another Way” (2012). O último é “Lotus”, de 2015, bom disco, que recebeu quatro estrelas pela Downbeat.
Ouça a música título.
Moreno e o Brasil
No início, referia-me às vindas de Mike Moreno. Sem saber disso, sabendo tendo gravado “Milagre dos Peixes” e “A Flor e o Espinho”, em 2011, me perguntava se já tinha vindo ao Brasil. Sei agora que, depois de 2013, veio. Fica a pergunta: veio antes. Pode também ser possível que conhecesse a música de Nelson Cavaquinho por meo de algum amigo brasileiro residente na América.
Ouça “A Flor e o Espinho”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito.
Ouça “A Flor e o Espinho”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito.
Ouça “Milagre dos Peixes”.
Moreno toca “Manuel o Audaz”, de Toninho Horta no Savassi Festival deste ano.
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