Pensando bem, é difícil imaginar alguma semelhança entre Renato Russo e Sarah Vaughan. Provavelmente, seus talentos. Mas são de universos tão diferentes! Até onde os gostos de Russo moldaram sua música? É inegável que eles possuem algumas influências em comum, apesar da abissal diferença de gerações. No rock visceral de sua banda, a Legião Urbana, e menos em músicas mais lentas, é correto imaginar que o Sex Pistols, Ramones ou The Smiths, por exemplo, tenham sido mais relevantes que, digamos, Stephen Sondheim. Cito esse compositor americano, pois em seu primeiro disco solo, The Stonewall Celebration Concert, Russo gravou uma de suas mais belas canções: Send in the Clowns, do musical A Little Night Music, de 1973. Essa música pode ser considerada um dos últimos standards, se classificadas na acepção em que essa palavra é usada no jazz. Como comparação, standards são Summertime, Take the “A” Train, Night and Day, e uma infindável lista de canções que foram interpretadas por milhares de cantores e instrumentistas.
Stephen Sondheim é, praticamente, o “último dos moicanos” de uma linhagem que começa em Irving Berlin e é continuada pelos irmãos Gershwin, Cole Porter, Rodgers, Hammerstein e Hart, Johnny Mercer e tantos outros mais que fizeram parte da era de ouro dos musicais. O que têm em comum é o fato de ambos serem homossexuais, mas desconheço que tenha sido essa a razão de Renato Russo ter gravado essa música em The Stonewall Celebration Concert, apesar de o título ser uma referência explícita a essa opção sexual, já que está relacionada à The Stonewall Inn. Essa casa situada no Greenwich Village, em Nova York, foi palco de protestos violentos dos homossexuais contra as constantes batidas policiais, em 1969, e tornou-se um marco do movimento dos direitos dos gays.
No CD de Russo a música que tocou nas rádios brasileiras foi Cathedral, da cantora pop Tanita Tikaram. Os destaques são Say It Isn’t So e Let’s Face the Music and Dance, ambas de Irving Berlin, Somewhere, de Leonard Bernstein e letra do compositor de Send in the Clowns, que abre o disco. A melhor faixa é Clothes of Sand, de Nick Drake, um dos grandes talentos desaparecidos precocemente. Formado em literatura pela Universidade de Cambridge, suas composições eram sofisticadas e, geralmente, melancólicas. Suicidou-se com 26 anos.
Os fãs mais ardorosos do brasileiro vão discordar, mas The Stonewall Celebration Concert não é um grande disco. Sua voz “Jerry Adriani” não combina com algumas músicas e a impressão é a de que falta alguma coisa que faça o ouvinte “entrar” no clima. Boas mesmo eram as músicas cantadas com sua banda, a Legião Urbana. Send in the Clowns foi gravada por muitos. A melhor, na minha opinião é a de Sarah Vaughan. Ouçam e comprovem:
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
A poesia de Jorge Drexler registrada
Antigamente, existia a expressão “vira o disco”. Caiu em desuso depois da vinda do CD. É que existiam nos antigos discos de vinil dois lados: o “A” e o “B”. Ela significava algo como “muda de assunto!”. Uma outra é o “risco no disco”. Acontecia de, às vezes, num disco riscado a agulha não ir para a frente e ficava um pequeno trecho da música a repetir infinitamente. O HD do meu cérebro despertou nessa manhã a repetir um verso: “Estoy aquí de paso”. Acho que foi de tanto ficar ouvindo o último CD de Jorge Drexler, Amar la trama (WEA, 2010). O início de Tres millones de latidos lembra um pouco o de Bye-Bye Brasil, de Chico Buarque, mas com “acento” latino devido à percussão “bumbante”. Serve como introdução a um registro menos costumeiro de Drexler, mas anuncia-se como um “espere o que virá”. A segunda faixa, pelo meu gosto, é a melhor em tudo: letras e ritmo. Amar la trama más que el desenlace – belo verso – ou a dança dos encontros e desencontros: “Y sin planearlo tú acaso/ como quién sin quererlo va y lo hace/ te vi cambiar tu paso/ hasta ponerlo en fase/ en la misma fase que mi propio paso.” Bom demais! Ou, em La nieve en la bola de nieve: “ Una obsessión girando en su propia espiral/ de nubes de tormienta.// Tudo puede ser/ tan peligrosamente leve/como la nieve en la bola de nieve.”
