Cohen, que nem tão jovem era quando tornou-se conhecido, e no começo, visto como uma versão canadense de Bob Dylan, emplacou bons versos – já tinha livros de poesia publicados – em belas canções melancólicas de melodias simples que serviam mais como veículo para as suas palavras. Mas, caiu no gosto de um certo público que se identificava com os climas meio “waste land” e introspectivos. Dono também de uma voz limitada mas charmosa em seu tom que, com o tempo, foi ficando bem grave, virou cult.
Suas obras iniciais são verdadeiras pérolas. Do primeiro álbum, de 1967, temos pérolas como “Suzanne”, “Sisters of Mercy”, “So Long, Marianne” e “Hey, That’s No Way to Say Goodbye”. Dos posteriores “Songs from a Room” (1969), “Songs of Love and Hate” (1971) e “New Skin for Old Ceremony” (1974), temos “Bird on a Wire”, “Avalanche”, “Famous Blue Raincoat”, “Joan of Arc”, “Who by Fire” e “Chelsea Hotel”.
A mais conhecidas pelos fãs mais genéricos, como “Hallelujah”, “Dance Me to the End of World” – ambas de “Various Positions” –, “I’m Your Man”, “Everybody Knows” – de “I’m Your Man” –, são da década de 1980, o que me induz a dizer que foi a época em que Cohen virou pop. Mas suas obras da década anterior são mais significativas.
Sobre Jane ou a capa de chuva
Em uma ocasião qualquer, li uma entrevista do cineasta Domingos de Oliveira, na qual dizia que sabia quando estava deprimido: ficava ouvindo a mesma canção, repetidamente, por vários dias. Posso estar deprimido, mas meu caso é diferente. Ouço de tudo, e o dia todo, até nas noites de insônia. Entretanto, percebi que, nos últimos dias, os primeiros versos – It’s four in the morning, the end of december/ I’m writing now just to see if you’re better – martelam o meu cérebro, principalmente ao acordar. Não sou de prestar atenção em letras. Acho que é até por isso que prefiro música instrumental. Palavras cantadas são percebidas mais sonoramente que por seus significados. Até por isso, outro trecho que consigo lembrar sem ter de recorrer aos sites de letras é Jane came by with a lock of your hair.
Como a razão dessa postagem é “Famous Blue Raincoat”, faço uma breve pesquisa. Em primeiro lugar, busco a letra. Refere-se a um triângulo amoroso, é o que parece, ou um delírio de que há uma terceira pessoa na história de um casal.
Em entrevista à BBC Radio Interview ao ser perguntado sobre a música respondeu: O problema com essa música é que esqueci do triângulo real. Se foi o meu próprio, é claro. Eu sempre senti que havia um homem invisível a seduzir a mulher com quem eu estava, se verdadeira ou imaginária. Não me lembro, mas tinha a sensação de que sempre havia uma terceira parte, às vezes, eu, às vezes, um outro homem, às vezes, uma outra mulher.
Um dos charmes de Cohen são justamente, as letras confessionias (não sou de prestar muita atenção em letras, repito, mas quando um trecho ou outro chama a atenção, tento assimilar o que está sendo dito), e por isso, fico a pensar por que “Famous Blue Raincoat” não me sai da cabeça. Até onde sei não vivo um triângulo amoroso ou fico a imaginar-me em um, se bem que a realidade é sempre traiçoeira, se não é por isso, acho que deve ser em razão de nas últimas noites, lá pelas quatro, cinco da manhã, desperto e fico a ler os jornais matutinos em seu formato digital enquanto ouço alguma música que sai dos falantes da minha caixa da Altec Lansing.
Algumas versões, além da original, são bem interessantes. Uma delas é a de Solveig Slettahjell.
Outra interessante. É da dupla francesa AaRON.
Cohen gosta da versão de Jeniffer Warnes, que foi backing de sua banda.
Alguns outros conhecidos têm cover dessa canção. Um é Lloyd Cole.
A outra é Tori Amos.
Um dos charmes de Cohen são justamente, as letras confessionias (não sou de prestar muita atenção em letras, repito, mas quando um trecho ou outro chama a atenção, tento assimilar o que está sendo dito), e por isso, fico a pensar por que “Famous Blue Raincoat” não me sai da cabeça. Até onde sei não vivo um triângulo amoroso ou fico a imaginar-me em um, se bem que a realidade é sempre traiçoeira, se não é por isso, acho que deve ser em razão de nas últimas noites, lá pelas quatro, cinco da manhã, desperto e fico a ler os jornais matutinos em seu formato digital enquanto ouço alguma música que sai dos falantes da minha caixa da Altec Lansing.
Algumas versões, além da original, são bem interessantes. Uma delas é a de Solveig Slettahjell.
Outra interessante. É da dupla francesa AaRON.
Cohen gosta da versão de Jeniffer Warnes, que foi backing de sua banda.
Alguns outros conhecidos têm cover dessa canção. Um é Lloyd Cole.
A outra é Tori Amos.
