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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Algo sobre David Clayton-Thomas

Alegria de Clayton-Thomas, ao lado de Louis Armstrong
Aos 14 anos, David saiu de casa e dormia onde era possível, em estacionamentos ou edificações abandonadas. Para sobreviver, cometia pequenos furtos. Preso várias vezes, passou por cadeias e reformatórios. A música lhe salvou. Depois de sair da cadeia, em 1962, e aprendido um pouco de violão por conta própria, começou a tocar em bares, inicialmente, em Toronto, Canadá, indo depois para Chicago e Detroit. Dois anos depois, estava em Nova York apresentando-se em um programa de Paul Anka. Surgia assim David Clayton-Thomas. Abandonara o nome de batismo assim como abandonava a errância de ladrãozinho adolescente.

Tocando em algum canto de Nova York, foi ouvido por Judy Collins, a cantora que foi a primeira a gravar outro canadense, Leonard Cohen, em pouco tempo tornava-se membro do Blood, Sweat & Tears. Clive Davis, presidente da Columbia Records, quando o ouviu no Café Au Go-Go, definiu-o como “uma combinação perfeita de fogo e emoção.”

Em “Child Is Father of the Man”, álbum de estreia do Blood, Sweat & Tears, o protagonismo maior era de Al Kooper, que deixou a banda logo depois. À ideia de fundir o rock, o blues, o jazz e o pop, a entrada de um vocalista tão especial como Clayton-Thomas mudou a órbita da sonoridade da banda. No segundo álbum, lançado em 1969, intitulado “Blood, Sweat & Tears”, a tônica continuava nos arranjos de sopros e improvisos jazzísticos, e o repertório abarcava o erudito Erik Satie, passando por Billie Holiday, Laura Nyro e até o “Motown sound” de Barry Gordy, com a espetacular interpretação de “You Made Me Feel So Happy”. O sucesso foi tão grande que desbancaram, naquele ano “Abbey Road”, dos Beatles. Foram convidados para apresentarem-se no festival de Woodstock, e o cachê deles só foi inferior ao de Jimi Hendrix. Estavam com o prestígio lá em cima.

Em 1972, lançou “David Clayton-Thomas”, primeiro solo, pela CBS. Participou de VII Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, e ganhou o primeiro lugar, com “Nobody Calls Me a Prophet”. Seguiram-se “Tequila Sunrise” e “Harmony Junction”, de 1974. No ano seguinte, voltou ao BS&T. Entre idas e vindas, tanto ele como a banda foram perdendo protagonismo. Mas continua na ativa. A voz, se não tem o brilho de outrora, ainda dá um caldo.


Ouça alguns clássicos cantados por David Clayton-Thomas, no Blood Sweat & Tears.




quinta-feira, 26 de julho de 2018

David Clayton-Thomas continua craque cantando jazz ou soul

Em outra ocasião escrevo um pouco mais sobre David Clayton-Thomas. Para quem não sabe quem é ele, foi o cantor principal da melhor fase do Blood, Sweat & Tears. Para quem nunca ouviu o BS&T, paciência, ninguém é obrigado a conhecer tudo. Eu, por exemplo, sequer sabia da existência de um zagueiro chamado Fagner, nem sabia que era jogador do Corinthians. Foi titular na última Copa do Mundo

Tinha até esquecido que David Clayton-Thomas, um dia, havia existido. Mas, ao ouvir ‘Combo” e “Soul Ballads”, lembrei-me do quanto gostava de sua voz. Um é de 2010 – este último –, e o outro, de 2015. Ambos exploram um repertório bem conhecido. É, porém, uma oportunidade para relembrar de sua maestria em seu mister. Em “Combo”, canta standards como “Nature Boy”, “Summertime”, “As Time Goes By”, “Stardust”, “When I Fall in Love” e “God Bless the Child”, esta, um sucesso em seus tempos de BS&T.

“Soul Ballads” apresenta os hoje clássicos “A Change Is Gonna Come”, de Sam Cooke, que teve sua interpretação definitiva com Otis Redding, autor de “(Sittin” on) The Dock of the Bay” e “I’ve Been Loving You”, presentes também nesse álbum. Outras são “People Get Ready”, de Curtis Mayfield,“Midnight Train to Georgia”, de Jim Weatherly, “Ruby”, que teve sua interpretação definitiva por Ray Charles, “When Something Is Wrong with My Baby”,  de Isaac Hayes, David Porter, e “Sunny”, de Bobby Hebb, conhecida pela interpretação de Sonny & Cher. É um dos destaques.




Ouça “(Sittin’ on) the Dock of the Bay.




Do álbum “Combo”, ouça “Summertime”.




Ouça também “Nature Boy”, o destaque do disco.