Os arranjos têm seu papel em deixar os versos de Drexler mais belos. Xavi Lozano (sax barítono), Martí Serra (sax tenor), Roc Albero (trumpete), membros da banda catalã Xapola Trip Experiment, são o diferencial e combinam-se perfeitamente com os violões, a percussão e as guitarras ocasionais. Em Mundo abissal ouve-se o sax barítono como se o som estivesse se propagando dentro da água. Parece bobo, narrado assim, mas o efeito é bem interessante.
Transcrevo a letra de La trama y el desenlace:
Camino por Madrid en tu compañía,/ mi mano en tu cintura copiando a tu mano en la cintura mía/ a paso lento, como bostezando,/ como quién besa el barrio al irlo pisando/ como quién sabe que cuenta con la tarde entera,/ sin nada más que hacer que acariciar aceras.// Y sin planearlo tú acaso/ como quién sin quererlo va y lo hace/ te vi cambiar tu paso/ hasta ponerlo en fase,/ en la misma fase que mi propio paso.// Ir y venir,/ seguir y guiar,/ dar y tener/ entrar y salir de fase:/ amar la trama más que al desenlace.// Fue un salto ínfimo, disimulado,/ un mínimo cambio de ritmo apenas,/ un paso cambiado,/
y dos cuerdas que resuenan con un mismo número en distintos lados,/ o el paso exacto de dos soldados:/ como dos focos intermitentes/ subitamente así, sincronizados.// Dos paseantes distraídos/ han conseguido que el reloj de arena/ de la pena pare, que se despedace/ y seguir que el rumbo que el viento trace.// Ir y venir, seguir y guiar, dar y tener/ entrar y salir de fase/ amar la trama más que al desenlace// Ir por ahí como en un film de Eric Rohmer/ sin esperar que algo pase/ amar la trama más que al desenlace.Os arranjos têm seu papel em deixar os versos de Drexler mais belos. Xavi Lozano (sax barítono), Martí Serra (sax tenor), Roc Albero (trumpete), membros da banda catalã Xapola Trip Experiment, são o diferencial e combinam-se perfeitamente com os violões, a percussão e as guitarras ocasionais. Em Mundo abissal ouve-se o sax barítono como se o som estivesse se propagando dentro da água. Parece bobo, narrado assim, mas o efeito é bem interessante.
Transcrevo a letra de La trama y el desenlace:
Camino por Madrid en tu compañía,/ mi mano en tu cintura copiando a tu mano en la cintura mía/ a paso lento, como bostezando,/ como quién besa el barrio al irlo pisando/ como quién sabe que cuenta con la tarde entera,/ sin nada más que hacer que acariciar aceras.// Y sin planearlo tú acaso/ como quién sin quererlo va y lo hace/ te vi cambiar tu paso/ hasta ponerlo en fase,/ en la misma fase que mi propio paso.// Ir y venir,/ seguir y guiar,/ dar y tener/ entrar y salir de fase:/ amar la trama más que al desenlace.// Fue un salto ínfimo, disimulado,/ un mínimo cambio de ritmo apenas,/ un paso cambiado,/
Confira:
quarta-feira, 21 de julho de 2010
A mulher que não dá samba, segundo Vanzolini
Em tempos não muito distantes, mas hoje, longínquos – 50 e tantos anos – os soviéticos buscavam o cosmos e os americanos, os astros. Esses desbravadores do espaço eram chamados, na União Soviética, de cosmonautas, e, nos Estados Unidos, de astronautas. A diferença parecia sutil sem ser. Essas duas nações representavam os opostos, a esquerda e a direita, e estavam em alerta incessante prontos a destruir um ao outro. Nessa coisa denominada “guerra fria”, a humanidade vivia a iminência de deixar de existir. Seres amedrontados, Terceiro Mundo ou Primeiro Mundo, Budapeste era um lugar praticamente proibido para os ocidentais. A guerra fria acabou, a União Soviética se desmembrou e o que se designava como “esquerda” virou abstração. E, surpreendentemente, o mundo esfriou, mesmo com o propalado aumento da temperatura global. E globalizados ficamos. O mundo virou internético com informações fáceis de serem coletadas até na mais longínqua paragem. Ficamos cínicos e boa parte da humanidade é solidária em catástrofes como enchentes, vulcões explosivos, terremotos e maremotos, mas pouco sensiveis à miséria e às ditaduras. É o que se poderia chamar de “solidariedade de butique”. Uma amiga perguntou à sua filha estudante de medicina no Rio de Janeiro se estava ajudando os desabrigados e feridos vítimas das enchentes no início do ano. Ela disse, sim, “doei um monte de roupas que não uso”.
