quinta-feira, 15 de junho de 2017

Três grandes violonistas na ECM

Uma qualidade positiva de Manfred Eicher é sua abertura para todos os tipos de sons e dom de descobrir talentos. Dois dos intérpretes aqui abordados, são de países da Europa Oriental, o que é bom para nós deste continente, que graças a ele, temos acesso. Zsófia Boros nasceu em Praga, é cidadã húngara e mora atualmente em Viena. Ferenc Snétberger é húngaro, filho de pais romenos. O terceiro, José Luis Montón, é e Barcelona. Todos têm formação clássica e escolheram o violão como instrumento. Há outros violonistas no selo, que se destacam, como o argentino Dominic Miller, que os fãs de Sting devem conhecer, em sua estreia na ECM, recentemente, e o iraniano Golfam Khayam, que podem ser assunto para outros posts.

Da esquerda para a direita, José Luis Montón, Zsófia Boros, Ferenc Snétberger, violonistas da ECM


Snétberger é o mais velho – 60 anos –, Montón tem 54, e Boros, 36. O primeiro acaba de lançar seu segundo disco pela ECM, assim como Boros. O espanhol, com vários pelo selo Auvidis, estreou no selo, em 2015, com “Solo Guitarra”.

Amina Alaoui participou pela primeira vez em disco da ECM, cantando em “Siwan”, de Jon Balke. Em 2011, lançou o excepcional “Arco Íris”. Nesse álbum, contou com Sofiane Negra no oud, instrumento de cordas tradicional dos países árabes, o brasileiro radicado em Portugal, Edu Miranda ao bandolim, e José Luis Montón na guitarra flamenca. Manfred Eicher deve ter se empolgado com a performance, e o catalão gravou “Solo Guitarra”. Belo álbum, que é pouco conhecido. Montón carrega a maestria da tradição flamenca, por meio da energia rítmica tão característica dos ibéricos e uma riqueza melódica emocionante.

Um dos melhores momentos de “Solo Guitarra” é “Con Permiso”. Ouça.




Ouça também a sua versão para a conhecida “Ária da Suite em ré menor”, de Johann Sebastian Bach.




Zsófia Boros, de 1994 a 1998, estudou no Conservatório Musical de Bratislava, na Eslováquia, e no Conservatório de Música Béla Bartók, em Budapeste, e posteriormente, na Universidade de Música e Teatro de Viena, concluindo-o em 2004. Pós graduou-se na Francisco Tárrega Guitar Academy, na Itália.

Com a flautista Daniela Lahner, formou o duo AgiLeo, em 2004. Apesar da formação essencialmente clássica, Boros enveredou pelo rico repertório existente para esse instrumento mundo afora. Não é à toa que seu primeiro CD na ECM tenha se chamado “En Otra Parte” (2013). Nele, o predomínio é de temas do continente americano. As exceções ficam com os espanhois Vicente Amigo e Francisco Calleja, e o austríaco Martin Reiter. No encarte, afirma: “muitas vezes eu acho que a escolha da música está em minhas mãos, mas depois me pergunto se não foi a música que me escolheu como um meio. Minha abordagem é sempre intuitiva. Quando um trecho me pega ou me toca, quero refletir isso – de me tornar um espelho e transmiti-lo.”

Fazem parte do álbum o genial cubano Leo Brouwer, os argentinos Dominic Miller, Abel Fleury e Quique Sinesi, o americano Ralph Towner, e Dilermando Reis.

Em seu último, lançado no fim do ano passado, “Local Objects”, outro solo, temos a suite “Koyunbaba”, de Carlo Domeniconi, “Nocturne”, de Mathias Duplessy, “Fantasie”, de Franghiz Ali-Zadeh, “Milonga”, do argentino Jorge Cardoso, “Gothenburg”, do austríaco Alex Pinter, “Vertigo Shadow”, de Al DiMeola, “Celebração de Núpcias”, de Egberto Gismonti, e “Inspiração”, de Garoto. A seleção é bem variada e o álbum está no mesmo nível do anterior, ou seja, é ótimo. Boros é uma das grandes violonistas da atualidade.

Ouça a composição de Garoto.




Veja o clipe de “Nocturne”, faixa de abertura.




Veja também o clipe de “Celebração de Núpcias”.




O terceiro grande violonista desse post é Ferenc Snétberger. No mês passado, lançou seu segundo pela ECM, no formato trio, com o baixista Anders Jormin e o baterista Joey Barron. Aqui, vou tratar do seu álbum de estreia. Chamado apenas “In Concert”, é um registro ao vivo no Liszt Academy, e é composta de apenas uma peça “Budapest” –, dividida em oito partes. O encore, é a única de autoria alheia: “Somewhere Over the Rainbow”.

Ouça um trecho de “Budapest”.