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| Lyle Mays e Pat Metheny, quando pareciam ter vindo diretamente de “Wayne’s World”. |
Há tempos não ouvia falar de Lyle Mays. Quando ouço — ou melhor, leio no zap por meio de um amigo —, é para saber que morreu. Segundo os noticiosos, sucumbiu a uma "longa batalha contra uma doença recorrente", em 10 de fevereiro, em Los Angeles.
Lyle ficou conhecido depois que passou a participar da banda de Pat Metheny. Este último, depois de ter tocado com Gary Burton em dois álbums pela ECM, lançou o primeiro como líder “Brigth Size Life”, em brilhante formação jazz trio, com o ainda pouco conhecido Jaco Pastorius e Bob Moses. Logo depois, em 1977, foi a vez de “Watercolors”, outro grande disco, com Eberhard Weber, Dan Gottlieb e Lyle Mays. Foi a primeira vez que ouvi falar dele. Este, menos jazz que o primeiro, enveredava por paisagens sonoras erigidas por violões e guitarras, o contrabaixo lúgubre de Eberhard Weber e o piano discreto de Mays. Todas as composições eram de Pat. A sonoridade de sua guitarra influenciou muitos, inclusive o brasileiro Toninho Horta, que chegou a contar com sua participação em um disco de 1990, em “Manoel, o Audaz” e “Prato Feito”.
Depois de “Watercolors”, em que Mays tem uma participação discreta, Metheny formou um quarteto com ele, Mark Egan e o mesmo Gottlieb. É de 1978 “Pat Metheny Group”. Juntos, lançaram mais um: “American Garage” (1979). Bem roqueiro, foi quando Pat tornou-se super conhecido. Tive a felicidade de vê-los no festival de jazz que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1990, se não me engano. O jazz rock estava no auge. Na mesma ocasião assisti a uma apresentação inesquecível do Weather Report, com Jaco Pastorius arrasando.
Entre um e o outro, Pat e Lyle fizeram um disco primoroso: “As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls”. Lyle toca piano, órgão, sintetizadores, todos os teclados. Acho que deve ter sido a melhor coisa que fez. E de Pat, uma das melhores. É uma música climática, de momentos intensamente belos e dramáticos, de poesia pura. Que pianista foi Lyle! Contando com a preciosa e criativa percussão de Naná Vasconcelos, esse é um disco que nunca vou cansar de ouvir.
Pela ECM ainda, em 1982, o Pat Metheny Group lançou “Offramp”, em 1983, o ao vivo “Travels”, e em 1985, “First Circle”. Os dois continuaram juntos, já em outro selo, a Geffen Records: “Still Life (Talking) (1987), “Letter from Home” (1989), “We Live Here” (1985), “The Road to You” (1993), “Quartet” (1996), “Imaginary Day” (1997), “Speaking of Now” (2002) e “The Way Up” (2005). Os dois, ainda, são autores da trilha sonora de “The Falcon and the Snowman” (1985).
De Lyle, como líder, ouvi apenas “Fictionary” (Geffen 1983). Nunca mais soube dele, fora como membro do grupo de Pat Metheny. Só agora. Estou a ouvir todos os que gravou com Pat, no meu amplificador valvulado, com muitas saudades das sensações que tive à época em que ouvi esses discos pela primeira vez, e de lembranças de um tempo em que achei que era mais feliz do que hoje. E isso me causa uma certa dor. Acho que não tem melhor homenagem que dizer isso sobre aquele magrelão de cabelos rebeldes que vi um dia tocar no Rio de Janeiro.
Nesse momento, gostaria que todos estivessem fazendo o mesmo que eu. Ouvir Lyle com Pat. Ouça o álbum “As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls”, no Spotify.
Se você não conseguir, entre pelo link: https://open.spotify.com/album/7EG8IjKyPecEgyqbAH5B04?si=L4pijyDMR06wr9X1Kses3g