No meio da década de 1960, numa cidade de 50 mil habitantes, como Passos (MG) não existia a televisão, mas as bancas vendiam uma revista de tiragem semanal chamada Intervalo, que publicava, além de notícias sobre artistas ou programas televisivos, a programação semanal. Era possível acompanhar a trama das telenovelas sem assistí-las pelas sinopses publicadas. Havia uma página “musical” que trazia sempre a letra de uma música que fazia sucesso. Os gostos musicais eram decorrentes das especifidades locais, uma cidade com 65% dos habitantes em regiões rurais. Apesar do sucesso de Altemar Dutra ou Agnaldo Timóteo, os adolescentes, sabe-se lá como, estavam ficando fãs da turma da Jovem Guarda. Tinha até professor de violão com o ensino voltado às correntes roqueiras. Destacava-se uma banda de meninos chamada Edinho e Seu Conjunto. Um menino da minha classe no ensino básico, o Otacílio, era um de seus componentes. Tocava acordeão. O Edinho, mais tarde, formaria o Edinho Santa Cruz e Banda. Tocou por um bom tempo no programa dominical de Fausto Silva.
Eram conhecidos e amados cantores como Roberto Carlos, Agnaldo Rayol e Wanderley Cardoso. Representavam o ápice da sofisticação cultural. De vez em quando, na página da revista Intervalo vinham impressas letras em inglês. Eram de uma banda britânica chamada The Beatles. Muitos, como eu, não o conheciam. É claro que Passos já tinha sido invadida pelos americanos. Filmes de Elvis Presley enchiam as salas dos cines Alvorada e Roxy e uma pequena parcela reagia histericamente com suas perturbadoras performances. Mas, sucesso mesmo, era Altemar Dutra – um must – e, quase tanto, um mexicano chamado Miguel Aceves Mejía.
O rock’n’roll foi um fenômeno massivo. Até os nacionalistas-tradicionalistas-stalinistas/realistas-socialistas foram obrigados a admitir a força desse movimento musical. Fora os Beatles, que tinham suas letras publicadas em revistas, pouco acesso se tinha às letras originais e, por conseguinte, cantava-se no que Toninho Horta chamou de “falso inglês” (“Eu ouvi Paul Anka/ Um dia/ Eu ouvi Ray Charles/ Bill Halley/ No rádio eu sempre ouvi/ mas não entendia nada de inglês/ mas eu guardava o som/ toda melodia sem poder cantar/ Eu tinha que inventar um jeito de cantar inglês.// […]// Beatles, Dylan/ ouvi uma vez e eu cantei/ Eu lembro que inventei/ todos se encantaram com meu falso inglês.”). O pouco acesso às letras em inglês fizeram com que minhas músicas preferidas da época em que, realmente, passei a comprar discos e ouví-los à exaustão, se transformassem em massas sonoras em que as letras não possuam o mínimo significado para mim. Credito um pouco minha preferência pela música instrumental (jazz, principalmente) à dificuldade de saber do que tratavam as letras de As Tears Go By e Ruby Tuesday, dos Rolling Stones, ou de dar o mesmo valor para os “obla-di-o-bla-da” se comparados a “help/ I need somebody/ Help, not just anybody/ Help, you know I need someone/ help!”. Essa “distorção” se estendeu até às músicas cantadas em português. Posso cantá-las e, frequentemente, canto sem prestar atenção em seus significados. Aí entram os amigos. Quando dizem “que letra linda tem tal música!”, aí resolvo prestar atenção e descubro que elas são parte complementar e, em muitos casos, essenciais.
