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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e sua parceria com Norah Jones



Há alguns dias, por conta da apresentação de Norah Jones, no Brasil, o jornal O Estado de S. Paulo deu capa e a página 3 para ela. A notícia é velha. Como tenho o costume de separar os “Segundo Caderno” para ler depois, fiquei sabendo há poucos dias da parceria da filha de Ravi Shankar com Rodrigo Amarante, ex-Los Hermanos e Little Joy (não sei se a banda ainda existe). A matéria é de 28 de novembro e os shows de Norah foram no início de dezembro.

Na entrevista, diz que foi a um show do Little Joy, em Nova York, e gostou muito. Isso foi ainda na década passada. Mas, conheceram-se. Quando ela veio ao Brasil, naquela época, Rodrigo recomendou lugares que devia conhecer. Não se falaram mais. Apesar de ter gostado do álbum solo dele, “Cavalo” (2013), voltaram a se encontrar apenas pouco tempo atrás. Reuniram-se em Los Angeles e compuseram duas músicas.

O último de Jones, “Begin Again”, é uma reunião de vários singles lançados depois de “Day Breaks” (2016). Acho que é uma nova estratégia, com o quase fim dos CDs físicos, o lançamento de singles, disponibilizados em sites de venda e streaming em veículos como o Spotify.

Depois de um início retumbante, com “Come Away with Me” (2003), flertou com vários gêneros. Desde o começo, apesar do rótulo, nunca foi uma intérprete de raiz do jazz. Mesclou seu gosto por outros gêneros como o pop e o country-folk, posteriormente. Passou a fazer parcerias com outros músicos, como o produtor Danger Mouse (“Little Broken Hearts”) e no último, com Jeff Tweedy, do Wilco, e Billy Joe Armstrong, do Green Day. Amarante é mais um deles. Imagino que vai será uma boa união. Há um certo tom de melancolia no brasileiro que combina com a de Norah.

Veja se você concorda.

Ouça “I Forgot”




“Falling” é mais no clima que imagino que seja comum entre os dois: melancolicamente belo.




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Tristeza não tem fim com Rodrigo Amarante, felicidade, sim

Rodrigo Amarante (Eliot Lee Hazel/divulgação)
Há um tanto de gente que amava Los Hermanos. Outro tanto, odiava. Pessoas ou agrupamentos que despertam sentimentos exacerbados tende a ser sempre interessantes. Sem fazer parte de nenhum dos dois times, gosto de todos os álbuns lançados de Los Hermanos. Na única vez em que assisti a uma apresentação da banda, no Via Funchal, SP, fiquei impressionado com a veneração de seus fãs. Devia ter meia dúzia de gente sem pular. Eu era um deles.

Achava interessante ver uma banda tão anti-star. Aquele bando de homens barbados não era nenhum modelo pop. E a música deles era uma coisa que tendia à melancolia, um certo descaso pelo desejo de agradar. Poderia muito bem ser até pose de artista, daqueles que aparentam descaso pelo sucesso e, na verdade, são sedentos por ele. Mas a impressão de que não são “stars”, de certo modo, foi confirmada quando vi um rapaz muito alto, vestindo uma camiseta branca molambenta, meio encardida e uma bermuda larga, sentado em um restaurante frequentado por pessoas que trabalham nas proximidades, com uma mochila do lado. A barba e o narigão chamaram a minha atenção. Seria o Marcelo Camelo? Não podia ser. Em um lugar tão simples. A suspeita se confirmou quando vi chegar uma moça que foi sentar-se do seu lado. Era Mallu Magalhães, sua mulher. Sabia quem era, pois tinha ido ao lançamento do livro Ensaiando a Canção: Paulinho da Viola e outros escritos, de Eleite Negreiros. A Eliete me disse que era sua prima. Acho que era isso.

Ao ouvir Los Hermanos, nunca soube identificar quem era quem, ou seja, quem era o compositor e quem cantava as músicas. Sempre achei que os dois eram um só. Existe algo em comum ou uma entropia que faz pensar assim. Continuo confuso. Ao ouvir Cavalo, o recém lançado CD de Rodrigo Amarante, fico mais confuso ainda. Sempre imaginara que a melancolia no som dos Los Hermanos era originária das composições de Marcelo Camelo.

Com exceção de Hourglass, o álbum consiste de “torch songs”. São canções de abandono, solidão, tristeza, ou como diz Amarante, de vazios. Sintomaticamente, toca todos os instrumentos. É o “bloco do eu sozinho”. E bote excentricidades em Rodrigo. Na matéria publicada na Folha de S.Paulo, recusou a ser fotografado e pediu que fosse publicada a foto oficial feita por Eliot Lee Hazel. Com a barba cada vez maior, mais parece com um Tolstói jovem. Mais uma esquisitice: a capa é uma não capa. Sem imagens, é uma capa com quatro colunas de texto, que vem a ser a ficha técnica do disco. Mas acerta no despojamento. Algumas canções são tocantes, lúgubres como os versos "Saudade/ Eu te matei de fome/ É tarde/ Eu te enterrei com a mágoa/ Se hoje não sei teu nome/ Teu rosto não me deu trégua/ Milagre seria não ver/ No amor essa flor perene/ Que brota na lua negra/ Que seca mas nunca morre", em Irene, mesmo nome de uma composição de Caetano Veloso. É o verso da alegria.


Ouça Irene.




Ouça a música título, a bela Cavalo.




O álbum já está sendo vendido na iTunes Store. Ouça-o na íntegra aqui.