quinta-feira, 27 de julho de 2017

A beleza gelada de The Pogo Problem

O que pode gerar curiosidade a partir de uma banda chamada The Pogo Problem? Creio que, em primeiro lugar, saber o que significa “pogo”. É uma sigla, com as iniciais dos membros de uma banda, ou um vocábulo mesmo?

Ao pesquisar na internet, surgem alguns significados: um estilo de dança africana que ficou associado com o punk rock. Outro, de que é o título de uma tira de jornal da década de 1940, publicada até 1975, desenhada por Walt Kelly. Fico com o terceiro: “O efeito pogo, ou oscilação pogo, é o nome dado ao efeito de combustão espontânea, potencialmente perigoso, que ocorre em combustíveis líquidos de foguetes, provocando a vibração em seus motores, em outras palavras, seria o balanço violento sofrido pelo foguete graças à combustão instável do combustível.”

The Pogo Problem é um trio que, se não pelo estilo, por seus membros, pode gerar uma combustão instantânea: Steinar Guðjónsson, o guitarrista, é islandês, Anders Hellborn, o contrabaixista, e o baterista Kristoffer Tophøj são, se não me engano, dinamarqueses. Os três, em 2011, se encontraram Nordic Jazz for the Young Nordic Cornets Final, em Estocolmo; é uma das poucas referências a eles e está no “bandcamp”.

Vamos combinar: músicos islandeses nos provocam uma certa curiosidade. A banda Sugarcubes, que tinha como cantora a pequena Björk, fez um sucesso danado. Mas será qu devemos imaginar que a música vinda da Islândia teria que ser mais “fria” que o som “quente” do Sugarcubes. Poderíamos incluí-los na categoria dos “excêntricos” talvez. Foi o que pensei ao me deparar com Björk em uma loja de discos. Era uma garota muito pequena, com menos de 1,50 m, vestida com uma roupa que se assemelhava a uma vestimenta oriental, de seda azul e com aquelas tamancos japoneses, os guetas. Na oportunidade em que vi Björk, arrependi-me de não ter pedido um autógrafo. Até hoje, acho que é uma das intérpretes geniais da música contemporânea.

Comparando com Björk, até que Steinar Guðjónsson é um careta. Mas, bem, não vamos comparar o pop de Björk com o jazz – nem tanto jazz – de Steinar Guðjónsson. Mas, no entanto, impossível de dissociar a Islândia da beleza das imagens da aurora boreal, das paisagens contrastantes entre o negro das rochas vulcânicas, com o branco da neve e o verde das águas que emergem das profundezas abissais.

De certa forma, esses contrastes poderiam estar associadas à “oscilação pogo”. Entretanto o som de The Pogo Problem flutua no fino limite da camada de gelo que pode romper-se ao menor movimento de sua música. Acho que é nesse limite que encontra-se a música deles. Objetivamente, os gostos deles pelo som de Pat Metheny, Brad Mehldau, The Bad Plus, EST (trio de Esbjörn Svensson, morto prematuramente em um mergulho em altas profundidades), e Gogo Penguin revelam os rumos do som de The Pogo Penguim.

Ouça a sublime “Non Taken”, a música que abre o belo CD lançado agora em 2017.




A minha preferida do álbum é “Over Time”.




Ouça o álbum inteiro aqui.