quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Diana Krall em momentos de tranquilidade

Impossível ficar alheio à Diana Krall

 

O álbum mais recente de Diana Krall foi o último produzido pelo premiadíssimo Tommy LiPuma, o responsável por “When I Look in Your Eyes”, seu primeiro CD para o selo Verve, e dos dois anteriores que saíram pelo Impulse, que a tornaram conhecida.

Antes, estreara pelo selo canadense JustinTime, com “Steppin’ Out” (1993). Nos Estados Unidos, lançou “Only Trust Your Heart” (GRP, 1995), com participações de Ray Brown e Jimmy Rowles, dois de seus mentores, Christian McBride, Lewis Nash e participação do saxofonista Stanley Turrentine. Boa cantora, o que chamou atenção foi sua maestria ao piano, confirmada em “All for You: a Tribute to Nat King Cole” (GRP/Impulse, 1996), e em “Love Scenes” (Impulse, 1997).

Em uma gravadora maior, maior estrutura, mescla faixas camerísticas e outras com orquestra. Com arranjos do genial Johnny Mandel, “When I Look in Your Eyes (1999) ganhou vários prêmios pelo mundo, angariou dois Grammy e vendeu mais de um milhão de cópias nos EUA.

Os próximos álbuns foram também extremamente bem em termos comerciais. “The Look of Love (2001), vendeu mais ainda: 1,7 milhões nos EUA, 700 mil no Canadá, 200 mil na França e 100 mil na Inglaterra. Mais uma vez, a produção foi muito bem cuidada, com orquestrações de Claus Ogerman, o arranjador idolatrado por Tom Jobim – dizia que todo mundo precisava de um alemão para dar uma ordem. Na esteira do sucesso do álbum, lançaram “Live in Paris (2002) e “Live in Rio”, belíssimo DVD, com imagens luxuriantes do Rio de Janeiro. “The Girl in Other Room” (2004) e “From This Moment on” (2006) surfaram na onda do sucesso comercial dos outros da Verve. Se não eram superiores aos outros, pouco importava aos seus fãs. Sua voz hipnotizante cega qualquer admirador.

Para sair da mesmice, Krall gravou um álbum com canções dos anos 1930 e 1940, que seu pai ouvia em discos de 78 rotações. Produzido por T-Bone Burnett, “Glad Rag Doll” foi lançado em 2012.

Assumindo o conceito oposto, “Wallflower” (2014), é com temas do pop e do rock a partir dos anos 1960. Fazem parte do repertório composições clássicas de Elton John (“Sorry Seems to Be the Hardest Word”), Eagles (“Desperado”), Mamas & Papas (California Dreamin’), Bob Dylan (“Wallflower”), e Gilbert O’Sullivan (“Alone Again (Naturally), dentre outras.

Tranquilidade
Com dois filhos em idade escolar, Diana Krall voltou a morar em Nanaimo, onde nasceu, na Columbia Britânica, província do extremo oeste do Canadá. É uma cidade tranquila, com menos de 100 mil habitantes, a 50 e poucos quilômetros de Vancouver. Coincidência ou não, seu álbum mais recente se chama “Turn Up the Quiet” (Verve, 2017). É também o retorno à parceria com Tommy LiPuma, falecido em março do ano passado.

O repertório é mais do mesmo. São standards conhecidos e vários que já foram cantados por ela. E os músicos são os que costumam tocar com ela, em formações pequenas. Alguns números são com orquestra, mas nunca com a qualidade e pujança dos arranjos de Johnny Mandel e Claus Ogerman. A voz sensual, sussurrante, predomina, principalmente nas canções em que seu piano é acompanhado apenas pela guitarra, contrabaixo e bateria. Soa déjà vu para quem conhece seus primeiros trabalhos, o que não quer dizer que seja ruim. Apenas não apresenta grandes novidades. É como se tivesse desistido de mostrar ao que veio, pois não precisa mais disso. Se a crítica especializada não se animou muito, não é bem o que seus fãs acharam. Foi considerado o álbum do ano pelos leitores da revista Downbeat, que não são exatamente leigos no assunto, com 99 votos a mais que o segundo, o que é significativo.

Uma das melhores faixas é “Isn’It Romantic”, com a bela guitarra de Anthony Wilson.




O ritmo malemolente que imprime à caliente “Sway” (“¿Quién será?”), de Luiz Demetrio, transforma a música. Maravilha.