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| A capa do disco |
A primeira montagem, em 1954, teve direção de Peter Brook e o cast incluía Pearl Bailey, Diahann Carroll, Juanita Hall. Foi um sucesso? Errado. Nem a crítica gostou. Pelo jeito, nem sempre a reunião de uma turma de primeira é sinônimo de sucesso.
Mas, por qual razão me lembraria desse musical? Nem sabia que Sleepin’ Bee, um clássico, era dessa peça. Foi mais em razão de uma música: Two Ladies in de Shade of de Banana Tree. No disco original, é interpretada por Enid Mosier & Her Trinidad Steel Band. Conheço-a apenas pelo sampler (curtíssimo) disponível no site da Amazon. Existe um álbum de KT Sullivan, chamado Sing My Heart: The Music of Harold Arlen, lançado em 1995, em que está incluída essa música. Nem assim e apesar de ter o disco, não me lembrava dela. Bastou, no entanto, estar em um álbum da cantora Chris Connor para chamar-me a atenção.
Poucos teriam coragem de ousar dizer que existem cantoras melhores que Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Carmen McRae ou Sarah Vaughan. Mas, se inventarmos uma outra categoria, a das cantoras brancas, sim, assim as excluímos e, com tranquilidade diremos que não existem mulheres iguais a Anita O’Day, June Christy e Chris Connor. As três cantaram na big band de Stan Kenton. Nota: sim, questão de preferência, vá lá, incluamos Jo Sttaford, Julie London Rosemary Clooney, Doris Day, mas assim, a lista se tornaria interminável.
Connor lançou – até onde sei – dois discos com o trumpetista Maynard Ferguson: Two’s a Company (Bethlehem, 1961), e Double Exposure (Atlantic, 1961); nesse último está gravada a música do “pé de banana”. Ferguson participou da banda de Stan Kenton; aprendeu direitinho: sua big band era excepcional e se amoldou bem ao seu estilo “quente” de tocar trumpete, privilegiando notas altas. Belo contraste: perfeito combinado com a voz mais para o registro médio, “warm”, “cool” de Connor.
A banana tem uma importância emblemática na cultura americana, principalmente, quando relacionada aos países latino-americanos. Pejorativamente, repúblicas e republiquetas da região da América Central, em especial, eram designadas como “Repúblicas das Bananas”. Parte da responsabilidade é da exportadora e produtora de frutas United Fruit Company, que mandou e desmandou nos países onde atuou através de seu poderio econômico, derrubando e colocando governantes “teleguiados” de acordo com os interesses imperialistas.
As bananas fazem parte do cenário do musical, pois a história acontece num país antilhano. São poucas as referências sobre esse musical na internet. Alguns dados aqui servem apenas como pretexto para citar a música de Harold Arlen e para disponibilizar em áudio Two Ladies in de Shade of de Banana Tree. Nossa popular bananeira deve ser considerada árvore em terras norte-americanas.

