Com 75 anos hoje, Gary Burton, tornou-se conhecido entre os da minha geração ao gravar, com Chick Corea, o fabuloso “Crystal Silence” (ECM, 1972).
Com 18 anos completos, em 1961, lançou seu primeiro álbum solo: “New Vibe in Town”, com Gene Cherico e Joe Morello. Em 1962, foi a vez de “Who Is Gary Burton?”. Quem era esse rapaz? Tendo Lionel Hampton e Milt Jackson, como os grandes nomes do vibrafone, Burton era o “new talk of the town”. Revelava-se aquele que é até hoje um dos melhores de todos os tempos nesse instrumento. Neste último, tinha as companhias de Clark Terry, Bob Brookmeyer e Phil Woods, um trio de sopros de respeito, além Tommy Flanagam ao piano.
Os títulos de seus primeiros discos eram um anúncio da grande novidade. O terceiro, o melhor deles, foi “Something’s Coming”. Neste, contou com a brilhante guitarra de Jim Hall, o talento revelado na célebre banda de Jimmy Giuffre.
Ouça “On Green Dolphin Street”, com Jim Hall na guitarra.
Praticamente um auto-didata no vibrafone e na marimba, Burton, resolveu aprender piano aos 16, estudando depois na Berklee School of Music. Excursionou com George Shearing, tocou com Stan Getz, Larry Coryell e Steve Swallow. Em 1968 foi considerado o “Jazzman of the Year”, pela Downbeat, o mais jovem a ser laureado com tal título.
Depois de “Crystal Silence”, além de alguns duos com Corea, gravou belíssimos discos pela ECM. Um deles é “Ring” (1974), com uma superbanda composta por Eberhard Weber e Steve Swallow nos contrabaixos, Pat Metheny e Mick Goodrick nas guitarras, e Bob Moses na bateria. Como Burton, que foi revelado jovem ainda, foi a oportunidade para Metheny ficar conhecido e logo depois estrear com o solar “Bright Size Life” (ECM, 1976). Como é costumeiro na ECM, os músicos participam de vários projetos com outros do cast da gravadora. Além dos álbuns com Chick Corea, com seu quinteto e quarteto, tem outros com Ralph Towner (“Matchbook” e “Slideshow”), Steve Swallow (“Hello Hotel”), e por outras gravadoras, Stéphane Grappelli, Paul Bley e Keith Jarrett.
A partir de 1988 passou a gravar pela GRP, Concord Jazz e Mack Avenue. Os destques dessa fase mais recente são “Ástor Piazzolla Reunion: A Tango Excursion” (1998), “Libertango: The Music of Ástor Piazzolla” (1990) e “For Hamp, Red, Bags, and Cal” (2009) e “Quartet Live” (2009), com Pat Metheny, Steve Swallow e Antonio Sanchez. A parceria Corea-Burton manteve-se ativa, mesmo fora da ECM, com “Native Sense - New Duets” (1997), “The New Crystal Silence” (2008), e “Hot House” (2012).
Ouça algo de Gary Burton a seguir.
