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terça-feira, 19 de março de 2013

“Old Sock”, o novo Eric Clapton

Eric Clapton na capa mais feia dos últimos tempos
Como lançamento de um novo álbum de Eric Clapton, com a diferença de uma semana em relação a mais um disco póstumo de Jimi Hendrix, é impossível de se imaginar que tipo de música estaria fazendo hoje. Por uma fatalidade morreu bem cedo. À época fizeram campanhas e campanhas com as imagens dele e de Janis Joplin no sentido de alertar quanto ao perigo das drogas ilícitas. Fumar cigarros e beber podia, pois eram e são drogas consideradas legais. Hendrix, segundo o laudo, morreu asfixiado pelo próprio vômito. Na noite anterior, pelo que se sabe, havia bebido vinho tinto e ingerido comprimidos para dormir. Consumindo coisas bem mais pesadas, muitos estão vivos e bem até hoje, caso de Keith Richards e também Eric Clapton.

Clapton anunciou que se aposenta quando completar 70 anos. Está completando daqui a alguns dias, 68, portanto está perto de pendurar as chuteiras, ou melhor, os sapatos. Curiosamente, o álbum a ser lançado em 25 de março chama-se Old Sock. Nada melhor que calçar um “sapato velho”: não é o ditado? É a mesma coisa com uma “meia velha”? Isso nos faz pensar em algumas coisas: a aposentadoria próxima, o fato de ter resolvido gravar só o que lhe agrada, o esgotamento criativo (são apenas duas canções as de sua autoria), e fazer apenas o que lhe dá na telha, inclusive coberta com um chapéu panamá, na capa. Parece que desistiu de se vestir elegantemente como antigamente, com roupas de corte impecável, ou mesmo, com camisetas despojadas e casualmente chiques. A capa é bem feia; é como se Eric Clapton não estivesse nem aí. Ou, talvez, queira dizer: “não importa a embalagem; importa o que tem dentro dele.” A foto deve ter sido feita em algum lugar paradisíaco como o Caribe, região que o apraz. Há muito entrou na zona de suas paixões geográficas e musicais. Desde 461 Ocean Boulevard, lançado em 1974, o reggae “entrou” na sua vida quand gravou I Shot the Sheriff, de Bob Marley.

Os problemas de Clapton com as drogas e o álcool são conhecidos. Ficou internado em clínicas várias vezes e a última, devido ao alcoolismo, foi em Antígua. Depois de recuperado pensou em montar um centro de reabilitação para os moradores locais, principalmente. Em 1998 foi inaugurado o Crossroad Centre nesta ilha localizada nas Índias Ocidentais. Eventualmente, porque não se dá em todos os anos, acontece o Crossroad Guitar Festival, com renda revertida ao centro,

Tem pouco solo de guitarra em Old Sock para um disco de um guitarrista. A bem da verdade, resolveu variar, tocando também violões, dobro e mandolin. A presença desses instrumentos dá um tom mais para o country-folk. Vários backing vocals remetem ao reggae, a segunda paixão musical do inglês. Não é coincidência que a primeira Further Down the Road seja de Taj Mahal, também chegado em ritmos caribenhos. Outra – Till Your Well Runs Dry – é um original de Pater Tosh e Bunny Livingstone. Até Your One and Only Man, composição de Otis Redding, vira reggae, com direito àqueles vocais que deram uma marca às canções de Bob Marley.

A exemplo de Paul McCartney, que participa tocando baixo e fazendo a segunda voz em All of Me, com a idade ficou nostálgico e resolveu gravar standards do cancioneiro americano. Esta é de 1933. Além deste clássico, canta The Folks Who Live on the Hill e Our Love Is Here to Stay. Paul, em Kisses on the Bottom, canta It’s Only a Paper Moon, Au-Cent-Tchu-Ate Positive, Bye Bye Blackbird e My One and Only Love, dentre outros clássicos do jazz. (leia em http://bit.ly/117jK7X)

Ouça All of Me, comClapton e McCartney.



Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.


As únicas composições de Clapton são Every Little Thing, com vocais de Nikka Costa e Julie, Ella e Sophie Clapton que, presumo, devem ser suas filhas, e Gotta Get Over. Esta última é boa, mais agitada. Veja o vídeo oficial.




Still Got the Blues, a mais conhecida de Gary Moore, é um dos bons momentos do disco. É um pouco mais lenta que a original, com instrumentação discreta e sofisticada. Apesar de ser composição de guitarrista (Moore), a de Clapton não tem guitarra. É no violão, com um fundo de orquestra e backing vocals feminino.

Ouça a original, com Gary Moore.





Outra que vale é Goodnight Irene, de Leadbelly. É uma das minhas preferidas. Ouça.



Nota: todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.



Entre no link http://youtu.be/lDADV6V40-Q e tem o caminho para você fazer o download do disco. Se você é contra puxar músicas pela internet, espere até o dia 25 de março.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Reggae do bão com Ben Harper

Como sou influenciável aos apelos mercadológicos das grandes lojas de discos (com exceção da Fnac, elas não existem mais com o fim da Tower Records, HMV Music e Virgin Megastore), estava eu em Paris na Virgin da Champs Elysées e vi em destaque um disco de um cara que nem conhecia: Ben Harper. The Will to Live (Virgin, 1997) acabava de ser lançado. Gostei tanto que acabei comprando um outro (Fight for Your Mind) dias depois na mesma loja. Faz tempo.

Apesar de continuar na ativa, foi se falando menos dele. Quando Jack Johnson, com seu som malemolente, surgiu, lembraram-se de Ben. Não é tão acidental que ele tenha sido o “padrinho” do surfista cantor. Johnson bebeu na fonte de Harper.

Em um DVD – Live at The Hollywood Bowl –, se não me engano, fala do seu gosto pela “maldita”. A apologia à maconha é coisa dos jamaicanos, antes de mais nada. A capa original de Catch a Fire, dos Wailers (naquela época Bob Marley dividia os créditos com Peter Tosh e Bunny Livingstone) era em forma de um isqueiro Zippo. Havia uma versão alternativa com Bob Marley fumando um baseado do tamanho de um charuto.

Há muito tempo Ben não tocava no meu aparelho de som. A razão desse texto curtíssimo é para apresentar um reggae que não fica nada a dever às melhores músicas de Marley. Ouça Jah Work, que está em The Will to Live.