terça-feira, 9 de agosto de 2016

Viagens brasileiras de Mike Moreno

Por preguiça e desinformação acabo por perder apresentações de bons nomes do jazz que até com frequência maior do que imaginamos, no Brasil. Inúmeros festivais de jazz – o mais recente foi o de Diamantina – acontecem pelo país, até em rincões que pouco imaginaríamos patrocinar esse tipo de evento. Nunca imaginaria que houvesse um festival desse tipo em Barreirinhas, Maranhão. Lá acontece anualmente o Lençóis Jazz e Blues Festival. Fiquei sabendo no ano passado quando fui passar uns dias por lá.

Em um site direcionado aos bootlegs (gravações não oficiais), descobri uma gravação de um show de Mike Moreno em Minas Gerais, no Savassi Festival. Foi uma surpresa. Nem fiquei sabendo. E mais: não era a primeira vez. Dando uma fuçada, descubro que não só tinha vindo em 2013 (ou 2014?), como agora no mês de maio, apresentando-se em vários lugares, inclusive no simpático JazzB, em São Paulo.

Se soubesse, teria ido ver. Ficara interessado desde que ouvi duas interpretações de composições brasileiras em First Mind (CrissCross, 2012). Uma delas, mesmo para uma americano, não era estranho. Milton Nascimento é bem popular em qualquer lugar do mundo. “Milagre dos Peixes”, tudo bem, mas “A Flor e o Espinho”? O fato de conhecer esse clássico de Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito me fez imaginar que tinha um bom conhecimento da música brasileira. Só esse fato teria sido suficiente para querer vê-lo ao vivo.

Alguns álbuns

Mike é de Houston, Texas. Depois de formar-se na Houston High School for the Performing and Visual Arts, mudou-se para Nova York e estudou na New School University. Enturmou-se na cena musical novaiorquina. Tocou com Joshua Redman, Terence Blanchard, Stefon Harris, Jason Moran, e com a geração mais próxima de sua idade, como Ambrose Akinmusire, Robert Glasper e Aaron Parks. Este último tem sido o pianista mais frequente das bandas de Mike.

Seu primeiro álbum é “Between the Lines”, que foi considerado um dos melhores lançamentos de 2007 pelo The New York Times. “Third Wish” e “First in Mind” (2011) foram os seguintes, pelo selo europeu Criss Cross. Pelo selo de seu primeiro, a World Culture, lançou “Another Way” (2012). O último é “Lotus”, de 2015, bom disco, que recebeu quatro estrelas pela Downbeat.

Ouça a música título.




Moreno e o Brasil

No início, referia-me às vindas de Mike Moreno. Sem saber disso, sabendo tendo gravado “Milagre dos Peixes” e “A Flor e o Espinho”, em 2011, me perguntava se já tinha vindo ao Brasil. Sei agora que, depois de 2013, veio. Fica a pergunta: veio antes. Pode também ser possível que conhecesse a música de Nelson Cavaquinho por meo de algum amigo brasileiro residente na América.


Ouça “A Flor e o Espinho”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito.




Ouça “Milagre dos Peixes”.



Moreno toca “Manuel o Audaz”, de Toninho Horta no Savassi Festival deste ano.

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