Bem, o que a calça tem a ver com a cadeira, como disse Ferreira Gullar noutro dia? Apenas o último parágrafo tem relação mais direta com o que vem a seguir. Almoçava um dia com o Paulo Caruso e, cara bom de papo, capaz de conversar sobre temas mais improváveis – tem uma piada ou graça para tudo, inclusive com a desgraça –, como de costume, na maior parte do tempo, falamos de música. Suas antenas se direcionam muito às letras – suas releituras de músicas conhecidas em que coloca novas letras são, quase sempre, impagáveis. É uma deficiência essa dificuldade que tenho em prestar atenção às letras. Ainda bem que os amigos ajudam. Na penúltima vez em que nos encontramos, Paulo falou muito de Jorge Drexler e, naturalmente – não perguntem por que – a conversa caiu em Paulo Vanzolini.
E nem é por causa de Paulo que reproduzo a letra de Mulher Que Não Dá Samba, de Vanzolini. É que, alguns sábados passados, enquanto ia para a festa de aniversário da Maria Adelaide Amaral, na Serra da Cantareira, a amiga Vera Galli não parava de cantá-la. E, vejam, que letra genial, como a dos sambas mais espirituosos. Geniais os versos “Se atrás da bronca viesse a roupa limpa, o café quente/ Ou se fosse ignorante no claro e ardente no escuro/ […]/ Mulher que não dá samba eu não quero mais”.
Mulher Que Não Dá Samba
Parece que vai tudo em santa paz
Na base do mais ou menos
Um pouco mais menos que mais
Tão regular, sem reclamar
Porém não satisfaz
Mas francamente, de que serve tanta paz
Ainda se fosse brava porém competente
Se atrás da bronca viesse a roupa limpa, o café quente
Ou se fosse ignorante no claro e ardente no escuro
Eu lhe asseguro
Não faria falta a paz
Mulher que não dá samba eu não quero mais
Mulher que não dá samba eu não quero mais
Ouçam-na cantada por Carmen Costa e Paulo Marques:
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Amos Lee: uma alternativa à Norah Jones
Como gosto não se discute, não aceito que discordem se digo que não gosto de Norah Jones. Brincadeira! Mas está além da minha compreensão todo esse sucesso. E é fácil discordar de mim: afinal, vendeu milhões de discos e ganhou dez Grammy. Não é desprezível para quem está há pouco tempo no mercado. Pode ser um pouco de preconceito, talvez por ficar contrariado quando a classificam como jazzista. Jones é mais folk, country e quase nada jazz.
Na década de 1960/70, quando se revelaram James Taylor, Carole King, Cat Stevens e Simon & Garfunkel, surgiram algumas classificações alternativas ao rock: “folk rock” e “soft rock”. Diferentemente do som pesado que bandas inglesas como o Cream, formado por Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker, The Who, ou os americanos como Jimi Hendrix ou a cantora Janis Joplin, cantavam de modo mais suave. As músicas eram melodicamente mais agradáveis e menos agressivas ao ouvido médio. Eram interregnos de paz. A juventude masculina, naquele tempo, pensava duas vezes antes de dizer que gostava de um You’ve Gotta Friend, cantado por Carole King ou por James Taylor, ou de Wild World de Yusuf Islam (esse é o nome de Cat Stevens depois que se converteu ao islamismo). Era coisa de menininha. Música de macho eram as de Led Zeppelin ou dos Rolling Stones. Preconceito bobo ou não, é comum às mulheres gostarem menos de som pesado e, os homens, mais. Um amigo, brincando, gostava de dizer que ainda ia conseguir arrumar uma namorada que não gostava de Phil Collins.
Norah é protagonista do filme Beijos Roubados (My Blueberry Nights), em que contracena com Jude Law. Seu diretor, Wong Kar-Wai, é um mestre em combinar situações com músicas. Em Beijos tem Norah, é claro, e mais Ry Cooder, Otis Redding, Gustavo Santaolalla, Cassandra Wilson e Cat Power, que faz uma pequena ponta. Trilha de primeira! Como as dos filmes anteriores, principalmente em In the Mood for Love e em 2046, Kar-Wai constrói um “mood” deliciosamente retrô com canções em inglês e no trôpego espanhol de Nat King Cole. Pelo jeito, Kar-Wai gosta de Jones. Ponto para ela.
O primeiro CD, Amos Lee (2005) foi lançado no Brasil e pouco divulgado. É até inexplicável que tenha saído aqui. Se lançam, por que não divulgar. Tinha potencial. A hipótese mais provável é a de que foi lançado para aproveitar o sucesso de Norah Jones. Não é simples coincidência: Jones participa tocando piano acústico e o Wurlitzer, e um dos produtores é Lee Alexander, baixista, componente da banda e ex-namorado dela. A outra é que são da mesma gravadora, a Blue Note.
Se não é uma novidade num mercado tão diversificado, é um disco bem agradável de ouvir. Não escapou, a meu ver, da síndrome do segundo disco. É bem mais fraco que o CD que leva seu nome. Se alguém tiver alguma curiosidade em relação a ele, acesse seu site: www.amoslee.com
Um dos destaques do primeiro é Keep It Loose, Keep It Tight. Outras: Black River, e a bela Soul Suckers. Vejam.
Na década de 1960/70, quando se revelaram James Taylor, Carole King, Cat Stevens e Simon & Garfunkel, surgiram algumas classificações alternativas ao rock: “folk rock” e “soft rock”. Diferentemente do som pesado que bandas inglesas como o Cream, formado por Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker, The Who, ou os americanos como Jimi Hendrix ou a cantora Janis Joplin, cantavam de modo mais suave. As músicas eram melodicamente mais agradáveis e menos agressivas ao ouvido médio. Eram interregnos de paz. A juventude masculina, naquele tempo, pensava duas vezes antes de dizer que gostava de um You’ve Gotta Friend, cantado por Carole King ou por James Taylor, ou de Wild World de Yusuf Islam (esse é o nome de Cat Stevens depois que se converteu ao islamismo). Era coisa de menininha. Música de macho eram as de Led Zeppelin ou dos Rolling Stones. Preconceito bobo ou não, é comum às mulheres gostarem menos de som pesado e, os homens, mais. Um amigo, brincando, gostava de dizer que ainda ia conseguir arrumar uma namorada que não gostava de Phil Collins.
Norah é protagonista do filme Beijos Roubados (My Blueberry Nights), em que contracena com Jude Law. Seu diretor, Wong Kar-Wai, é um mestre em combinar situações com músicas. Em Beijos tem Norah, é claro, e mais Ry Cooder, Otis Redding, Gustavo Santaolalla, Cassandra Wilson e Cat Power, que faz uma pequena ponta. Trilha de primeira! Como as dos filmes anteriores, principalmente em In the Mood for Love e em 2046, Kar-Wai constrói um “mood” deliciosamente retrô com canções em inglês e no trôpego espanhol de Nat King Cole. Pelo jeito, Kar-Wai gosta de Jones. Ponto para ela.
O primeiro CD, Amos Lee (2005) foi lançado no Brasil e pouco divulgado. É até inexplicável que tenha saído aqui. Se lançam, por que não divulgar. Tinha potencial. A hipótese mais provável é a de que foi lançado para aproveitar o sucesso de Norah Jones. Não é simples coincidência: Jones participa tocando piano acústico e o Wurlitzer, e um dos produtores é Lee Alexander, baixista, componente da banda e ex-namorado dela. A outra é que são da mesma gravadora, a Blue Note.
Se não é uma novidade num mercado tão diversificado, é um disco bem agradável de ouvir. Não escapou, a meu ver, da síndrome do segundo disco. É bem mais fraco que o CD que leva seu nome. Se alguém tiver alguma curiosidade em relação a ele, acesse seu site: www.amoslee.com
Um dos destaques do primeiro é Keep It Loose, Keep It Tight. Outras: Black River, e a bela Soul Suckers. Vejam.
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